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VEM AÍ A NOVA BATALHA DO DELEGADO PAULO NA CÂMARA. A REFORMA ADMINISTRATIVA VAI CRIAR SECRETARIAS, PRIORIZAR SEGURANÇA E CUSTAR MAIS NUM ORÇAMENTO QUE ELE PRÓPRIO GOVERNO ARGUMENTA E DIZ SER INSUFICIENTE PARA AS DEMANDAS MÍNIMAS ATUAIS

Alterada uma informação sobre o cálculo do valor do impacto total dos reajustes às 11h48min, deste 10/03/2025. O assunto está fugindo do controle e isto está irritando especialmente o “delegado prefeito” Paulo Norberto Koerich, PL, principalmente depois do batismo e do baile que ele levou na Câmara há duas semanas no Projeto de Lei do vereador Dionísio Luiz Bertoldi, PT. Este PL obrigaria a prefeitura e a secretaria de Educação a criarem plantões nas creches (CDIs) nas férias de julho, dezembro e janeiro para atender os filhos das trabalhadoras. 

Por falta de votos, por falta de diálogo e principalmente, diante de um conjunto incrível de barbeiragem da presidência da Casa (Alexsandro Burnier, PL), do relator do PL 01/2025 (Carlos Eduardo Schmidt, PL) e da presidente da Comissão de Legislação, Justiça, Cidadania e Redação (Alyne Karla Serafim Nicoletti, PL, também líder do governo) que podiam esticar este assunto antes de dar resposta política ao PT e ao Dionísio, no estilo vingança do bolsonarismo, este PL dado foi como “inconstitucional”. E é.

Diante do amadorismo vingativo da turma do “delegado-prefeito” e do engenheiro vice, este PL voltou sob intensa polêmica à pauta da cidade e da Câmara, por meio de um requerimento que a turma do governo Paulo e Rodrigo resolveu bater chapa, perdeu e se desgastou. Mas, estão teimando de que neste assunto estão com a razão. E estão. Entretanto, se continuarem teimando assim, vão ficar sem crédito, diante de tantas batalhas que precisam enfrentar. Estão escolhendo a batalha e o momento errado. Impressionante. O antigo governo tinha “çábios” que o cercavam. Este, escolheu bruxos.

Vou encurtar neste assunto que já deveria estar no passado. Já contei em “ELES AINDA PENSAM QUE ESTÃO NUMA DELEGACIA DE POLÍCIA” RECLAMA DIONÍSIO AO SER SUPREENDIDO PELA REJEIÇÃO DO SEU PROJETO. ORA, SE TODOS QUEREM O PLANTÃO DAS CRECHES EM GASPAR, POR QUÊ O GOVERNO DE PAULO E RODRIGO APOSTOU NO DESGASTE E PERDEU POLITICAMENTE UMA PARADA SIMPLES NOS VOTOS? VEJA O JOGO DOS SETE ERROS lá no dia três de março.

Voltando.

VEM AÍ A REFORMA ADMINISTRATIVA

A Reforma Administrativa que estava sendo embalada as sete chaves pelo governo do “delegado prefeito” e do engenheiro Rodrigo Boeing Althoff, PL, começou a ganhar as ruas não pelo lado bom dela, mas provavelmente pelo lado pior: o aumento de custos (em torno de R$150 mil por mês, ou seja em torno R$7,2 milhões nos quatro anos de governo sem contar os reajustes que vão ser praticados, incluindo o que vai para a câmara por estes dias.) contra os cofres do município, sustentado pelos pesados impostos e hoje sem dinheiro pelo lado das receitas do atual Orçamento anual de R$510 milhões. É o próprio governo que usa essa penúria a todos os minutos para se justificar naquilo que tem que ser feito e está sendo adiado, e até eliminado.

E quando esta proposta, a da Reforma Administrativa, chegar na Câmara para ser discutida e até polemizada, ela já estará tão marcada quanto a do projeto do plantão das creches, se não houver uma mudança de hábito no governo. Ele inventou moda; quer estar sempre com a razão e quem o contradiz é petista, esquerdista, ou inimigo a ser batido, de qualquer forma. 

Sobre estas mudanças no organograma administrativo do novo governo, até agora, está sendo feito de tudo segredo, exatamente, o oposto do que juraram publicamente os candidatos quando em campanha: ou seja, ser transparente com a cidade, cidadãos e cidadãs. A falta de transparência – além das dúvidas e falta de resultados – era uma das principais queixas dos eleitores e eleitoras contra o governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, e que fê-lo perder de lavada para Paulo e Rodrigo.

O certo é que governos eleitos possuem um jeito de governar e acham que os modelos que encontram quando assumem, por si, seus “çábios” e agora bruxos devem estar alinhados ao modelo que eles acham melhor gerenciável para produzir os resultados que sonham ou prometeram. Isto, pode ser correto, mas numa crise, como a que supostamente estamos vivendo em Gaspar, o urgente e primordial seria colocar a Casa minimamente em ordem e com peças diferenciais para isso. Isto não foi feito. Está na cara de todos com a exceção na Educação, Assistência Social e Planejamento Territorial. Fica a sensação, de que está se procurando uma desculpa pelo pouco que se conseguiu fazer até aqui.

Vamos ao ponto.

A REFORMA ADMINISTRATIVA NÃO ENXUGA, ALINHA DISCURSOS BOLSONARISTAS E AUMENTA SECRETARIAS

Na “nova” Reforma Administrativa de Paulo e Rodrigo o que está desenhado até agora e guardado as sete chaves, mas vazando do cofre, o número de secretarias vai aumentar.  O PL, ou seja, o Partido Liberal, o bolsonarismo não são os que representam o estado mínimo? Em Gaspar vão inchá-lo e imitar o PT de Lula? Até agora, não se sabe quantas secretarias e cargos vão desaparecer.

A secretaria da Fazenda e Gestão Administrativa, criada na então já cara reforma administrativa de 2017 para acomodar o antigo prefeito de fato, e ex-chefe de campanha e presidente do MDB, Carlos Roberto Pereira, vai se dividir em duas: uma da Fazenda ficaria com a atual titular Ana Karina Schramm Matuchaki Cunha e a da gestão administrativa,  com o atual adjunto, Claudionor da Cruz Souza, que por anos se exilou e trabalhou na prefeitura de Blumenau. Um parêntesis: foi ele, ao surpreender e declinar na última hora, quem facilitou o ex-todo poderoso de Kleber, Jorge Luiz Prucino Pereira, tomar a presidência do PSDB de Gaspar.

A outra secretaria que está desenhada na “nova” Reforma Administrativa é de cunho político-ideológica. É a cara do atual prefeito, da direita e do bolsonarismo radical que precisa de força policial para chamar de sua e resolver as questões dos seus. Estas três vertentes são as que embalam o novo e são uma espécie de fogo amigo constante e até incontrolável.

