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SEM ASSUNTO RELEVANTE, O “DELEGADO PREFEITO” PAULO FEZ DA TENTATIVA DE DEPREDAÇÃO DO EQUIPAMENTO DE CAPTAÇÃO DE ÁGUA DO SAMAE EM GASPAR, ESPETÁCULO E MANCHETE ESTADUAL COMO SE FOSSE A MELHOR REALIZAÇÃO DO SEU GOVERNO ATÉ AQUI

Esta é a Gaspar que ainda não mudou e que maciçamente os eleitores e eleitoras pediram nas urnas em seis de outubro do ano passado para ser diferente. Muda, Gaspar! 

Enquanto na mesma semana em Blumenau o ex-subordinado de “delegado-prefeito” de Gaspar,  o prefeito de lá, delegado e ex-deputado estadual Egídio Maciel Ferrari, PL (que já atuou aqui como delegado), anunciava a compra do prédio da Unimed, na Ponta Aguda, para livrar o município de pesados alugueis – como possivelmente fará a Câmara de lá, Paulo Norberto Koerich, ainda vestido de delegado, denunciava à tentativa de vandalismo, bem no centro da cidade, por um grupo de jovens e adolescentes (de 13 a 20 anos) contra a única bomba de captação de água do Rio Itajaí Açú para a principal estação de tratamento de água da cidade e que fica aqui no Centro (a imagem é do press release da prefeitura de Gaspar).

Antes de ir adiante e no ambiente de comparações ou do “livre arbítrio”, a nova palavra do poder de plantão. 

Ao mesmo tempo em eu fazia estarbalhaço sobre a má conduta dos jovens em ambiente público, o “delegado prefeito” silenciava-se sobre o grave incidente acontecido na escola municipal Mário Pederneiras, na Lagoa, com crianças. Interessante. E mesmo assim, parte ponderável da cidade ficou sabendo do evento, com suas nuances e fantasias por falta de um relato oficial, via os aplicativos de mensagens. De quem? Dos próprios pais de alunos da escola. E por que? Por ordem do “delegado prefeito”, tudo foi para debaixo do tapete ao invés da transparência e de como isso, implicaria no aumento da segurança não só da segurança daquela escola interiorana, mas demais escolas, num processo preventivo, protetivo e de aprendizado.

Já sobre sair do aluguel, isto é um caso sério que ninguém por aqui quer tocar neste assunto. Há muitos interesses envolvidos.

A administração Kleber Edson Wan Dall, MDB, por exemplo, comprou da Furb, praticamente a vista, numa prefeitura com problemas de caixa, um milionário terreno que o próprio setor imobiliário dizia que não valia o que pagaram. Para que? Construir a prefeitura! Até agora, o atual mandatário que condenava o negócio, está obsequiosamente, silencioso

E na Câmara de vereadores? Há décadas, existe no Orçamento dela, uma rubrica fake para a “construção” da sua sede própria. Mas, quem tentou fazer isso, ou seja, construi-la, foi enterrado como político. Em Blumenau, os novos políticos de lá, também estão resolvendo este assunto e adaptando um prédio para ser a sede própria do Legislativo. Perceberam a diferença de discursos e atitudes entre os políticos vizinhos e os nossos? Eles são diferentes porque há mecanismos institucionais sobre eles. Simples assim!

“ESSES MOÇOS, POBRES MOÇOS/AH, SE SOUBESSEM O QUE EU SEI”

O intertítulo acima é cópia dos dois primeiros versos da canção do gaúcho Lupicínio Rodrigues sobre um amor frustrado. Nada a ver com a política, mas se encaixa naquilo que se esteve no nosso imaginário como um sonho de solução comunitária.

Não vou defender os juvenis que sempre foram assim como nós, meio rebeldes. É da natureza da experimentação, libertação e amadurecimento. Aconteceu comigo. Com o delegado. E quase todos vocês. São épocas. A impetuosidade se repete. Já a forma devido a multifatores ambientais são diferentes. 

