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“TEM MUITA GENTE QUE MERECE CADEIA PELO QUE FEZ”, AFIRMOU NA CÂMARA, COM TODAS AS LETRAS, O VEREADOR FRANCISCO HOSTINS JÚNIOR, PL, EX-SECRETÁRIO DE SAÚDE DE KLEBER E MARCELO, EX-LÍDER DO GOVERNO, LÍDER DO MDB, EX-ENTERRADOR DE CPIs PARA SALVAR A ATUAL ADMINISTRAÇÃO

Revisado pela segunda vez às 15h59min de 30.09.2024. Revisado as11h43min deste 30.09.2024Outra vez, apesar das centenas de exemplos que abundam por anos afio, esperei a imprensa de Gaspar – e a regional que vive publicando os press releases daqui – tocar em assunto tão delicado, quanto cruel. Em vão! A imprensa está caladinha. E sepulcralmente desde à noite de terça-feira da semana passada em algo, minimamente, digamos, escandaloso.

A imprensa de Gaspar e a regional está entre a cruz e a espada. Se ficar o bicho come. Se correr o bicho pega. E nos dois casos, mesmo diante da subserviência aos poderosos de plantão – os quais já escolheram o candidato titular e o estepe para continuar esfarelando a cidade -, ela está morrendo de fome com as míseras verbas públicas e particulares, enquanto a boiada passa e engorda os donos dela. 

A imprensa daqui – e ela é parte da culpa pelos descalabros que se descortinam na reta final da campanha eleitoral dos que estão em desespero – abdicou o verdadeiro papel dela. Perdeu a capacidade, coragem, a credibilidade e assumiu um rótulo nada agradável perante seus clientes, leitores, leitoras, ouvintes e anunciantes: a de que vivemos um paraíso.

É a falta de uma imprensa minimamente crível, com autoridade, que no fundo, colabora eficazmente para a deterioração administrativa pública, os rolos e à falta de transparência no ambiente administrativo e polítco de sua própria aldeia. Os políticos e seus parceiros com interesses que não são os da cidade, estão fazendo a festa. E com o dinheiro de todos nós, sob todos os disfarces. Nem mais, nem menos!

E diante de tantos recuos, a imprensa de Gaspar está fragilizada. E se tentar voltar ao que é seu papel fundamental, profissional e constitucional, ainda assim é – ou será, agora com mais virulência – perseguida por processos dos poderosos de sempre pelos poderosos que deixou criar e que entre outras, está a de enfraquecê-la e intimidá-la. Eu sou exemplo e testemunha disso e há décadas, quando recusei fazer o papel de bobo das cortes. Mas, não também me acovardei, ou desisti como sempre me “aconselharam”, os incomodados ou mensageiros deles. 

Fui processado – várias vezes – e até roubado, repito, roubado, no patrimônio pessoal, numa ação orquestrada suprapartidariamente, pelos políticos e poderosos que teimam em ser donos da cidade e dos destinos das pessoas e instituições – os mesmos que neste momento, estão em campanha eleitoral para serem ou continuarem poder por aqui. A ordem e o objetivo sempre foi o de constranger, intimidar e punir. Não recuei. Quando tomarem posse estarei aqui com o mesmo posicionamento de sempre.

GASPAR PRECISA MUDAR. MAS, COMO, SE SÃO INGREDIENTES UMA MESMA PANELA?

Voltando. Porque o que escrevi é um retrato e temas repetidos aqui. Então, vejamos.

Porque, miseravelmente, repito, miseravelmente, estou de alma lavada. E quem lavou a minha alma mais desta vez? Os mesmos políticos que sempre disseram, ou dizem que eu sou um problema para eles, a cidade e seus desejos de tomá-la e domá-la ao seu jeito e uso deles. 

E continuarei a ser um problema, pelo jeito. Porque quem continua devendo explicações são eles. Eleitos para nos representar, assumiram ao mesmo tempo à condição de expostos e à obrigação de nos prestar contas. Contudo, quando investidos e empossados, invertem esta regra elementar do jogo. E nos enganam.

Por que isto acontece e se agrava cada vez mais? É que em plena corrida eleitoral eles já não querem ser cobrados, criticados, expostos e como nada devem, supostamente, não se explicam. Desde já, ou seja desde campanha eleitoral ao invés de esclarecerem, preferem calar, intimidar, processar os questionadores. E pasmem: na maioria dos casos são seus próprios eleitores e eleitoras. quando eleitos, Deus nos livre… Impressionante.

Resumindo: estão nos avisando com antecipação do que são capazes, do que fazem, e como vão nos tratar quando eleitos. Nós é que fingimos não entender – por proximidade, por afinidade ideológica, por alienação e até na desculpa de escolhermos o “melhor” dos piores -, os avisos que nos deram de que seria assim quando empoderados pelo voto livre, direto e secreto.

JÚNIOR HOSTINS DESTAMPOU A PANELA E AÍ… 

Tudo isso até aqui é para me referir ao vídeo abaixo que estampa o pronunciamento na terça-feira passada na Câmara do vereador Francisco Hostins Júnior, PL. Como a imprensa não se interessou pelo conteúdo dele, vou dar voz ao próprio vereador. Antes, porém, vou apresentá-lo e ao mesmo tempo, contextualizar tudo isso, para que nada passe além da intenção de uma face da nossa história. Tudo tem raízes. E profundas.

Hostins Júnior, advogado, já esteve na administração de Pedro Celso Zuchi, PT, passou uma temporada no PDT e foi o avalista para a credibilidade de honestidade do governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, e Marcelo de Souza Brick, PP. O contundente e didático pronunciamento de Hostins Júnior na terça-feira passada lava, mais uma vez, a minha alma.