Então, neste contexto e para não perder a ala mais radical e estar identificada com o “core business” do “delegado prefeito”, está desenhada a criação de uma Secretaria de Segurança Municipal.

Ela vai englobar a Ditran – Diretoria de Trânsito – que tem alguns gatos pingados e que, em alguns dias, sequer conseguem formar dupla para trabalharem na cidade (férias, afastamentos, compensação de banco de horas e burocracia interna); a Defesa Civil e Proteção, a que se tornou um cabide de empregos no toma-lá-dá-cá e um local de dúvidas e confusões na área ambiental; bem como a criação de uma guarda armada, a especialidade dos bolsonaristas, tipo de guarnição, agora liberada pelo Supremo com função policial complementar e não apenas patrimonial e mobilidade. Ela vai fazer as vezes de parte da insuficiente Polícia Militar. No sábado, houve um ensaio de como se quer agir neste sentido. Foto da abertura e acima.

SE FALTA DINHEIRO PORQUE UMA REFORMA DESVIAR DO FOCO E GASTAR MAIS?

Retomando para encerrar

É aí que está o nó desta questão. Num município que diz não ter dinheiro para sequer roçar minimamente os locais públicos que alimentam semanalmente os já desgastados, cansativos e inúteis “teaser” de propaganda populista nas redes sociais; com clara deficiência de abastecimento de água para atender hoje e principalmente, o amanhã; sem esgotos e sem perspectivas de se ganhar solução neste assunto de décadas que precisa de muito dinheiro e parcerias; com a falta de plantões de creches e motivo da polêmica nas duas últimas semanas, na falta de coisa melhor para se fazer na Câmara; com os postinhos de Saúde, policlínica e atendimentos à meia boca e nos postinhos que anunciaram abrir ao meio dia, nem médicos há para esta melhoria marqueteira espalhada como “novidade”; com Pronto Atendimento do Hospital capitulando para as demandas de gente precisada de socorro; com o Hospital de Gaspar, onde o futuro gestor administrativo (Claudionor) da cidade é o novo interventor e há 45 dias da posse de Paulo não consegue dar um ai à Gaspar sobre a verdadeira situação, ou como vai resolvê-la; e onde mais de 500 indicações na Câmara, a maioria da própria base do governo, mostram o desastre em que se encontra na simples manutenção o município, criar uma secretaria de segurança, mesmo que sendo necessária, mostra a completa falta de prioridade do governo para os problemas já instalados e listados nos discursos da campanha.

Há outros “estudos” ou “ideias”, vazados aqui e ali, de dentro da própria prefeitura, cujo prefeito e outros procuram, avidamente pelos “vazadores”, exatamente como nos velhos tempos de Adilson Luiz Schmitt, eleito no MDB, e hoje no PL, ou de Kleber, que prometeram sepultá-los.

O “delegado prefeito” Paulo, seus “assessores” e bruxos ao invés de colocarem a sua energia para colocar os pingos nos ís para a cidade, preferem, de forma hilária correr atrás da surpresa e dar explicações daquilo que se oportunizou esclarecer antecipadamente mas se desdenhou. Foi isto que aconteceu na quinta-feira quando publiquei aqui SINDICATO QUER AUMENTO REAL DE 5% PARA OS SERVIDORES MUNICIPAIS DE GASPAR. NA PREFEITURA UM SILÊNCIO SÓ. PERGUNTADO SOBRE O IMPACTO DISSO, O “DELEGADO PREFEITO” PAULO EMUDECEU. TRANSPARÊNCIA É TÃO OPACA QUANTO A DO GOVERNO ANTERIOR. Uma correria. Fotos. E a promessa de que hoje sai a proposta do governo para os servidores. Não será surpresa, se vierem a público dizer, só depois de provocados e arrogantemente encastelados, dizer que a Reforma Administrativa, não reformará nada.

Nestes “estudos e ideias” estão ajustes na secretaria de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Renda (cujo titular, o empresário Nelson Mário Küstner) está desaparecido de quase todos os encontros decisivos da sua pasta, bem como a de Planejamento Territorial versus a superintendência de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável. Sobre coisas quem mal funcionam como a simples manutenção da cidade na secretaria de Obras e Serviços Urbanos, pouco se falou até agora para dar funcionalidade, controle e rapidez.

Encerrando.

Se o governo do “delegado prefeito” Paulo e do engenheiro Rodrigo estivesse discutindo com a cidade e os vereadores esta matéria, os bruxos do atual governo, talvez, tivessem melhor sorte nestas nelas no que tangem resistências, surpresas, consensos e melhorias das propostas. 

Além da comunicação e transparência de mão dupla com a comunidade, os donos do poder, oposição e interesses particulares, sentiriam a reações e origens contra aquilo que se querem impor, ou mudar pelo segredo, pode ser mais um fator de desgastes e até de novas surpresas na Câmara, onde em tese, certamente, o governo não possui a maioria dos votos para aprová-la.

Estes votos serão da barganha, do diálogo, da compensação, da assinatura no projeto e das trocas. Ninguém, que está na oposição, vai se esforçar para de desgastar tão precocemente, sem a contrapartida decorrente dos desgastes. Resumindo: faltou gerar o termômetro para se medir a febre do paciente e buscar os remédios certos com a dose adequada.

A comunicação do governo de Paulo e Rodrigo, conseguiu até aqui, ser pior da de Kleber. Ela não saiu da delegacia. Tudo é tabu e proibido. Parece que se está instruindo inquéritos para prender criminosos e dessa forma, qualquer coisa seriam pistas para perder o acusado. É assim que essencial parte da cidade está considerando o atual governo, inclusive a que votou para Paulo e Rodrigo estarem no poder de plantão. Muda, Gaspar!

TRAPICHE

Registro I. É de tirar o chapéu, como criatividade e reconhecimento (pela primeira vez e tomara que seja uma sequência de resgates), a homenagem que o município de Gaspar fez no dia oito de março, Dia Internacional da Mulher. Saiu do lugar comum. Recuperou a memória (apesar entre elas, uma ainda vivejoel e tive o prazer de trabalhar com ela) de Gaspar

Registro II A homenagem as reconheceu como pioneiras, corajosas e diferentes ao seu modo e tempo: Amélia Salete Schmitt Wehmuth (química da ex-Ceval), Frida Clara Souza e Silva (a primeira mulher a ser professora), Mimi Höschl (uma das maiores comerciantes e sem herdeiros e foto do jazigo abandonado) e Maria Hendricks (parteira) para dar naturalidade aos gasparenses sem Hospital. O atual prefeito, por exemplo, nasceu em Blumenau, assim como muitos gasparenses da gema. Frei Godofredo terminou com isso, quando o Hospital onde ele estás. Eram terras que foram da família Maria Höschl e que ela as deixou ao município.

Registro III.  Por outro lado, é de se lamentar o fraquíssimo calendário de eventos para marcar os 91 anos de emancipação de Gaspar, dada, sob violentos protestos, por um gasparense que era intendente de Blumenau, Jacob Alexandre Schmitt (foto ao lado e sempre esquecido deste tipo de evento). Até a afamada Copa Chicletinho de Kart feita ali no trevo da Parolli, foi cancelada.