Aliás, para tentar entendê-los – os jovens e adolescentes – nos dias de hoje, recomendo para quem possui acesso a Netflix, “Adolescência”. É curto. Quatro capítulos de mais ou menos uma hora cada um. Agora, uma pergunta que não quer calar: o que fazia essa gente as três horas da manhã. Onde estavam os pais? Mais, adiante chego neste ponto, pois não se trata de um caso de polícia como quer fazer crer falsamente o delegado a todos nós.

O que o “delegado prefeito” Paulo mostrou com a atitude reativa dele, repito, reativa, ao fazer um espetáculo midiático para dizer que está fazendo alguma coisa em Gaspar, lembrando que escondeu outro que daria tanta projeção quanto e ele sabia disso tanto que abortou?

Primeiro de que está sem assunto mais sério para mostrar à cidade, mas principalmente aos seus eleitores e eleitoras, os quais vão ficando desconfiados da sua capacidade de reverter o quadro caótico que ele diz – e até agora não provou -, que pegou de Kleber, e Marcelo de Souza Brick, ainda vagando no PP. Já registrei: o “delegado prefeito” sabia de tudo, ao menos nos discursos para não invocar as nossas conversas antes, lá na campanha. Então… 

Tanto que esta semana, depois de muito desgaste e de ser cobrado diante de tantas queixas, o “delegado prefeito” se dedicou a chamar ao seu gabinete lideranças, para se justificar, pedir apoio, pedir tempo e choramingar lágrimas de crocodilo. 

Sobre o que vai fazer para reverter, a maioria dos seus interlocutores saiu de lá todos frustrados e pior, sem peninha do queixoso. Afinal, quem queria ser prefeito foi ele. Quem disse que tinha condições de reverter o que reclama estar difícil de reverter, foi ele. Quem montou a equipe que o frusta neste intento de reversão, foi ele. Quem protege gente que clama por vingança usando o poder, sem estar nele, é ele. Nem mais. Nem menos.

Retomando.

Segundo. “O prefeito delegado” provou de que esta captação de água aqui no Centro continua mal protegida. Hoje foram vândalos. Mas, num futuro poderá haver até sabotagem diante de tanta vulnerabilidade que as imagens mostraram e que ilustraram o choramingo e a indigação do “delegado prefeito” no espetáculo mediático.

SEM FUTURO, AO QUE PARECE

Terceiro. De que não há contingências para o vandalismo, sabotagem e até mesmo as falhas eletro-mecânicas como já aconteceu no passado. Então o que mudou? 

E o “delegado prefeito” não aproveitou a oportunidade de ouro que se apresentou para, com os seus técnicos, “çábios”, bruxos e o próprio inerte Samae para anunciar uma melhor proteção ao equipamento e livrá-la de fatos tão fortuitos. Aliás, Gaspar está praticamente dependente desta captação e tratamento de água desta estação para abastecer quase toda a cidade, inclusive a Margem Esquerda. O que se esconde de verdade? De que se está asfixiando à expansão imobiliária, logística e industrial. Os investidores estão cientes disso como um problema muito sério.

Resumindo: o que é o vandalismo de jovens e adolescentes diante dessa ameaça concreta de colapso dos que pensam em investir e ficar na cidade? E neste assunto, o “delegado prefeito” não deu uma só palavrinha.

Quarto. Na verdade, o “delegado prefeito” Paulo Norberto Koerich, PL, ensaiou uma justificativa, usando um caso isolado, sem potencial que alardeou, e do qual o poder público tem significativa parcela de culpa, para alimentar uma outra sua ideia, como policial que é: a de criar a cara e não prioritária “secretaria de segurança para Gaspar” na Reforma Administrativa, que a contratou para estudá-la, sem licitação por R$250 mil reais, e que ao invés de reduzir, vai aumentar o número de secretarias, bem como ampliar as despesas da máquina pública, exatamente, vejam só, de quem choraminga por aí dizendo estar sem caixa. Impressionante. Essa gente não prega prego sem estopa.