O pronciamento dele dá luz ao que se trama e se esconde. Ao que sempre relato aqui, Hostins Júnior foi corajoso. Todavia, ao mesmo tempo, tardio. Como dizem, está fora do timming. No tempo certo, este pronunciamento teria a chance de corrigir os rumos de alguns vícios, deslumbramentos e audácias. Mesmo assim, diante de tanta clareza, de quem é parte do enredo, os velhacos de sempre já foram ao contra-ataque contra o vereador. Bem-vindo, Júnior Hostins, ao clube dos abjetos como nos classificam essa gente desqualificada, a que mais parece estar numa facção, do que num partido político. Se bem que hoje…

O PECADO, OS PECADORES E SEUS DEMÔNIOS

O pronunciamento e o vídeo, indiretamente, com todas as letras, dizem que eu – que nunca estive filiado a nenhum partido e que nunca monitizei este espaço para ninguém – sempre estive certo. Ah, se errei. Errei várias vezes. Mas, nunca os escondi e nem deixei de me penitenciar pelos erros. 

Este “esclarecimento” de Júnior Hostins, feito em tribuna da Câmara na terça-feira passada, diz também, mais uma vez, tudo o que os meus leitores e leitoras já sabiam há muito tempo, a partir deste cantinho amaldiçoado pelos poderosos de plantão. Entretanto, ele é – graças à maldição dos tolos – um espaço de autoridade, confiança, liberdade responsável e de pluralidade. Então, é razoável, ele ser igualmente detestado pelos políticos, seus donos e gente dependente dos políticos, obrigada a aplaudi-los, convenientemente ou por conivência, necessidade e até prazer. Muda, Gaspar!

Assista, abaixo, o vídeo do pronunciamento de Hostins Júnior, na montagem dele, que postou nas redes sociais dele. Originalmente, também está disponível, no Youtube da Câmara de Vereadores de Gaspar. 

O pronunciamento é autoexplicativo aos que vivem e disputam à cidade como um negócio particular deles.

O vereador com este pronunciamento mostrou à podridão que ele próprio é parte e a escondeu, mas resolveu se livrar desta caca antes das eleições. Contudo, só depois de ter sido foi contrariado, impiedosamente traído, ou rejeitado e incrivelmente, por quem no palanque físico, nos contatos pessoais e nas redes sociais sublinha repetidamente ares de divindade, pureza da família, ensinamentos morais bíblicos e subserviência da fé em Deus. Pecadores contumazes em busca de perdão e não da verdadeira regeneração. “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertarás“, João 8;32, citou o católico fervoroso Francisco Hostins Júnior, para desmascarar o neopentecostal Kleber e seu enevoado governo.

Para arrematar o artigo de hoje. Tenho o melhor apreço pelo vereador Júnior Hostins. Por outro lado, não tenho qualquer intimidade com ele. Assim como com a maioria dos políticos com quem trato aqui. Esta distância é técnica e necessária, especialmente em Gaspar. Se não houver este distanciamento, ele é contaminante. É usado para constrangimentos, chantagem, cobranças e rótulos.

Entretanto, o pai de Júnior Hostins, o ex-prefeito (foi vereador), o educador referência ao seu tempo, Francisco Hostins (1989/92), já falecido, oriundo do que é hoje o PP e eleito pelo PDC, de Francisco Mastella – num grandioso movimento de recuperação, mudança, ruptura, reorganização administrativa e desenvolvimento da cidade-, é parte dessa história em que o filho, agora, foi pego numa malha invisível de espertalhões de sempre e desta vez, travestidos de jovens, religiosos e exemplos da família tradicional.

Júnior Hostins paga caro pelas escolhas que fez, pelo silêncio ao erro e principalmente, por achar que era possível, em algum momento, ocultar o que desnuda e faz descarrilar em movimento, este trem pesado, cada vez com mais vagões. Uma dessas escolhas foi a de acreditar de que eleteria chance, ao menos, de disputar à indicação do MDB e de Kleber à pré-candidatura de prefeito de Gaspar, como lhe foi prometida pelo partido, por Kleber e seu entorno político.

Júnior Hostins foi, no meu entender, um inocente útil para a eleição e sobrevivência de Kleber, Luiz Carlos Spengler Filho, Marcelo de Souza Brick, ambos do PP, e até de Pedro Celso Zuchi, PT. Simples assim. Foi usado como atestado de boa conduta. O tom conciliador e reto de Junior Hostins foi confundido como o do manso, do trouxa, do otário…

Junior Hostins, de quem Kleber, Marcelo e muitos outros não esperavam um pronunciamento com este tema e contundência, apenas teve a coragem, pela segunda vez, neste caso, de colocar a boca no trombone. Sua mulher Rúbia já tinha feito isto anteriormente. Contudo, há outros Júniors Hostins que ficaram pelo caminho e estão calados achando que ainda terão a promessa cumprida, ou não podem porque o rabo está grande, ou preso. É assim que funciona o pacto de silêncio. É o auto-perdão dos pecados de cada um.

A POLÍTICA EM SI É ESSENCIAL A VIDA DE TODOS NÓS. OS POLÍTICOS SÃO OS QUE A TORNAM UMA TEIA REPUGNANTE

Hostins, o pai, fez bem em excluir o responsável, quando descobriu que no seu governo inicial e essencialmente técnico, havia falcatruas às suas costas. Entretanto, errou clamorosamente, em fazer essa “limpeza”, só quando tinha certeza de que a cidade já estava saneada – ou seja, supostamente não precisaria mais dos técnicos para deixar a cidade e sua fama de pé. O prefeito Francisco Hostins, envenenado, mau orientado, tirou todos os técnicos para dar lugar aos politiqueiros e incompetentes de sempre. E Paulo Norberto Koerich era o seu chefe de gabinete.