Registro IV. Alegou-se à falta de dinheiro. Espera-se que o governador Jorginho Melo, PL, padrinho do “delegado prefeito”, Paulo Norberto Koerich, no PL e na campanha vencedora, vendo a sua imagem à reeleição se desmanchar para continuar no Centro Administrativo, finalmente, venha a Gaspar, anunciar algum investimento que possa fazer diferença a ele e a atual administração.

Dando lições e soluções I. O prefeito de Ilhota, Joel Soares, MDB, vendo que a empresa Águas de Ilhota, estava descapitalizada e havia sérios riscos na atração de investidores, novos empreendimentos e loteamentos, principalmente para Margem Esquerda, região dos Baús, na BR 470, fez o encontro de um investidor a Águas de Ilhota: a Gelafite, conhecida loteadora do litoral.

Dando lições e soluções II. Já em Gaspar, está se discutindo como a água daqui vai chegar no Pocinho – abastecida por Ilhota e como levar Augustinho Soares para a presidência do Samae. E na implantação do projeto de esgotos de Gaspar, por outro lado, na mesma toada, vai ser perdendo a mão, a oportunidade e se arriscando na mesmice. Até um dia se chegar ao colapso. O Samae em Gaspar é um caixa dois da falida prefeitura. Socorre com serviços que deveriam ser da secretaria de Obras e Serviços Urbanos.

Dando lições e soluções III. Sem guarda armada municipal, mas com uma bem estruturada guarda de trânsito, com auxílio da PM, o ex-subordinado do delegado prefeito Paulo Norberto Koerich, PL, o prefeito de Blumenau, Egídio Maciel Ferrari, PL (que já foi delegado aqui), foi às ruas de lá contra a farra das motos com escapamentos alterados barulhentos. Uma praga.

Dando lições e soluções IV. Recolheu que pode de motos irregulares nas blitzes, deu recados com ampla cobertura da impressa e redes sociais. E elas só saíram do pátio quando regularizada na documentação, impostos, multas, segurança e da troca dos escapamentos por semelhantes aos originais. Depois, no espetáculo, esmagou-se os escapamentos alterados com um rolo compressor. Egídio Maciel Ferrari, PL, também saiu na frente no caso dos moradores de ruas, que em alguns casos, nem eram tão moradores assim. Egídio não era um policial burocrata, mas de rua. Tanto que desistiu de ser delegado Regional no auge da fama como policial.

A novela da Câmara de Gaspar I. A líder do governo, Alyne Karla Serafim Nicoletti, PL, lavou a minha alma. Na questão do embate sobre os plantões da creche, o que ficou evidente é que a oposição mostrou para o governo que o governo, em tese, tem apenas cinco votos. Mesmo assim, a líder do governo não virou a página e insistiu. Com isso alimentou, mais uma vez, o discurso de Dionísio Luiz Bertoldi, PT, que esta semana, trouxe a deputada Ana Paula Lima, PT, ao gabinete do “delegado prefeito” Paulo Norberto Koerich, PL, para lhe repassar recursos do governo Federal. Vai para construção de mais um posto de Saúde.

A novela da Câmara de Gaspar II. O recado nem era bem para o Dionísio Bertoldi, PT, mas para o fogo amigo. O vereador Ciro André Quintino, MDB, estava ausente porque agora se inventou nova moda na Câmara de Gaspar: a de ser representada na posse do secretário da Agricultura, Carlos Chiodini, MDB. Ciro é cabo eleitoral de Chiodini, ou seja, juntou a fome com a vontade de comer. E o mais longevo dos vereadores, José Hilário Melato, PP, pressentindo cheiro de enxofre no ar, pediu para sair segundo antes de Alyne Karla Serafim Nicoletti, PL, desfilar o seu sincericídio.

A novela da Câmara de Gaspar III. Sobre o recado da oposição ao governo do “delegado prefeito” Paulo Norberto Koerich, PL, do bloco ter sete votos e usá-lo essa maioria dos votos em votações simples como barganha, Alyne Karla Serafim Nicoletti, PL, não mediu as palavras. Foi clara: “alguns querem é os seus cargos no governo [antigo] para a volta de seus cabos eleitorais. O povo que elegeu Paulo não quer este tipo de troca, o jeitinho, o toma lá dá cá“.

A novela da Câmara IV. Alyne está certa. Neste caso ela precisa também, antes, fazer contas: as do interesse de Paulo, Gaspar e da governabilidade. No outro caso, antes que seja surpreendida, há uma lista de trocas, jeitinhos e toma lá dá cá, que a oposição já listou. Está guardada para a hora certa. Eu sei. A cidade também sabe.

A novela da Câmara V. Grave. Lá pelas tantas, a líder de governo, Alyne Karla Serafim Nicoletti, PL, afirmou sem meias palavras, que já tem gente do governo que foi ou tentou falar com o gabinete para negociar a permanência dos seus antigos cabos eleitorais e protegidos no governo de Paulo Norberto Koerich e Rodrigo Boeing Althoff, ambos do PL. Para o bem e o mal, ela precisa dar os nomes e ir para o enfrentamento para que a cidade saiba quem verdadeiramente está usufruindo do poder público. Por enquanto, é um jogo de gato e rato.

A novela da Câmara de Gaspar VI. Dionísio Luiz Bertoldi, PT, disse que a vitória do requerimento dele para o PL 01/2025 voltar a tramitar na Câmara, deu ao PL status de constitucionalidade. Errado. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. E o projeto de l ei25/2023 do ex-vereador Amauri Bornhausen, PDT, e citado por Dionísio como inconstitucional, mas aprovado pela Câmara, em todos os estágios que passou, recebeu o aval de constitucional. As narrativas aqui não pegam. 

A primeira baixa do governo do “delegado prefeito” Paulo Norberto Koerich, PL: Sandra Maria Buchmann, União Brasil. Ela foi candidata a vereadora e teve 260 votos. Foi nomeada “assessora de assuntos para a melhor idade (idosos), da secretaria de Assistência Social. Polidamente, está argumentado que precisa cuidar da família e dos novos negócios dos filhos.

O prefeito de Blumenau, o delegado Egídio Maciel Ferrari, PL, testou sua força na Câmara em algo que custava caro e tomava conta da mídia contra ele: a mudança no Instituto de Previdência dos Funcionários Públicos. Venceu por dez a quatro. Aqui, o governo do “delegado prefeito” Paulo Norberto Koerich, PL, num simples requerimento, foi ao mesmo teste e perdeu por sete a cinco. Lá, houve articulação. Aqui, embate. Lá o chefe de gabinete é advogado Dênio Scotinni. Aqui, Pedro Inácio Bornhausen.