Então a manchete que armou não foi nada ingênua. Ingênuos são os que acreditam de que aqueles jovens e adolescentes são “elementos” perigosos para a cidade e precisam de uma correção exemplar. É só ver como e quando estão depredadas as praças e áreas de lazer por jovens e adultos e ninguém até agora foi identificado, malhado, mancheteado nas mídias e punido. Então…

COMO MITIGAR, CONSCIENTIZAR E INCLUIR OS JOVENS E ADOLESCENTES À CIDADANIA

Quinto. Por que aqueles jovens e adolescentes promoveram aquele vandalismo, sabendo ou não do resultado desastroso que poderiam ter causado à população e à cidade? E independente daquele equipamento estar ou não desprotegido? Porque os governantes de Gaspar até aqui não olharam para o verdadeiro problema. E parece que o novo governo do “delegado prefeito” caminha também para o mesmo defeito e destino, desde que se tenha mais polícia, prisão e punição.

Somos uma cidade dormitório. Somos uma cidade problemática e para quem acha que eu exagero, é só ficar um tempo no Conselho Tutelar e acompanhar os trabalhos tanto do Ministério Público como o da Vara que cuida da Infância, Juventude, Adolescência e Família, no Fórum da Comarca. É pauleira. Por detrás de uma cidade de luzes coloridas, há trevas. E das brabas.

Então há dois campos de atuação: um reativo, profilaxia e encaminhamento para recuperação que é a secretaria da Assistência Social, até então usada para cabides de empregos (seu custo é maior do que os programas que executa) e o outro, é mitigador, conscientizador e inclusivo: a educação e o esporte, que ocupam o tempo dos jovens, socializam eles e permite-se, ao mesmo tempo, que se detectem, mais fácil e prematuramente, com diversos vieses técnicos, os problemas de ordem sócio-emocionais, afetivos, inclusivos e familiares.

Na Educação é preciso os turnos integrais nas nossas escolas (e até creches). É preciso o contraturno. É preciso especialistas dentro das salas de aulas, é preciso rodas de conversas, para perceberem melhores os jovens e sua inserção familiar, social e comunitária. Eles são feitos der sonhos e frustações. É a nossa experiência revisitada. Agora, querem por a polícia para resolver os problemas de adolescentes e jovens, como regra, naquilo que deveria ser exceção? Ai, ai, ai

Neste ambiente, o governo do “delegado-prefeito” está bem cercado de uma profissional, Andreia Simone Zimmermann Nagel, PL, se não boicotá-la, como fez precocemente com Charles Roberto Petry, PL, na Fundação Municipal de Esportes e Lazer, que em menos de três meses, o titular pediu as contas por falta de recursos, muita fofoca e pressão para diminuí-lo na capacidade técnica que toda a cidade o reconhece. Trocaram um técnico por um boleiro e por influência daquilo que não vai levar o governo do “delegado prefeito” a lugar nenhum. Então…

Encerrando. 

Só um tempo maior dentro da escola, num ambiente sem ou com menores toxidades, com cuidados preventivos à sinais de desvios sócio-emocionais, atrelada à complementariedade com muita atividade esportiva, amadora e de formação – não a de alto rendimento, feita de estrangeiros a Gaspar e que comem significativa soma de recursos da formação de base e contraturno – é que se pode impedir, diminuir ou conscientizar jovens e adolescentes de que depredar o que não é deles, o que é público, de todos nós é algo que os destrói na perspectiva de que precisam estar inseridos em desafios.

O mundo de hoje é bem outro (ainda bem) dos tempos da minha adolescência ou juventude, bem como do “delegado prefeito” e principalmente dos que o rodeiam com ideias primitivas. Charles Darwin nos ensina: não serão os mais fortes que sobreviverão, mas os mais adaptáveis. O novo governo além de práticas antigas, acha que possui a capacidade de mudar o novo ambiente onde estes jovens estão inseridos. Incrível.

E por isso,  que os seus bruxos, “çábios”, a equipe de comunicação do “delegado prefeito” com a sua aprovação, preferiram o espetáculo, à exposição, a cortina de fumaça àquilo que prometeu fazer e ainda não fez para e pela cidade. Ela acha que colocando uma guarda armada, cara aos gasparenses que tem outras prioridades não satisfeitas, como a simples roçação das nossas vias e praças, ao redor do equipamento que se tentou vandalizar, vai resolver o problema. Muda, Gaspar!