O ex-prefeito puniu todos os técnicos pelo erro de um. E para que? Para entregar a prefeitura saneada administrativa e financeiramente ao velho jogo político dos velhos políticos, não ao seu ex-PP, onde a porta – por vingança – estava bloqueada, e sim, ao até então ferrenho rival, o MDB. O mesmo que enganou agora e mais uma vez, seu filho, o Júnior Hostins. É uma marca. É a repetição.

Aquela errática decisão do então prefeito Francisco Hostins teve consequências. A própria história se encarregou mostrar-lhe da pior forma possível: faltou-lhe votos para quem já tinha – e ainda hoje – a fama de administrador inovador e exemplar. O ex-prefeito ficou pelo caminho quando tentou, pela mãos dos políticos que abraçou e fruto da traição a um projeto legítimo de mudanças. Francisco Hostins, ainda no gozo da boa fama, perdeu nas urnas. Isto ninguém me contou. Sou testemunha. E guardo os documentos dessa trama e que parte dela está no PL de Gaspar presidido por Bernardo Leonardo Spengler Filho.

“À MULHER DE CÉSAR NÃO BASTA SER HONESTA…”

Faz bem Júnior Hostins em desabafar e esclarecer. Mas, perguntar não ofende: se sabia das entranhas tão comprometidas de um governo onde estava, como deixou claro no seu pronunciamento, por que só saiu dele, quando foi traído no objetivo principal que era de ser candidato a prefeito com apoio de toda essa banda podre? Repetindo a frase do próprio Júnior Hostins – que não é candidato a reeleição – no seu discurso na Câmara e que claramente dirigiu à outra pessoa, a que má influencia o prefeito Kleber: “à mulher de César não é permitida ser honesta, mas, antes, ela precisa parecer ser honesta”.

E para encerrar, o que não está no discurso de Júnior Hostins?

O MDB de Gaspar sabia o que estava por vir na terça-feira passada na Câmara. Um a um os vereadores da bancada foram saindo antes do pronunciamento de Júnior Hostins: começou pelo líder do prefeito, Francisco Solano Anhaia (com passagens pelo PP e PT), passou pelo gazeteiro de quase todas as sessões, Ciro André Quintino (que já esteve no PSDB) – que também queria a vaga de pré-candidato a prefeito e hoje pede votos abertamente para um suposto adversário do MDB -, e chegou até a presidente do partido, Zilma Mônica Sansão Benevenutti, em saída antecipada de uma sessão de pouco mais de meia hora. 

O presidente da Casa, José Hilário Melato, PP, em tom de pilhéria, chegou a consultar o primeiro secretário para ter certeza se tinha quórum na sessão. Ficou lá, apenas o suplente de vereador do MDB, Norberto dos Santos, o Betinho da Lagoa, pego recentemente numa busca e apreensão de coisas que pode esclarecer as dúvidas do governo Kleber. Sintomático. Mais uma vez vai sobrar; e só para os peixeis miúdos.

Depois do discurso do vereador Francisco Hostins Júnior, PL, acompanhado da família e que encabeçou as palmas, a sessão foi encerrada. Interino líder do governo, um governo fortemente atacado por Hostins Júnior, Roberto Procópio de Souza, MDB, ex-PDT, ficou mudo. Bem falante, faltou-lhe palavras e argumentos de contestação.

Nas redes sociais e aplicativos de mensagens, Kleber Edson Wan Dall, MDB, boqueou Júnior Hostins. Imediatamente, como sintomas de troco, vídeos apócrifos, expuseram Júnior Hostins em suposta incoerência, ligaram ele ao diabo que pintou. Exatamente como essa gente faz há décadas comigo. E na cidade todos sabem que são os diabos vestidos de anjos. Inclusive, Júnior Hostins. Muda, Gaspar!

TRAPICHE

O retrato de um governo que propagandeia desenvolvimento, mobilidade urbana e obras de primeiro mundo em Gaspar. Há dois anos, vésperas da campanha eleitoral de 2022, o governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, e Marcelo de Souza Brick, naqueles dias ainda no PSD, depois pulou para o Patriota, assinou ficha no PL até filiar-se no PP de hoje, inaugurou a estreita e perigosa ligação entre as avenidas Francisco Mastella e Frei Godofredo, no pasta do jacaré como parte do Anel de Contorno. Denúncias para todos os lados e a todo momento desde que começou. Elas foram das falhas de execução do projeto até o preço mais caro do quilômetro de rodovia asfaltada: R$12 milhões.

Nada das denúncias e advertências abalaram os políticos, técnicos e a empreiteira de Blumenau, a Progresso Ambiental. Nada, hoje os políticos e técnicos buscarem soluções para o adensamento daquele trecho em terra que todos sabiam antes da construção, inclusive os leigos, serem moles e de turfa. Todos que receberam as notícias para apuração dos problemas, fecharam os olhos, incluindo o Tribunal de Contas do Estado. A obra já possui três anos, e na marra, a prefeitura já fez vários remendos para tapar o sol com a peneira. Mas, o principal deles, continua lá: uma corcova de camelo que entala caminhões. É frequente.