Reféns dos índios e dos políticos que os protegem. Mais uma vez quase dois milhões de pessoas ficaram expostas no médio e baixo do Vale do Itajaí ao vandalismo dos que não querem diálogo e soluções para o pleno controle e funcionamento da Barragem Norte, em José Boiteaux, as quais, deixam em até dois metros a menos o nível do Rio em Blumenau. Até agora, a depredação, exatamente no dia em que o governo do estado faria uma vistoria para dimensionar a necessidade de materiais para colocá-la em funcionamento, não tem origem e parece que vai ficar, mais uma vez, sem responsabilização. E se ficar, será o sinal para se repetir o que vem se repetindo.

Credo. Em Gaspar, olhando o Diário Oficial dos Municípios, fica-se sabendo que o governo de Paulo Norberto Koerich, PL, cortou o barato de um servidor apadrinhado do governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB. Ele recebia função gratificada de coordenador de CCFV Maria Hendricks, ligado a secretaria de Assistência Social. Este ambiente quase destruído pelo abandono não serve aos seus objetivos para a comunidade há anos. Mas, para dar mais salários a servidores…

Título do editorial de domingo do jornal Folha de S. Paulo: “Lula de refugia entre aduladores e reforça erros do governo”. Qualquer semelhança com Gaspar não é mera coincidência. O poder acentua o isolamento, a prepotência e a arrogância em bolhas. Tudo para esconder ou justificar a ineficiência. Num segundo instante, vem a perseguição. Aí já é estágio de desespero, ou se gente sabida, que amarra o poderoso na sua própria armadilha.

Coisas que não mudam. As obras de drenagem do Gasparinho atrasaram por quase três semanas. Discutia-se na nova velha burocracia da prefeitura de Gaspar se a prefeitura faria um serviço complementar, ou se aditivava o tal contrato para a empreiteira fazê-lo. Ao fim ela foi autorizada. O aditivo, pasmem, numa obra de milhões, era de pouco mais de R$1 mil.

O empresário, ex-candidato a prefeito e derrotado nas eleições de outubro do ano passado, Oberdan Barni, ainda no Republicanos, postou uma forte crítica ao governo e principalmente à Câmara, por não buscar os defeitos que ele e principalmente os vencedores argumentavam na campanha contra o governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, e Marcelo de Souza Brick, PP. Dias depois, a crítica desapareceu.

Uma conta negativa. Com toda pompa, políticos, informado pelo comando regional da PM, alardearam que Gaspar vai receber oito novos policiais militares. O que não se falou? Que dos que estão aqui, 15 pediram deslocamento para outras cidades ou outro tipo de policiamento, como Rodoviária, Ambiental etc.

Sabe aquela Ação que a União Catarinense dos Estudantes patrocinou em 2020 que aumentaram os preços das mensalidades dos cursos das faculdades particulares, especialmente as do sistema Acafe por conta do suposto aumento dos custos de digitalização para a continuidade das aulas à distância devido à Covid? Pois é. Com quase todos os beneficiários formados a Ação “andou” na semana passada. A primeira Vara da Fazenda Pública de Florianópolis, mandou as entidades universitárias apresentarem em 15 dias as planilhas de custos.

Esta ação de Descumprimento do Prefeito Fundamental tem como patrono os advogados João Pedro Sansão, de Gaspar, e Flávio Busatto Paganini. A UCE que eles representam é “amicus curiae”, amigo da corte. No STF este tipo de assunto já possui decisão formada sobre o reequilíbrio dos contratos, contra o abuso, ou onerosidade excessiva aos estudantes. Mais, alguns anos, os formados, poderão ter algum crédito a receber.

Esta audiência pública marcada para quarta-feira para se discutir se os pais das crianças estão obrigadas a tomarem vacinas para continuarem matriculadas, sendo seus pais responsabilizados pela insistente negativa por motivos puramente ideológicos, é um acontecimento político do bolsonarismo raiz. No centro está o vereador Carlos Eduardo Schmidt, PL, do Distrito do Belchior. Ele é um dos afetados e incomodados.

Carlos Eduardo Schmidt, PL, foi o relator da inconstitucionalidade do Projeto de Lei 01/2025 de Dionísio Luiz Bertoldi, PT, para instituir o plantão das creches em Gaspar, ouvido o parecer técnico do corpo técnico da Câmara. Pois bem. Neste caso, a mesma moeda tem o outro lado: a da desobediência à lei expressa e confirmada pelo Supremo, bem como o confronto com o Conselho Tutelar e a Promotoria Pública de Gaspar e que cuida deste assunto. É uma cortina de fumaça atrás da outra para se desviar dos problemas reais da cidade e que a equipe de governo, onde está o vereador, não está dando conta.

Tem muita coisa para hoje. Mas, para encerrar um pouco de humor e nada como um dia após o outro, ou, o tempo é o senhor da razão. O campeão de votos, vereador Alexsandro Burnier, PL, esó por isso, presidente da Câmara, enfraquecendo a posição governamental no Legislativo, elegeu-se com vídeos como os debaixo e agora resgatado para confrontação. O que mesmo este vídeo difere da propaganda que se eleito, o governo dele e ele fariam diferente?

O governo do “delegado prefeito” Paulo Norberto Koerich e engenheiro Rodrigo Boeing Althoff, ambos do PL, bem como os homens das bancadas do PL e União Brasil, além dos bolsonaristas, saíram nos primeiros dias de governo com roçadeiras, e em mutirão debelando o matagal cidade deixado pelo ex-prefeito. O capim venceu o novo governo. Está na cara de todos. Como emergência e marketing, aceitável. No caminho turístico da Vila d’Itália, saíram os empreendedores fazendo o mesmo sem pedir reconhecimento político. Até agora, 70 dias depois do governo instalado, nada de licitação para uma empresa roçar. Falta planejamento, ação e resultado de longo prazo. O mato voltou, as chacotas e o descrédito também. Quem não tem plano B, não tem, de verdade, planto A. E vive de espasmos nas redes sociais. Muda, Gaspar!

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9 comentários em “VEM AÍ A NOVA BATALHA DO DELEGADO PAULO NA CÂMARA. A REFORMA ADMINISTRATIVA VAI CRIAR SECRETARIAS, PRIORIZAR SEGURANÇA E CUSTAR MAIS NUM ORÇAMENTO QUE ELE PRÓPRIO GOVERNO ARGUMENTA E DIZ SER INSUFICIENTE PARA AS DEMANDAS MÍNIMAS ATUAIS”

  1. Pingback: É PRECISO REZAR MUITOS "PAI NOSSO". SURPREENDIDO E ANTES DE SER TRAGADO PELA CIRCUNSTÂNCIAS, O "DELEGADO PREFEITO" PAULO RESOLVEU SAIR DO GABINETE E GOVERNAR. MAS, SE QUISER SAIR DA LETARGIA E DESCULPAS, VAI TER QUE MEXER NA EQUIPE.