TRAPICHE

Então fica combinado assim: o Anel de Contorno da Grande Florianópolis da BR-101, foi uma obra do governo Luiz Inácio Lula da Silva, PT, como quer o presidente da sigla em Santa Catarina e presidente do Sebrae, ex-prefeito de Blumenau e deputado Federal, Décio Nery de Lima, no teaser que está mandado ver na mídia, como se todos nós fôssemos beócios.

E os trouxas, que por quase duas décadas sustentaram esta obra com os pedágios recolhidos no trecho norte da rodovia duplicada BR-101, foram solenemente excluídos. É por isso, que a Pesquisa Quest sobre Luiz Inácio Lula da Silva, PT,  e o governo, foi um atestado de óbito.

Uma parte disso se deve a arrogância influenciadora de Rosângela da Silva e outra está intimamente ligada como o STF livrou Lula e os implicados na Lava Jato e como persegue os implicados na depredação do oito de janeiro.

O que impressiona mesmo? Que 62% dos brasileiros consultados na mesma pesquisa não quer Luiz Inácio Lula da Silva, PT como candidato. E uma outra expressiva massa de brasileiros, Jair Messias Bolsonaro, PL, como candidatos. Uau! Os daqui, estão avisados. O mundo, mudou. O Brasil, mudou. Gaspar, mudou.

Explica aí I . A leitora Odete Fantoni postou isto: “A diferença entre Brasília e o nosso quintal? O CEP. Na terça passada, os nobres representantes do POVO acharam por bem ARQUIVAR TODAS AS IRREGULARIDADES DO GUVERNO KREBIS. Segundo o “senso comum”, Kleber não é mais um “agente político” e a Câmara, segundo suas “atribuições” se limitam a cassação do mandato do chefe do executivo municipal. Como ele já não ocupa mais o cargo, se encerram as prerrogativas da Câmara de Vereadores de GAXXPÁ. Mas não foram essas mesmas DENÚNCIAS que fizeram ELEITOS os políticos daqui? Não foi esse o DISCURSO em cima dos palanques eleitorais? Será que para os representantes do POVO os REPRESENTADOS são só os BOBALHÕES que acreditaram NELES?

Explica aí II. E eu retruquei. Pois é… Não é a toa que a cidade começa a descobrir que as farinhas são do mesmo engenho que continua no mesmo lugar, com as mesmas práticas.

Explica aí III. E Odete Fantoni me respondeu: E tem gente que acha que eu exagero quando digo que Fernandinho Beira Mar só está na cadeia porque errou de facção. Tanto é verdade que, até ele já percebeu isso: no pleito passado ele patrocinou e elegeu sua filha vereadora no RJ.

Explica aí IV. Esta tortura que está na cabeça dos que eu converso. Eles não entendem como a polícia com tanta falação dos que estão hoje no poder de Gaspar não foi atrás das daquilo que dizia desconfiar, quando está coalhada de operações ao nosso redor, incluindo Blumenau. E quando chegou o momento da polícia que se elegeu para ser governo pegar o que ela dizia ser errado, não pode. Tecnicamente, pode estar certo, mas o povo não entende. Explica aí!

Cedo demais. Sentindo o calor do caldo, o poder de plantão em Gaspar está estimulando enquetes favoráveis em suas redes sociais amigas, e ai das que se atreverem saírem da linha. Correrão o alto risco de terem que passar na delegacia para dar explicações. Perguntar, não ofende: as enquetes das bolhas com resultados marcados servem mesmo pra quê?

Eu tenho uma lista infindável, como normal e até gera queixas, de comentários, para o TRAPICHE. Entretanto, como venho registrando, estou lidando com problemas familiares que estão tomando mais tempo do que o previsto. Por isso, o comentário de amanhã, antecipo, mais, uma vez, para hoje.

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4 comentários em “SEM ASSUNTO RELEVANTE, O “DELEGADO PREFEITO” PAULO FEZ DA TENTATIVA DE DEPREDAÇÃO DO EQUIPAMENTO DE CAPTAÇÃO DE ÁGUA DO SAMAE EM GASPAR, ESPETÁCULO E MANCHETE ESTADUAL COMO SE FOSSE A MELHOR REALIZAÇÃO DO SEU GOVERNO ATÉ AQUI”

  1. Parece Gaspar. O “novo governo” eleito para fazer diferente. Está chorando. E reclama do passado. Mas, quem trouxe para mudar? Os que fizeram tudo errado no passado, como ele próprio classifica. Se não produziram resultados, por que estão no “novo” governo e dando as tintas. Muda, Gaspar!