Para envergonhar mais uma vez políticos e técnicos, nesta segunda-feira, outro caminhão – numa fila de mais três – ficou entalado na corcova. E os políticos zombando de todos que precisam daquele caminho perigoso, e para alguns caminhões, uma armadilha que lhes custa dissabores e prejuízos. Foi na inauguração daquela obra, aliás, que o prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, foi lançado candidato a deputado estadual pelo mesmo grupo que hoje apoia Paulo Norberto Koerich, PL.

Kleber Edson Wan Dall, MDB, seguindo as orientações da igreja e do novo prefeito de fato de Gaspar, o deputado Federal por Blumenau, Ismael do Santos, PSD, desistiu da oferta e continuou prefeito. O seu vice, Marcelo de Souza Brick, arriscou-se pelo Patriotas, a contragosto de Kleber e Ismael. O partido não fez legenda para eleger um só representante por Santa Catarina. A empreteira está obrigada a consertar o que mal fez. E quem pode exigir isso? A prefeitura, inclusive via a Justiça. O prazo máximo é de cinco anos. Três já se passaram.

Hoje é dia de debate entre os cinco candidatos a prefeito de Gaspar. Tardio. Mesmo assim, diante de tudo o que aconteceu nas últimas horas pode ser quente. Mas, duvido. Depende da condução e da disposição dos entrevistadores e dos próprios candidatos. E pelo sim, pelo não, tinha gente – que conta com o ovo na cloaca – sendo orientada a faltar nele. É prácabá!

Esta semana deverão sair duas pesquisas sobre a corrida eleitoral em Gaspar. Ao menos, estão registradas no Tribunal Superior Eleitoral, ao preço de R$15 mil cada uma. Ambas são de mesmos institutos que já publicaram, respectivamente pelos jornais Cruzeiro do Vale (Rumo) e Metas (Incope). Por isso, mesmo, são comparáveis. Ou elas vêm ajustadas, ou alguém vai pagar mico. O Republicanos, de Oberdan Barni, pediu acesso antecipado a metodologia e apuração da Incope. A Justiça eleitoral concedeu.

Reta final. Domingo saberemos o tombo do PT no Brasil e quanto o governador Jorginho Melo, PL, saiu chamuscado destas armações ilimitadas dele. Se o tombo do PT servir para o partido entender que estamos nos anos 20 do século 21 e que neste ritmo terá outra estrondosa derrota em 2026, o Brasil ganha. Se Jorginho entender que precisa parar de fazer política barata e vingativa, e verdadeiramente começar a governar, Santa Catarina também ganha.

Na sexta-feira, por telefone, havia uma pesquisa a números de Gaspar. Aqui há cinco candidatos. O entrevistador só queria saber a preferência de um entre três. Os outros dois foram ignorados.

Silenciosamente, o ex-suplente de vereador pelo PDT, ex-secretário de Agricultura e Aquicultura de Pedro Celso Zuchi, PT, mas agora, filiado ao União Brasil e bolsonarista, Alfonso Bernardo Hostert foi excluído da corrida a uma vaga de vereador no domingo que vem. Ele perdeu o prazo de um recurso para continuar candidato.

Coisas inexplicáveis. O candidato do PL de Gaspar, Paulo Norberto Koerich, ainda não mereceu o aval direto do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro, PL. Já uma vereadora… O novo prefeito de fato de Gaspar, o deputado Federal por Blumenau, Ismael dos Santos, PSD, pediu voto no 13 para a prefeitura de Saltinho. Diante da repercussão nas redes sociais, o santo, disse que foi embrulhado com tantas gravações que tinha que fazer. Será?

Coisas explicáveis. Correm várias listas, em vários grupos de supostos vereadores eleitos sob as mais variadas bases e apoios que dizem ter. Se colocar uma do lado da outra, há pelo menos, 40 candidatos com mais de mil votos e dependendo da legenda, estariam eleitos. O que é certo? Entre os 13 eleitos para serem titulares a partir do ano que vem está muito difícil a reeleição e desde ontem, domingo, há um movimento de traição muito grande. Gente que cheira onde está o cardume e sobreviver nele.

Se houvesse mais duas semanas de campanha eleitoral, os próprios organizadores de campanhas de alguns candidatos que supostamente estão na cabeça por pesquisas já divulgadas, revelam que temeriam pelo sucesso que tem como certo. Ouvi, de vários candidatos a vereadores, o clima ruim das visitas sobre seus candidatos a prefeito impactados por verdade e falsidades dos aplicativos de mensagens.

Atenção. Gaspar vai entrar no mato novamente. A empresa que está contratada emergencialmente pelo Samae – que no isso deveria ser contratado pela secretaria de Obras e Serviços Urbanos -, a Atlantis, pediu para ir embora. Ela substituiu a enrolada Econsystem. Este pedido está guardado em segredo. Mas, por quê?

Se olharmos só os caixas dos candidatos a prefeitura de Gaspar no site do Tribunal, já podemos dizer que temos um vencedor e um lanterna? Dinheiro realmente faz a diferença na campanha eleitoral?

Áudios vazados na semana passada – numa conversa com um servidor público municipal concursado – , mostram que quando, Paulo Norberto Koerich, era delegado de polícia, ele estava vivamente interessado, nos problemas ambientais de loteadores e empreiteiros de Gaspar. Nada nunca foi para frente. 

Quando cobrado por mim sobre à razão pela qual isso não prosperava no âmbito das investigações, a resposta, coerente, estava sempre na ponta da língua: o prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, tinha foro privilegiado e salvava, por isso os demais da sanha investigadora do delegado. Se legalmente estava impedido, qual a razão de estar tão interessado neste assunto? Agora, Paulo Norberto Koerich, PL, é candidato a prefeito. Se eleito, virá junto também a espada de Dâmocles. E o fio que ele a amarrou. Muda, Gaspar!