  2. INFLAÇÃO DE ALIMENTOS NÃO SAI DO RADAR, por Zeina Latif, no jornal O Globo

    A baixa produtividade não se resolve simplesmente ampliando o crédito ao setor, que já vem beneficiando mais a agricultura familiar “Nesta terra, em se plantando, tudo dá” é uma frase atribuída a Pero Vaz de Caminha, em carta ao rei Dom Manuel de Portugal, em 1500. Sendo ou não folclore, o fato é que ela ecoa na mente de muitos.

    Não é bem assim. O café e a cana-de-açúcar se adaptaram na Terra Brasilis. Porém, com menos investimentos, o Brasil passou a sofrer com a concorrência da cana-de-açúcar das Antilhas, no século 17. Já o ciclo do café começou a declinar no final do século 19, em parte por conta da exaustão do solo no Vale do Paraíba.

    O cultivo de soja, por sua vez, foi fruto de muito trabalho. Em 1960, sua produção era modesta e concentrava-se no Rio Grande do Sul. A Embrapa teve papel decisivo para o cultivo da soja no cerrado. Isso em várias frentes, com a oferta de cultivares adaptados à região e novas técnicas de manejo e produção, bem como o desenvolvimento de sistemas de preparo de solo.

    Nada caiu do céu. E não continua caindo. Os ganhos de produtividade muito superiores aos dos principais concorrentes decorrem de muito investimento e inovação.

    O Brasil tornou-se o terceiro maior produtor de alimentos e o maior exportador líquido de alimentos do mundo. O País lidera as exportações mundiais de soja, açúcar, suco de laranja, café, carne bovina e frango, entre outros produtos.

    A posição do País não tem se traduzido, porém, em alimento barato para os lares brasileiros. Os preços de alimentos acumulam elevação de 485% desde janeiro de 2000, ante 329% dos demais itens da cesta do consumidor. Alguns itens essenciais têm altas ainda maiores: arroz (535%), feijão (500%), batata (780%), tomate (840%), cebola (864%), alface (988%), banana-prata (779%), laranja-pera (1.600%), café moído (613%), ovo de galinha (683%) e carnes mais consumidas (755%).

    Se de um lado a grande propriedade rural exportadora exibe elevados ganhos de produtividade, o retrato é muito diferente para boa parte da agricultura familiar – representa 77% do total de propriedades rurais e ocupa 23% do total da área dedicada a atividades agropecuárias, segundo o Censo Agropecuário de 2017.

    E apesar de responder por apenas 23% da produção agropecuária, seu peso é grande na oferta interna de muitos produtos, como leite, hortifrutis e café.

    A baixa escala de produção, que dificulta a adoção de insumos e técnicas mais modernas, é fator de atenção, em muitos casos. Mas não é só isso.

    O problema da baixa produtividade começa no mais básico: no reduzido uso de técnicas consolidadas de produção, com manejo inadequado em todo o ciclo produtivo, desde a preparação do solo. Alguns especialistas apontam que esta primeira etapa, de ajuste de acidez do solo, é ignorada por boa parcela dos produtores.

    O mesmo Censo apontou que apenas 31,3% dos estabelecimentos agropecuários com lavouras temporárias utilizam a prática de rotação de cultura; 23,1%, a prática de descanso de solos; e 42,3% realizam adubação. Os indicadores da agricultura familiar são ainda menores. Se no uso de técnicas tradicionais consolidadas há tanto atraso, o que dizer de utilização de melhoramentos genéticos já consolidados há décadas?

    O mesmo Censo apontou que 15% dos proprietários rurais são analfabetos e 37%, sabem ler e escrever, mas não têm instrução. A falta de capital humano é também grande empecilho para o aumento da produtividade.

    Quanto ao acesso à Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater), apenas 20,2% a recebe, sendo apenas 7,6% provenientes do governo (nas 3 esferas). Considerando as propriedades com até 10 hectares, apenas 12,6% recebem esse serviço.

    Baixa produtividade implica oferta insuficiente de alimentos e preços elevados. A contrapartida é a elevada demanda reprimida para alimentos – sem contar a baixa qualidade dos alimentos consumidos. Isso ficou claro na pandemia, quando houve forte aumento do consumo de alimentos, em meio às políticas de transferência de renda e o menor gasto com outros bens e serviços pelas camadas populares.

    A baixa produtividade não se resolve simplesmente ampliando o crédito ao setor, que já vem beneficiando mais a agricultura familiar. Cabe priorizar políticas públicas para treinamento, orientação e formação de capital humano, inclusive para permitir um melhor uso dos recursos públicos.

  3. SERÁ ERRO USAR O FUNDO DO PRÉ-SAL PARA BAIXAR CONTA DE LUZ, editorial do jornal O Globo

    É insensatez a proposta do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, de usar recursos do Fundo Social do Pré-Sal para cobrir parte dos subsídios embutidos na tarifa de energia e reduzir a conta de luz. Caso a ideia seja aprovada, agravará as distorções no setor elétrico, onde lobbies em busca de regalias costumam obter alta taxa de sucesso. Se estiver mesmo interessado em reduzir a conta de luz, como declarou em entrevista ao GLOBO, Silveira precisa combater subsídios sem sentido. São eles a causa do problema.

    Quando o incentivo a usinas eólicas e solares foi concebido, era incerto se elas seriam competitivas. Para estimular a entrada de capital privado, era preciso uma contrapartida do governo aos riscos assumidos pelos investidores. Por isso foram criados subsídios. Hoje as dúvidas desapareceram. As fontes renováveis são lucrativas, sinal de que a política pública cumpriu seu papel. O que aconteceu com os subsídios? Permanecem. Eólicas e solares são beneficiadas com mais de R$ 9 bilhões por ano. O corte de R$ 6 bilhões nesse incentivo que perdeu razão de ser resultaria em redução da conta de luz da ordem de 3%, segundo cálculos de Edvaldo Santana, ex-diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

    A previsão para este ano é que o governo gaste R$ 13 bilhões para financiar combustíveis fósseis usados para gerar eletricidade na Amazônia. Faz sentido não penalizar os consumidores excluídos do Sistema Interligado Nacional, subsidiando a queima de gás e óleo. O inexplicável é Manaus gastar 75% dos recursos. Desde 2012, um linhão une a capital do Amazonas à rede nacional, permitindo intercâmbio de eletricidade. É certo que a conexão não tem capacidade de transmitir toda a energia necessária, mas o atual nível de produção das termoelétricas (e dos subsídios) está muito além do razoável. Boa parte dos incentivos destinados a Manaus serve apenas para enriquecer fornecedores de combustíveis fósseis e seus defensores. Além de diminuir as emissões de CO2, cortes reduziriam o custo da eletricidade de todos.