    ARROGÂNCIA E TEIMOSIA NÃO VIRAM VOTOS, por Vera Magalhães, no jornal O Globo

    O evento de balanço dos dois anos de Lula 3 já estava marcado quando, na véspera, a mais recente rodada da pesquisa Genial/Quest mostrou uma terra arrasada para o presidente. Mas não é possível dissociar a decisão de reembalar o que foi feito desde 2023 da tentativa de convencer o eleitor de que ele está muito enganado quando avalia negativamente o governo. O risco é não convencer ninguém e ainda soar teimoso ou arrogante.

    Quando 80% dos entrevistados em todo o país dizem que Lula precisa fazer diferente do que vem fazendo, o mais prudente parece ser ouvir e entender, e não dizer que o problema é de comunicação — que há algo de maravilhoso que ninguém consegue entender ou valorizar como deveria.

    Basta lembrar que Lula já atingiu níveis de aprovação a seu trabalho superiores a 80%, e isso resultou na eleição de uma completa desconhecida do eleitor, Dilma Rousseff. Pesquisas são precisas em captar se uma gestão funciona, agrada ou entrega o que se espera naquele momento.

    Não necessariamente o que funcionou lá em 2006 ou 2010 é o que os brasileiros esperam em 2025, e é a falta dessa compreensão que tem feito o governo andar em círculos ou para trás, pelo menos desde o começo do ano passado.

    Um petista muito próximo a Lula desafia o coro dos contentes em caráter reservado ao advertir que não só o presidente não conseguiu furar a polarização — ser aceito por quem votou em Jair Bolsonaro em 2022 —, como agora enfrenta uma fissura em sua própria bolha, do eleitorado que é lulopetista há muito tempo.

    O evento de ontem pouco trouxe de respostas a esse público que, segundo a análise dos aliados, está furioso com a inflação, receoso de medidas como a desmentida taxação do Pix (desconfiado) e ressentido de outras como a real taxação do comércio eletrônico de produtos chineses, popularmente associado às blusinhas.

    O que está à mesa para falar ao bolso desse eleitor que está entre desconfiado, desesperançado e muito pistola só surtirá efeito a longo prazo, talvez tarde demais para resolver uma eleição que vai se configurando cada vez mais apertada.

    Ministros palacianos ainda acreditam que, de posse de mais informações sobre o que já foi feito, os eleitores darão valor ao terceiro mandato de Lula. Também se fiam noutra máxima que já foi verdade absoluta, mas hoje está em xeque: a vantagem do incumbente em eleições.

    Estão aí as eleições recentes aqui mesmo, no Brasil, mas também em países como Argentina e Estados Unidos para mostrar que ser incumbente parece hoje ser uma espécie de ônus, dada a dificuldade crescente de apresentar respostas satisfatórias a problemas econômicos, sociais e culturais no curto espaço de um mandato.

    A segunda parte da pesquisa Quaest, mostrando que Lula ainda vence os candidatos a herdeiros do bolsonarismo, pode até parecer uma boa notícia para o presidente, mas só se todo mundo quiser bancar a Poliana. Isso porque essa vantagem vem declinando, e Bolsonaro empata tecnicamente com o petista mesmo vivendo seu pior momento, já inelegível, réu e com uma provável condenação criminal no horizonte. Além disso, os postulantes a seu espólio ainda são largamente desconhecidos no território nacional.

    Dourar a pílula e insistir que o problema de avaliação de Lula decorre ou de falha de comunicação ou de incompreensão profunda do eleitor é culpar o mensageiro ou o receptor por falhas do emissor.

    Um dado deveria ser objeto de profunda autoanálise de Lula e de uma mudança para além da espuma de marketing: 50% acham que, quando o presidente vem a público e fala, as coisas pioram, em vez de melhorar. Para quem já foi chamado de “o cara” e já parou estádios para se fazer ouvir, é preciso uma avaliação realista e humilde do que está errado, e não só colocar um laçarote no que foi entregue e não agradou.