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9 comentários em ““TEM MUITA GENTE QUE MERECE CADEIA PELO QUE FEZ”, AFIRMOU NA CÂMARA, COM TODAS AS LETRAS, O VEREADOR FRANCISCO HOSTINS JÚNIOR, PL, EX-SECRETÁRIO DE SAÚDE DE KLEBER E MARCELO, EX-LÍDER DO GOVERNO, LÍDER DO MDB, EX-ENTERRADOR DE CPIs PARA SALVAR A ATUAL ADMINISTRAÇÃO”

  1. ANATOMIA DE UM APAGÃO, por Elio Gaspari, nos jornais O Globo e Folha de S. Paulo

    Estádio do Mineirão, 8 de julho de 2014. Aos 24 minutos do primeiro tempo, Toni Kroos marcou o terceiro gol da Alemanha. Eremildo, o idiota, gritou da arquibancada para que o Brasil atacasse. Depois do desastre, o técnico Felipão teve a humildade de reconhecer que sua equipe sofreu um “apagão”.

    Na segunda-feira, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou, com uma gravidade que só os ares de Brasília concedem, que sairão do ar cerca de 500 sites de apostas que funcionam no Brasil sem o devido credenciamento.

    Em 2014, todos os jogadores alemães estavam credenciados. Em 2024, os sites ilegais funcionam porque o governo viveu por mais de um ano num esplêndido apagão. Quando Haddad diz que a Anatel tirará os sites do ar, algum desavisado pode achar que a agência já poderia ter feito isso. Quem os deixou no ar foi o Ministério da Fazenda porque, em dezembro de 2023, deu-lhes o prazo de até 1º de outubro de 2024 para que regularizassem seus papéis. Prenunciava-se o apagão. (Alemanha 1 a 0.)

    A única novidade do anúncio de Haddad foi a antecipação do bloqueio. Pois a Fazenda havia estabelecido o limite de 1º de janeiro de 2025. (Alemanha 2 a 0.)

    A burocracia tem suas astúcias. Criou um Sistema de Gestão de Apostas e deu-lhe uma sigla: Sigap. Em junho passado, o Ministério da Fazenda anunciava que o Sigap era “resultado de trabalho conjunto da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) e da Subsecretaria de Gestão, Tecnologia da Informação e Orçamento (SGTO)”.

    Tudo bem, mas quem mostrou “as portas do inferno”, nas palavras da doutora Gleisi Hoffmann, foi o Banco Central. (Alemanha 3 a 0.)

    Os prazos longos para que os sites de apostas regularizassem seus papéis não foram resultado de um apagão. O time estava armado assim porque, com dez meses de prazo antes de requerer a outorga de uma licença, as empresas poderiam medir o potencial do mercado ou a temperatura do reino de Asmodeu. A sábia ekipekonomika esperava arrecadar até R$ 3,4 bilhões, pois cada licença custaria R$ 30 milhões. Havia cerca de 150 empresas na fila. (Alemanha 4 a 0.)

    Arrecadado o dinheiro das outorgas, o governo conseguiria algumas dezenas de bilhões taxando os prêmios.

    A ministra da Saúde, Nísia Trindade, disse sobre os efeitos das apostas:

    — É uma pandemia, guardada a questão da gravidade. Isso precisa ser trabalhado na Saúde.

    Precisava, mas até hoje não foi. (Alemanha 5 a 0.)

    A pandemia de apostas guarda várias diferenças com a de Covid-19. Uma veio de fora, enquanto a outra foi armada em Pindorama. Uma custou bilhões ao governo de Jair Bolsonaro, a outra levaria bilhões para as arcas dos governos de Lula e de seus sucessores. Uma não precisou de publicidade para se propagar, a outra teve campo livre, graças ao silêncio do Sigap.

    A partida de 2014 no Mineirão terminou depois de 90 minutos de jogo. A das apostas continuará e não tem data para terminar. A turma das apostas tem craques para entrar em campo.

    O Congresso pode legalizar o jogo do bicho, os bingos e os cassinos. Cada um deles dará ao governo o que ele quer: arrecadação.

    Olhando apenas para o primeiro tempo dessa partida, pode-se antever o que vem pela frente.

    1. Miguel José Teixeira

      Com todo o devido respeito ao Jornalista Elio Gaspari, mas. . .acreditar em apagão do governo em relação à proliferação da jogatina eletrônica é o mesmo que acreditar em Papai Noel, Coelhinho da Páscoa e que lula acabou com a miséria no Brasil.
      Houve sim, um lobby muito bem orquestrado e regado à muito dinheiro para que as “otoridades” fizessem cara de paisagem.
      Deu no que deu!

  2. O futuro da nossa cidade está em nossas mãos! Neste final de semana, temos a chance de fazer a diferença com nosso voto. Não deixe que ele seja comprado, manipulado ou subestimado. O voto é o maior poder que temos nas mãos, a chave para um futuro melhor. Vamos fazer valer o nosso direito de escolher o que é justo e o que é melhor para todos. A verdadeira transformação começa nas urnas.

    Meu voto, meu pedaço de liberdade. E o seu, como será usado?