    A Amazônia e os produtores de energia solar e eólica respondem por mais da metade da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), que reúne todos os subsídios do setor. São esses os pontos prioritários para qualquer tentativa séria e duradoura de reduzir a despesa com energia. Além de consertar esses erros do passado, é urgente evitar novos equívocos. Deveria ser mais vocal a atuação de Silveira para evitar a derrubada aos vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à lei que regulamenta a energia eólica em alto- mar. Com razão, Lula barrou artigos alheios à proposta original, ou “jabutis”, com absurdos como prorrogação de geração de energia a carvão e contratação compulsória de térmicas a gás. No total, a derrubada dos vetos resultaria em aumento de 9% nas tarifas.

    Em 2024, o custo da energia elétrica residencial caiu 0,37%. A razão foi conjuntural, resultado da devolução aos consumidores de tributos cobrados a mais em anos anteriores. A previsão para 2025 é de alta. Como as chuvas estão abaixo da média desde fevereiro, o nível dos reservatórios das hidrelétricas merece atenção. Chuvas fora do comum nas estações secas podem mudar o quadro, mas o mais provável é a eletricidade encarecer com bandeiras amarela e vermelha. Tal perspectiva não pode servir de desculpa para o governo privilegiar saídas populistas. É preciso combater as causas do problema.

  4. BULLYNG DE TRUMP NÃO FICARÁ SEM TROCO, por Helio Schwartsman, no jornal Folha de S. Paulo

    Especialistas são mais ou menos unânimes em afirmar que, quando uma situação de bullying fica séria, os adultos precisam intervir. O bullying diplomático que Donald Trump faz contra vários países já ficou sério, mas não há adultos que possam ser chamados.

    Quem desempenhava esse papel em escala global eram os EUA. Nunca foram um adulto muito exemplar, no sentido de atuar sempre com imparcialidade, mas serviam para evitar que as relações internacionais se tornassem um bullying de todos contra todos.

    Sem o adulto, as coisas ficam mais complicadas. A molecada vai ter de se virar sozinha. Os mais pessimistas tenderão a prognosticar um cenário do tipo “O Senhor das Moscas”, em que adolescentes deixados numa situação difícil e sem supervisão vão abandonando todos os vestígios de civilização.

    “O Senhor das Moscas”, porém, é um livro de ficção —e não muito realista. Uma característica notável do ser humano é que aceitamos incorrer em perdas pessoais para punir aqueles que julgamos não seguirem regras que deveriam valer para todos. Isso fica muito claro em experimentos psicológicos como o jogo de Ultimato, que os economistas comportamentais tanto apreciam.

    Dando concretude aos insights dessa disciplina, a província canadense de Ontário acaba de anunciar uma sobretaxa de 25% à energia elétrica que vende para os estados americanos de Nova York, Michigan e Minnesota, o que deve resultar num aumento médio de US$ 100 mensais nas contas de luz de famílias e empresas dessas regiões. Ontário se dispõe a sofrer perdas (vender menos) para castigar quem lhe faz bullying. Se outras vítimas de Trump adotarem atitude semelhante, eleitores americanos sofrerão no bolso e possivelmente responderão nas urnas, votando contra candidatos republicanos.

    Não é uma solução ótima. Em guerras tarifárias, todos perdem. Mas pior é deixar que o valentão triunfe. Modelos matemáticos sugerem que é justamente essa “punição vingativa” que viabiliza a cooperação e torna as sociedades estáveis.

  5. ESTADOS USAM BENESSES PARA AMPLIAR GASTOS COM SERVIDORES, editorial do jornal Folha de S. Paulo

    Com a atenção da sociedade voltada para o descontrole das contas públicas federais, cujo rombo ameaça a estabilidade econômica, também os entes regionais vêm elevando dispêndios de modo acelerado, o que pode resultar em mais uma crise fiscal no futuro.

    Com receitas em alta desde a pandemia, seja pelo bom desempenho da coleta de impostos ou por mais transferências da União, observa-se avanço preocupante dos gastos com pessoal nos estados. Houve alta em 25 deles de 2022 para 2023, com taxa mediana de 7% acima da inflação, segundo boletim recém-divulgado pelo Tesouro Nacional.

    Enquanto isso, como no Executivo federal, os investimentos perdem espaço. Nos estados, eles constituem apenas 8,1% da despesa primária total, enquanto a folha de pagamentos responde por 47,7% —com casos de percentuais bem acima dos aceitáveis.

    O documento mostra que 12 estados ultrapassaram o limite de alerta da Lei de Responsabilidade Fiscal para a remuneração de pessoal, que é de 54% da receita corrente líquida (RCL); em 2022, eram 8 nessa situação.

    Desses, Rio Grande do Norte (67%), Sergipe (65,2%), Minas Gerais (64,2%) e Acre (60,2%) romperam o limite da LRF (60% da RCL), enquanto outros 5 da lista, entre eles Rio de Janeiro (59,6%) e Rio Grande do Sul (57,2%), ficaram acima do limite do Programa de Ajuste Fiscal (57%).

    O Tesouro estima que o respeito aos limites nessas unidades da Federação teria gerado uma economia de R$ 23,7 bilhões. O valor consumido por folhas de pagamento insustentáveis poderia ser alocado em programas sociais e obras de infraestrutura.

    Na soma geral, o relatório aponta que as despesas primárias totais dos estados alcançaram R$ 1,272 trilhão em 2023, ante R$ 1,198 trilhão em 2022. O aumento nominal, de 6,2%, só não foi maior porque os investimentos encolheram 16,6% —ante alta de 10% no gasto com pessoal.

    Os governos conseguem manter esse ritmo de crescimento devido a mudanças institucionais que os favorecem.

    Mais transferências federais, inclusive na forma de emendas parlamentares, renegociação de dívidas com benefício de até R$ 1,3 trilhão até 2048 e novos fundos regionais criados pela reforma tributária são algumas das benesses que enfraqueceram a União nos últimos anos.

    Na prática, os governadores parecem não ter grandes restrições para gastar. Assim, o país corre grave risco de perder o controle das contas estaduais conquistado na segunda metade dos anos 1990, que foi essencial para a estabilização da economia e a diminuição da inflação.

    Com as finanças públicas em geral já cambaleantes, o pior que pode acontecer é se consolidar uma desorganização orçamentária ampla no nível federativo.

    Infelizmente, como ocorre em tantas outras frentes da administração pública, falta diagnóstico e liderança do Executivo federal.

  6. Uma leitura interessante. E vale até um paralelo com Santa Catarina, e precocemente, com Gaspar.

    LULA COMO FIADOR DA SOMA E DA SUBTRAÇÃO DE GLEISI, por Maria Cristina Fernandes, no jornal Valor Econômico

    A nova ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, tomou posse com um discurso moldado para desfazer a ideia que dela se tem ao ressaltar o respeito aos aliados (“ninguém faz nada sozinho”), o cumprimento de acordos e a abertura a críticas. “Chego para somar”, resumiu, ao destacar a “grandeza da mediação” a serviço tanto do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, quanto da Casa Civil, Rui Costa.