  2. Parece Gaspar. Aqui o marqueteiro é um time de bruxaria e a delegacia para os que teimam em dizer que nada está mudando.

    ATO EXPÕE LULA PERDIDO ANTE IMPOPULARIDADE, por Raphael Di Cunto, no jornal Folha de S. Paulo

    Quando você coloca o marqueteiro da eleição como o responsável pela comunicação do governo, o que acontece? O governo vive em constante campanha eleitoral.

    O presidente Lula alugou o maior auditório de Brasília nesta quinta-feira (3), instalou um enorme telão no palco e reuniu congressistas, militantes, servidores e todos os seus ministros para um “grande evento”: assistir às novas propagandas que serão lançadas para divulgar os feitos do seu terceiro mandato.

    Fosse um balanço de dois anos, estaria atrasado. Sendo a tentativa de retomada da popularidade do presidente, a “grande virada rumo à reeleição”, falhou. No máximo, serviu para que os ministros saibam o que os colegas estão fazendo.

    A aprovação do presidente despencou desde dezembro. Há inúmeras suspeitas sobre os motivos (influência dos algoritmos das redes sociais), alguns diagnósticos (inflação alta e percepção de que o governo se empenha mais em taxar as pessoas do que em cortar despesas) e muitas teses (comunicação ruim, falta de iniciativa do presidente, mudança cultural).

    O evento apresentou poucas soluções para atacar essas causas. Não bastasse o problema no áudio que estragou a sessão de cinema governamental, faltou conteúdo capaz de deixar uma marca, uma novidade a atrair a atenção do eleitor que hoje se entedia com vídeos de mais de 15 segundos.

    A cerimônia, com ações reempacotadas, teve ares de propaganda eleitoral ao vivo. Beneficiários de programas sociais foram entrevistados no palco e vídeos destacaram o papel do agro, das famílias e dos autônomos, além de comparações diretas com o governo Bolsonaro.

    A ideia de mostrar que Lula “reconstruiu a casa em ruínas” e que o eleitor terá mais benefícios ao mantê-lo como inquilino do Palácio do Planalto que se o antecessor voltar a morar lá falha no formato engessado, que não furará a cada vez mais reduzida bolha simpatizante ao petista, e ao mirar Bolsonaro como o adversário, quando tudo aponta que não será ele o real candidato.

  3. AS EMENDAS PIX TÊM DE ACABAR, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

    O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino tem se destacado por seu esforço para moralizar o dispêndio de bilhões de reais em recursos públicos por meio de emendas parlamentares – uma batalha que muitos antes de sua chegada ao STF julgaram estar perdida. Desde que assumiu a relatoria de ações em trâmite no Supremo que questionam a falta de transparência na indicação e no gasto dessas emendas, Dino tem sido tratado como um desafeto por alas do Congresso Nacional dispostas a tudo para manter o controle sobre cerca de R$ 60 bilhões do Orçamento da União apenas em 2025 ao abrigo de qualquer escrutínio.

    Na terça-feira passada o ministro, corretamente, aumentou um tanto mais o grau de irritação dos cupins da República, tanto com o STF como com ele, em particular. Dino determinou que, no prazo de 90 dias a contar do início de abril, Estados e municípios que receberam recursos públicos por meio de “transferências especiais”, as famigeradas emendas Pix, prestem contas de como gastaram um montante de bilhões de reais entre 2020 e 2023 sob essa rubrica orçamentária. As informações – relativas a nada menos que 6.247 planos de trabalho pendentes de envio, fruto de um acordo institucional que envolveu os Três Poderes – deverão ser prestadas a cada um dos ministérios que autorizaram os repasses aos entes federativos.

    Transcorrido esse novo prazo, ninguém poderá dizer que Dino não tenha sido razoável nem dado tempo suficiente para que patronos e beneficiários das emendas Pix organizassem a documentação necessária à comprovação do uso lícito desses recursos. Quem não cometeu irregularidade ou crimes – comuns ou eleitorais – na execução dessa dinheirama, em tese, não deve ter dificuldade para apresentar suas prestações de contas até o início de julho, como determinou o ministro. Quem não tem como explicar o destino que deu aos recursos públicos que recebeu, que arque com as consequências políticas e, sobretudo, judiciais de sua displicência, para dizer o mínimo.