    O VALOR DO VOTO: Reflexão Contemporânea, por Aurélio Marcos de Souza, advogado, ex-procurador geral do município de Gaspar (2005/2008), graduado em Gestão Pública pela Udesc. publicado originalmente na rede social do autor

    Em um mundo cada vez mais polarizado, onde a tecnologia redefine a forma como nos conectamos e a política se torna mais complexa, o voto permanece como um dos últimos bastiões de poder direto nas mãos do povo. Em tempos de fake news, campanhas manipuladoras e populismos, votar é um ato de resistência, uma escolha consciente que define os rumos de nações inteiras. No entanto, em pleno século XXI, ainda há quem acredite que o voto pode ser negociado, comprado como uma mercadoria qualquer.

    No Brasil, nossa história política é marcada por profundas cicatrizes. Passamos por uma ditadura militar que sufocou a democracia por mais de duas décadas, uma fase que nos privou da voz e da participação direta. Quando finalmente nos redemocratizamos em 1985, o voto foi restituído como um direito universal. Mas as marcas de um passado em que o voto era trocado por favores — o famoso “voto de cabresto” — ainda ecoam, mostrando que a batalha pela integridade do processo eleitoral é constante.

    A compra de votos continua sendo uma realidade em muitas regiões do país. É um retrocesso que fere profundamente o espírito da democracia. Quem vende seu voto, muitas vezes por necessidades básicas, como comida ou medicamentos, está não apenas sacrificando o presente, mas também comprometendo o futuro. O voto é a escolha mais poderosa que temos — a ferramenta que nos dá a capacidade de moldar a cidade, o estado, o país em que queremos viver. Quando é vendido, ele deixa de ser uma escolha livre e se transforma em um instrumento de exploração.

    É preciso, então, reforçar uma verdade simples, mas essencial: o voto não tem preço. Ele carrega o peso da história e o sacrifício de milhões que lutaram para que tivéssemos o direito de decidir. Desde protestos e greves até a perda de vidas, o direito ao voto foi conquistado a duras penas. E não é apenas um pedaço de papel ou um botão apertado em uma urna eletrônica. Ele é, na verdade, a expressão máxima da nossa soberania, do nosso poder de transformação.

    Ao redor do mundo, testemunhamos o poder do voto em ação. Nos Estados Unidos, em 2008, Barack Obama foi eleito o primeiro presidente negro do país, um marco na história da humanidade. O que parecia impossível foi alcançado pela força do voto, pela mobilização de jovens, minorias e movimentos sociais. Em 2019, na Bolívia, o povo se levantou contra fraudes eleitorais, provando que, quando o processo é corrompido, a justiça popular é inevitável. E aqui no Brasil, em 2022, tivemos uma das eleições mais intensas da nossa história, onde cada voto fez a diferença, cada decisão influenciou os rumos do nosso país.

    O desafio contemporâneo, no entanto, é diferente. Hoje, a maior ameaça não é apenas a compra de votos com dinheiro, mas a compra de consciências por meio da desinformação. As redes sociais, que deveriam ser um espaço de debate democrático e de troca de ideias, se transformam em verdadeiras fábricas de mentiras. Em um cenário onde memes, manchetes falsas e teorias da conspiração ganham mais atenção que os fatos, o voto consciente se torna uma questão de sobrevivência para a democracia.

    Diante de tudo isso, o valor do voto nunca foi tão evidente. Ele é nossa bússola em meio ao caos da manipulação e dos interesses ocultos. É o que nos guia em direção a uma sociedade mais justa, mais humana, mais comprometida com o bem comum. A cada ciclo eleitoral, somos convocados a refletir sobre o tipo de sociedade que desejamos construir. Nesse momento de profunda introspecção, percebemos que o voto não é apenas um direito. Ele é, acima de tudo, um dever — um compromisso com o passado, com aqueles que lutaram para que tivéssemos essa liberdade, e com o futuro, com as gerações que herdarão as consequências de nossas escolhas.

    Quem tenta comprar um voto não compreende sua força. Quem o vende, subestima seu impacto. Mas, para aqueles que entendem o voto como ele realmente é — meu pedaço de liberdade — cada eleição é uma oportunidade de escrever um capítulo mais justo e democrático na história. E isso, como sabemos, não tem preço.

  3. STF PRECISA AVALIAR ANISTIA A CORRUPTOS CONFESSOS, editorial do jornal Folha de S. Paulo

    Não há explicação razoável para a atuação errática da Justiça brasileira, em geral, e a do Supremo Tribunal Federal, em particular, nas investigações e ações conectadas à operação Lava Jato ao longo dos últimos dez anos. Nesse período, passou-se do frenesi justiceiro à anistia irrestrita a corruptos confessos sem dar oportunidade para a aplicação zelosa da lei.

    Na corte constitucional, o ministro Dias Toffoli tem liderado as iniciativas monocráticas de derrubar no atacado toda e qualquer ação remotamente relacionada com as investigações originadas na vara federal de Curitiba.

    Em setembro, o magistrado, que foi advogado do Partido dos Trabalhadores, fulminou todos os atos, provas e processos relacionados ao empresário Raul Schmidt Felippe Júnior, acusado de participar de um esquema bilionário de desvio na Petrobras.

    Também no mês que acaba de se encerrar, Toffoli estendeu a graça da impunidade a Leo Pinheiro, o principal delator do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Lava Jato. Virou pó, pela canetada do ministro do tribunal, uma pena de 30 anos de prisão por corrupção contra o ex-mandachuva da empreiteira OAS.

    Leo Pinheiro foi o mais recente de uma fila de contemplados pelas decisões solitárias do magistrado do STF, que também inclui Marcelo Odebrecht e vai se estender, pelo visto, para dezenas de outras petições semelhantes que aguardam a apreciação no gabinete do ministro.