    Esta ministra que se propõe a algodão entre cristais no governo foi, até a última noite como presidente do PT, o esteio da combustão. Foi em sua casa que integrantes da CNB, corrente majoritária do PT, se reuniram na quinta-feira, véspera da posse do senador Humberto Costa (PE) como presidente interino do PT até julho quando haverá a eleição para a presidência do partido.

    A reunião, noticiada pelo jornalista Lauro Jardim, foi uma declaração de guerra ao ex-prefeito de Araraquara, Edinho Silva. Reuniu o prefeito de Maricá, Washington Quaquá, a tesoureira do partido, Gleide Andrade, os deputados federais Jilmar Tato (SP), José Guimarães (SP) e Odair Cunha (MG), os senadores Beto Faro (PA), além de Humberto Costa e do presidente da Fundação Perseu Abramo, Paulo Okamotto.

    Uma campanha interna é apinhada de encontros como este, não fosse pela presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Levado por Okamotto, Lula acabou testemunhando a ofensiva de uma facção em guerra para não perder o poder.

    Também foi Okamotto, companheiro de Lula no sindicalismo, quem convenceu o presidente a apoiar a resolução do diretório que permite a recondução ilimitada de mandatos, sob o polêmico argumento de que os diretórios municipais, na ausência de novos quadros, ficariam acéfalos. É esta resolução que permitirá a recondução da tesoureira, braço-direito de Gleisi no PT.

    A presença de Lula na reunião, seu apoio a uma resolução antirrenovação e a ausência de uma manifestação de apoio a Edinho, liberaram os opositores daquele que, até aqui, parecia ter sido ungido pelo presidente para construir o partido do pós-Lula. Não parece fácil, de fato, abrir mão de um fundo eleitoral de R$ 620 milhões como aquele do qual o partido dispôs em 2024.

    O contorno dramático adquirido pela disputa interna do PT sugere que não caiu a ficha no partido do desgaste a que está submetido o presidente. “Não se enganem, não chegamos até aqui com a aliança que construímos para dar errado”, disse Gleisi, no discurso. Será que não?

    O partido fundado por Lula o personifica como nenhum outro partido o fez com qualquer outra liderança da história. Não é, porém, capaz de se mostrar um instrumento da virada. Aí fica difícil convencer os aliados. Qual PT vai liderar a reeleição, aquele da convergência, agora pregada por Gleisi Hoffmann, ou aquele cujo diretório nacional, sob seu comando, bombardeou o arcabouço fiscal e avalizou o documento crítico ao “austericídio fiscal” do governo?

    Gleisi citou duas vezes Haddad em seu discurso. Na condição de ministra, posição que almeja desde a posse, não deve haver dúvida de que trabalhará por seus projetos no Congresso se este for o desejo do presidente. A dúvida é se ainda é possível salvar a política econômica.

    Se a ministra vai participar do arranjo de forças para a reeleição também terá que enfrentar a batalha da PEC da segurança pública sem a qual o presidente não terá como disputar o voto de um eleitor cada vez mais avesso ao seu nome e a seu governo.

    É bem verdade que muitos dos buracos nos quais este governo se afundou, como a “taxa das blusinhas” e o Pix não foram cavados pelo PT, mas não se conhecem as contribuições do partido ao tema. A ideia mais mobilizadora surgida na esquerda, a do fim da jornada 6×1, nasceu do Psol.

    E, apesar de toda mãe de periferia desejar que o filho saia do ensino médio com uma profissão, o debate do ensino profissionalizante também é interditado no partido. A seguir os centros Paula Souza, iniciativa paulista de ensino técnico, os institutos federais rumam para virar universidades menos inclusivas do que o Brasil precisa. Sem uma profissão, os jovens do “Pé-de-Meia” vão comprar uma moto e virar entregadores.

    O apego a velhas teses se firma na convicção dos petistas de que Lula é imbatível, mas a reeleição é um plebiscito sobre o governo. Este que aí está amarga uma rejeição sem teto, refletida na plateia da posse desta segunda. Teve a presença maciça de ministros e escassa de lideranças e presidentes de partidos aliados.

    Interlocutores do presidente se dizem impressionados, para não dizer estarrecidos, pelo otimismo com o qual Lula encara a conjuntura. Parece confiar que a oposição não será capaz de se unir em torno de um nome que possa contê-lo, mas não é isso que se observa. Se o ex-presidente Jair Bolsonaro não apoiar o governador de São Paulo, Tarcisio de Freitas, por um indulto, o Centrão, mais do que torcer, vai trabalhar por sua prisão.

    Resta ao governo segurar o que lhe resta de MDB, Republicanos e PSD. O ex-presidente José Sarney, que estava na primeira fileira da posse de Gleisi, defendeu, em entrevista a Ivan Martinez-Vargas (“O Globo”), tanto que o político deve se retirar antes da velhice quanto o apoio do MDB a Lula.

    A ver, agora, se o líder do MDB, deputado Isnaldo Bulhões (AL), preterido para a Pasta assumida por Gleisi, assumirá a liderança do governo ou se o cargo continuará nas mãos de José Guimarães como prêmio de consolação por não herdar o PT. Se partido e governo se estreitam, ainda não se sabe como vão ampliar o eleitorado.

  7. POLARIZAÇÃO E RADICALIZAÇÃO, por Michel Temer, no jornal O Estado de S. Paulo

    Reservo a palavra polarização para o embate de ideias, de programas. Ela é fundamental na democracia. Esta exige visões diferentes de país, de mundo, de governo. Não há, nem houve nunca, uma ideia única no meio social. A não ser aquelas postas pela ditadura, ou seja, aquele sistema que desautoriza controvérsias. E até as pune.

    No Brasil, não há mais discussão de ideias quando se trata daqueles que querem chegar ao poder federal para dirigi-lo. Há, sim, radicalização, que é atividade distante do campo programático. É a disseminação do mal querer, do ódio entre pessoas e até entre instituições. É a agressão verbal, até física, entre brasileiros e até contra instituições. Vide o 8 de janeiro de 2023. Veja-se a agressão a prédios públicos quando se discutiam as indispensáveis reformas trabalhista e previdenciária em 2017. Nada de formulação de conceitos ou posições. Apenas agressividade. E tudo nasce da pregação do “nós” contra “eles”. Percebia-se que, durante muito tempo, o “nós” tinha organização e militância.

    Ao longo do tempo, o “eles” também se organizou e passou a ter militantes.

    Induvidosamente, as redes sociais tiveram papel preponderante no acionamento dessa divisão. Se em tempos passados eram poucos os que tinham acesso à informação e condições de manifestar-se, as redes sociais constituíramse em campo aberto para ambas aquelas atitudes. Todos se informaram e todos militaram. Mas a falta da propagação de ideias, de conceitos e sistemas forneceu caminho errado para os manifestantes. Nada de polarização e muito de radicalização. Isso porque os que se manifestam não recebem dos governantes um programa para defendê-lo. Apenas gestos e falas virulentos sem nenhum conceito embutido neles. “Ora, se os líderes assim se comportam, por que não poderei eu fazê-lo?”, é, seguramente, o que muitos se indagam.