    As razões alegadas por Toffoli para determinar a extinção em massa dessas ações seria a sua relação genérica com uma investigação viciada pelo conluio entre a parte julgadora —capitaneada pelo então juiz Sergio Moro— e os agentes do Ministério Público incumbidos da persecução penal.

    Não há dúvidas de que houve comunicação indevida entre partes que deveriam preservar distância institucional uma da outra na Lava Jato. Mas o método correto de averiguar se uma anomalia específica contamina uma prova ou condenação também específicas é fazê-lo caso a caso e, de preferência, na sede do juízo competente para apurar o mérito da acusação, que não é o Supremo.

    Esse foi o cerne do recurso da Procuradoria-Geral da República contra a decisão de Toffoli a favor de Raul Schmidt. O argumento vale como princípio geral. Mandar derrubar tudo observando o tema a 30 mil pés de altitude, quando há confissões de crimes e devoluções de bilhões em recursos desviados, é um escárnio.

    Espera-se em especial do presidente da corte, Luís Roberto Barroso, que o plenário do Supremo se reúna sem mais tardar para decidir se abona o festival da impunidade patrocinado por um membro solitário do colegiado.

    Na hipótese benigna, a maioria, embora seja contra as atitudes de Toffoli, peca por omissão. Na pior, deixa o colega atuar solto porque, no fundo, concorda com ele. Nos dois casos, o que subsiste por ora é o incentivo à subtração do patrimônio público.

  4. O DIREITO XADÔNICO, por Carlos Andreazza, no jornal O Estado de S. Paulo

    O bloqueio ao X no Brasil continua. A empresa já tem representação regularizada; teve transferidos os milhões necessários ao pagamento de multa; cumpriu a ordem de bloqueio de contas na plataforma. E permanece fora do ar.

    Permanecerá até quando Alexandre de Moraes quiser. O ministro já determinou algumas condições para o fim da censura. A cada semana, cria novas exigências, que se desdobram das precedentes. Está sempre faltando algo; lista extra – surpresa! – que conhecemos assim que cumpridas as demandas anteriores. Logo faltarão comprovante de residência e fotos 3×4.

    Por que multar a recém-nomeada representante legal do X, senão para intimidá-la? Por que a punição personalizada, se age em nome da companhia? A multa de R$ 300 mil talvez tenha o condão de deixar a empresa novamente sem representação formal no País.

    A exigência, conforme a lei brasileira, era pela designação de representante legal. Pois ora temos multada – nova pendência – a representante legal indicada. O direito xandônico é código proativo escrito em tempo real. Seus termos se radicalizam em antecipação ao radicalismo que o ministro – gestor onisciente de inquéritos infinitos e onipresentes – sabe que virá. Em defesa da democracia, vai da censura prévia a contas na rede até a censura total à própria rede. Somos todos usuários extremados do bicho.

    Ninguém sabe se o X será reabilitado antes das eleições – faltam poucos dias e renovadas há pouco foram as obrigações. Sabido é que tratamos – nós, imprensa – por normal, aceitável, a hipótese de juiz de Corte constitucional fazer cálculo político para postergar a liberação.

    Agora – para o X ser desbloqueado – a companhia terá de pagar multa adicional, por haver burlado a interdição por dois dias. O ponto nem será a nova cobrança, ainda que obscuro seja o critério que definiu o valor em R$ 10 milhões. Mas estar o retorno do X de súbito dependente de condição que inexistia na decisão que o suspendera.

    Há mais. Sabe-se que a transferência dos milhões da Starlink para a União não significa o “pagamento final e definitivo” da multa imposta ao X. Não ainda. Porque existe a prerrogativa de recorrer – e porque há recurso contestando essa sanção.

    Aliás, estando a empresa insatisfeita com as ordens do ministro, bastaria recorrer. Não era isso? Moraes, para suspender a censura ao X, quer também que se abra mão do recurso – do direito a recorrer. Um ministro de Corte constitucional que constrange uma garantia e escreve que a volta da plataforma dependerá “unicamente do cumprimento integral da legislação brasileira e da observância às decisões do Poder Judiciário”.

  5. UM ESTRANHO CONCEITO DE CIVILIZAÇÃO, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

    A defesa da supremacia da Constituição parece ser incumbência menor para o egrégio Supremo Tribunal Federal (STF). O destino da Corte seria “recivilizar” o Brasil – nada menos. Assim entende o seu ministro presidente, Luís Roberto Barroso, que em entrevista ao jornal Valor afirmou que a “total recivilização do País” é o “legado institucional” que ele pretende deixar ao transmitir o cargo a seu provável sucessor, o ministro Edson Fachin.

    Em primeiro lugar, é incontornável observar que só precisa ser “recivilizada”, por óbvio, uma horda de bárbaros, o que nem de longe retrata a Nação brasileira. Só esse pequeno lapso, digamos assim, basta para expor o grau de alheamento da realidade e de afetação intelectual, quando não autoritária, que tem comprometido a legitimidade de não poucas decisões dos ministros do STF nos últimos anos.

    Dito isso, não é de hoje que Barroso tem essa compreensão grandiloquente do que seria a missão precípua da Corte. Em 2017, o ministro afirmou durante uma aula magna que, “a serviço da causa da humanidade”, seria papel do STF “empurrar a história”, que, em sua visão, ora “anda rápido”, ora “anda devagar”. Um ano depois, com o mesmo espírito messiânico, o sr. Barroso ainda escreveria o célebre artigo no qual defendeu o “papel iluminista” do Supremo.