    Costumo registrar que o homem público, especialmente, o dirigente da Nação, serve de exemplo, de baliza para os seus jurisdicionados. Se este prega o embate pessoal, não o ideológico, todos se acham no direito de repeti-lo

    Não milito mais na vida pública, mas ouço muito em face de natural procura. E o que os meus ouvidos ouvem é que o povo está cansado dessa radicalização. Quer a polarização de ideias. Quer saber o que o candidato pensa sobre o País e o mundo. Quer projeto de poder. Quer programa. Quer poder dizer, por meio do voto, se concorda ou não com o projeto político oferecido. No fundo, quer respeito pela cidadania. Daí porque, em artigo anterior, Esquerda, direita, centro… ( Estadão, 23/11/2024), propus que as tendências rotuladas como direita, centro e esquerda apresentassem, por meio do seu candidato, projeto para o País. Não seria nome contra nome (como é hoje), mas programa contra programa.

    Registro que, no passado, vários momentos foram reveladores de projetos concretos. Relembro o plano de metas de Juscelino Kubitschek, o plano de reformas de Fernando Henrique Cardoso, a redemocratização pregada por Tancredo Neves e executada por José Sarney e a Ponte para o Futuro, no nosso governo. Eram mensagens programáticas que mobilizavam o País.

    Até mesmo no tópico das estruturas partidárias, tudo era diferente. O episódio autoritário e antidemocrático de abril de 1964 ensejou a criação de dois partidos que tinham posição e proposta: a Arena e o MDB. O primeiro, a favor do Estado que se instalou no País; o segundo, contra o status quo. Eram posições bem definidas, o que permitia ao eleitor a escolha por uma das propostas. Eram partidos políticos no sentido que se lhes deve dar: partido, vem de parte; político vem de polis. Portanto, os partidos eram parcelas da opinião pública que optavam por uma ou outra concepção para dirigir a polis, ou seja, União, Estado ou município.

    Em muitos países, há fenômenos programáticos. Tome-se os Estados Unidos da América. Embora permitidos os partidos, são dois, sempre, os disputantes das eleições: o republicano e o democrata. Tudo porque são agremiações com posturas político governamentais consolidadas e bem definidas. Se apanharmos o Reino Unido, lá são os conservadores e os trabalhistas. São duas forças ancoradas em conceitos e teses. Também na França, os chamados partidos de esquerda disputam eleições, com aliança ou não, com aquele rotulados de direita. São teses bem definidas. Na Alemanha, embora em sistema multipartidário, o fato é que eles todos têm definição programática: dos liberais aos verdes passando pela esquerda, pelo socialismo cristão e pelo ecológico, ou ainda dos direitos dos animais e pelo direito da família.

    São breves exemplos de países que se aprimoraram nas disputas políticas.

    Nesse caminho, o MDB e a Fundação Ulisses Guimarães começam a dar um exemplo na medida que lançam uma espécie de Ponte para o Futuro a partir do seu movimento O

    Brasil que o Brasil Precisa.

    Como homenagem à seriedade política e ao eleitorado, u n a mo- n o s todos a essa ideia. Ela ajudará a pacificar o País.

    1. Quem deve se unir, em primeiro lugar, é quem criou essa escuridão ideológica e criminosa chamada de políticos..somos os ditos filhos da pátria..somos em 200 milhões e eles, que dizem nos representar e entram em bolhas individuais e surfam na riqueza sem dó nem piedade de ninguém, são a minoria e com poder para tal. Estamos à deriva. Nós que somos as vítimas. Ah, mas quem escolhe é o povo. Não extamente. O povo está desesperado e à espera de um milagre e isso foram eles que criaram. Quem mente mais leva o prêmio. Temos famintos, miseráveis aos montes, falta de entrutura mínima, falta de cultura e educação. O povo está doente, preocupado, ansioso, depressivo. O crime está tomando conta de tudo e nada acontece. E pior, não há nenhuma esperança, ao menos no momento atual, de estabelecer o que está na nossa bandeira. Ordem e progresso.

  8. UMA USINA DE BÔNUS, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

    Em janeiro, a energia elétrica ficou 14,21% mais barata graças ao bônus de R$ 1,3 bilhão na energia gerada pela hidrelétrica de Itaipu em 2023, incorporado com atraso como desconto aos consumidores nas contas de luz. Foi uma queda pontual, mas produziu efeito imediato no IPCA, que subiu apenas 0,16% naquele mês. Agora em março, um decreto assinado por Lula da Silva suspendeu o aumento tarifário de 6% que seria necessário para compensar um saldo negativo milionário na conta de comercialização da usina binacional em 2024.

    E assim o governo tenta tourear aumentos no custo da energia de Itaipu com potencial para desencadear pressões inflacionárias em série na economia. Mas o faz de forma quase improvisada, tirando de um lado para cobrir outro. O decreto de Lula que autoriza a criação e o uso de um saldo financeiro para Itaipu foi baixado para cumprir exigência da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que espera, desde o fim do ano passado, solução para uma conta que se sabia que não fecharia.

    Fosse um governo corajoso, não teria pagado o bônus que reduziu as contas de janeiro e teria usado o valor para evitar o reajuste previsto para março. Por isso, o escarcéu lulopetista em torno do decreto de Itaipu soa despropositado. Gleisi Hoffmann, a nova ministra da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), correu às redes sociais para exaltar a medida, afirmando que Itaipu está contribuindo para reduzir custos para o comércio, a indústria e as famílias.

    Na verdade, o governo não tem encontrado uma solução definitiva para Itaipu, uma usina administrada e operada em conjunto com o governo do Paraguai. Apenas adota soluções paliativas, como, aliás, tem feito em relação a tudo o que se refere à questão inflacionária. O freio da inflação em janeiro, obtido pela queda no custo da energia com o bônus de Itaipu, com certeza será revertido em fevereiro. A taxa do mês será divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no dia 12, mas a forte alta de 1,23% do IPCA-15 do mês – espécie de prévia da taxa mensal – já é suficiente para mostrar que o alívio do mês anterior foi de fato um ponto fora da curva.

    Os preços, especialmente dos alimentos, continuam pressionados, e uma eventual alta no custo da energia elétrica intensificaria ainda mais a inflação. Descontos pontuais como o do bônus distribuído em janeiro, ou o represamento do reajuste de março, têm fôlego curto na formação da inflação. No caso da energia elétrica, é preciso haver medidas definitivas, como, por exemplo, uma revisão arrojada de todos os penduricalhos incorporados às contas de luz, alguns apenas para atender a interesses políticos e cartoriais.

    O decreto de Itaipu permite criar uma reserva técnica financeira formada a partir do uso de parte dos bônus tarifários para atenuar reajustes de tarifa de uma usina que quitou, em 2023, todo o seu custo de construção ao longo de cinco décadas, algo em torno de US$ 13 bilhões. Deveria, portanto, estar em fase de redução natural de custos.

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