    Vistas em retrospecto, ambas as manifestações do hoje presidente do STF soam como premonições da miríade de abusos e extrapolações de prerrogativas que seriam cometidos por ministros da Corte nos últimos anos a pretexto da tal “recivilização” do País. É o caso de perguntar: se é missão do STF civilizar a sociedade, qual será, afinal, o padrão civilizatório que vai iluminar o caminho da Nação desde Brasília até o seu inexorável encontro com a bem-aventurança?

    É de civilização que estamos tratando quando o ministro Dias Toffoli faz pouco-caso do bom Direito e da inteligência alheia ao apagar os fatos, sozinho, em sua autoatribuída missão de reescrever a história da Lava Jato? E pior, usando como base desse misto de revisionismo e penitência perante Lula um conjunto de provas absolutamente ilegais, obtidas por meio da ação insidiosa de um hacker. Será esse o diapasão iluminista do STF, sinalizar à sociedade que corromper e ser corrompido, ao preço de poucos anos de dissabores e ostracismo, compensa neste País?

    Foi isso o que Toffoli indicou, mais uma vez, quando exonerou o notório empreiteiro Léo Pinheiro de todas as condenações por crimes que ele confessou em acordo de colaboração firmado com o grupo de trabalho da Lava Jato no âmbito da Procuradoria-Geral da República (PGR). No afã de se apaziguar com Lula, Toffoli não teve o cuidado de observar que Léo Pinheiro jamais poderia ser “vítima” de “conluio” entre o então juiz Sergio Moro e a força-tarefa de Curitiba porque seu acordo de colaboração foi firmado, em 2019, sob os auspícios de Raquel Dodge, então à frente da PGR, sendo homologado meses depois pelo ministro Edson Fachin.

    Mas sigamos. É de civilização que estávamos tratando quando Ricardo Lewandowski, então ministro do STF, obliterou o trabalho do Congresso que resultou na Lei das Estatais, e isso para atender aos interesses de um governo do qual ele logo faria parte? Civilizar o País, por acaso, é fazer letra morta da lei que moralizou a gestão de empresas como a Petrobras após a razia promovida pelos governos lulopetistas, seja por má gestão, seja pelo enriquecimento ilícito dos criminosos apanhados pela Lava Jato?

    É de civilização que estamos tratando quando ministros do STF viajam mundo afora às expensas de indivíduos e empresas que têm seus interesses diretos em jogo na Corte? Com notável arrogância, Barroso desdenhou da necessidade de um código de conduta para ele e seus pares, pois já há a Lei Orgânica da Magistratura – uma lei que muitas vezes os próprios ministros não cumprem – e o controle da TV Justiça, como se os casos de conflito de interesses se estabelecessem diante das câmeras.

    Diz-se com razão que o STF carece de autocontenção. Antes a Corte carecesse só disso.

  6. ALTA DA DÍVIDA PÚBLICA DESMENTE RETÓRICA DE LULA, editorial do jornal Folha de S. Paulo

    Em sua passagem por Nova York, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se encontrou com representantes de agências de risco —empresas, não raro hostilizadas no discurso petista, que monitoram e avaliam a qualidade da política econômica e as perspectivas para as dívidas dos governos, classificando-as em graus de segurança.

    A imagem brasileira hoje não é boa, já que o país está na categoria de investimento especulativo, sem o selo de bom pagador para o governo nacional. O chamado grau de investimento, obtido em 2008 no auge do boom dos preços de matérias-primas, foi perdido em 2015 na gestão de Dilma Rousseff (PT) em razão do desequilíbrio orçamentário.

    O mandatário tentou convencer as agências de que há controle fiscal e estabilidade econômica no Brasil. Negou, assim, a realidade da gastança de seu governo e suas já visíveis consequências, na forma de juros em alta e câmbio desvalorizado —que não tardarão a comprometer o crescimento da renda e do emprego.

    Em entrevista, Lula repetiu a ladainha de que aprendeu economia em casa e sabe que não pode gastar acima da receita; dívidas, disse, só devem ser contraídas para investimentos (despesas que ampliam a capacidade produtiva do país).

    Até se encontra alguma sensatez básica nas afirmativas, mas deve-se lembrar que, em outras ocasiões, o líder petista já chamou de investimento quase todo tipo de gasto público.

    Os números mostram o resultado efetivo das teses presidenciais. O governo terá deficit de R$ 68,8 bilhões neste ano, segundo suas próprias projeções, e isso sem contar os encargos com juros.

    A meta de equilibrar receitas e despesas estará assim formalmente cumprida apenas porque há R$ 40,5 bilhões em desembolsos classificados como fora dos limites, para emergências climáticas, e há uma margem de tolerância de R$ 28,8 bilhões (0,25% do PIB) na regra fiscal.

    Como corretamente apontou Lula, neste 2024 a economia crescerá em torno de 3%, bem mais do que se esperava no começo do ano. Longe de mérito específico de sua administração, tais surpresas altistas tem ocorrido desde 2021, e os analistas ainda se debatem com as explicações.

    Parte do fenômeno pode resultar do impacto de reformas, como a trabalhista, e da melhora na governança de projetos de infraestrutura, incluindo o novo marco do saneamento. Parece claro, no entanto, que boa parte do impulso decorre dos gastos públicos em alta, algo de fôlego curto.

    No futuro próximo, o quadro é temerário. As projeções são de déficit primário até o final da atual gestão, enquanto os juros estão novamente em alta. Estimativas que constam do Orçamento indicam aumento da dívida pública a 81,6% do PIB em 2026.

    Estabilidade fiscal e previsibilidade, enaltecidas por Lula, precisam se traduzir em ações efetivas para equilibrar as contas. Sem isso, são apenas conversa fiada.

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