    Com razão, Dino salientou que, malgrado todas as tentativas de conformar a disposição das emendas parlamentares com os princípios mais elementares da Constituição, o Congresso continua recalcitrante em cumprir “deveres básicos” para garantir transparência e rastreabilidade dos recursos públicos envolvidos. Ademais, o ministro comunicou que o eventual desrespeito ao novo prazo concedido por ele “implicará a configuração de impedimento de ordem técnica para execução de emendas parlamentares, sem prejuízo da necessária apuração da responsabilidade dos agentes omissos”. Ou seja, há um novo bloqueio de emendas à vista – e, consequentemente, uma nova frente de batalha entre Legislativo e Judiciário, com efeitos políticos evidentes sobre os rumos do Executivo e, principalmente, da agenda do País.

    É quase certo que o prazo não será cumprido. E, se for, é muito improvável que as prestações de conta cheguem aos ministérios com um nível de qualidade técnica que, de fato, dê ensejo a uma avaliação criteriosa sobre o destino que foi dado às emendas Pix entre 2020 e 2023. São duas as razões que nos levam a essa conclusão. Em primeiro lugar, está-se falando de emendas Pix que foram destinadas aos Estados e municípios há quase cinco anos, em alguns casos. Não será surpresa se os dados – supondo que eles existiram – tiverem sido perdidos no período. Ademais, houve mudança nos governos subnacionais de 2020 para cá, o que seguramente será apontado por muitos dos “devedores” dos tais planos de trabalho como pendências de seus antecessores impossíveis de serem sanadas agora – um comportamento de gestor público típico do Brasil.

    Em segundo lugar, o que Dino chamou de “desorganização institucional” é a razão de existir das emendas Pix. Fossem rastreáveis, as “transferências especiais”, de livre disposição pelos governos estaduais e municipais e supostamente voltadas ao atendimento de projetos “urgentes”, não despertariam tamanha volúpia entre seus defensores. É ocioso, portanto, esperar transparência nesse tipo de emenda. As emendas Pix simplesmente têm de acabar.

  4. A CORUJA, O LEÃO E AS HIENAS: LIÇÕES SOBRE O PODER, por Aurélio Marcos de Souza, advogado, ex-procurador geral do município de Gaspar (2005/08), e graduado em Gestão Publica, pela Udesc. Extraído das redes sociais do autor.

    No alto de uma acácia solitária, onde o vento sussurra histórias antigas, observo o mundo lá embaixo. Vejo o leão patrulhando suas terras, confiante em sua força. Vejo as hienas à espreita, rindo na escuridão, esperando o momento certo para atacar. E vejo, acima de tudo, o ciclo eterno do poder, onde nenhum domínio dura para sempre.

    O MITO DA SUPREMACIA
    O leão se julga invencível. Com sua juba dourada e seu rugido retumbante, acredita ser dono da savana. Mas do alto, eu enxergo algo que ele não vê: a paciência das hienas. Elas nunca enfrentam sozinhas, nunca atacam sem propósito. Isoladas, são cautelosas. Unidas, desafiam até o rei.

    Entre os humanos, o mesmo se repete. Governantes acreditam que seu poder é inabalável, magnatas julgam seus impérios eternos, generais confiam cegamente em seus exércitos. Mas o tempo, esse caçador silencioso, sempre prova o contrário. Os grandes reis caem quando os pequenos se organizam. Os poderosos sucumbem quando os desprezados se unem.

    A FORÇA DA UNIÃO
    Os fracos raramente são tão fracos quanto parecem. O leão pode vencer uma hiena, pode vencer duas… mas quando a alcateia inteira avança, a balança do poder se inverte.

    Na política, pequenos protestos podem parecer insignificantes, mas quando se transformam em multidões organizadas, derrubam impérios. Nos negócios, empresas gigantes desprezam concorrentes menores, até que eles se unem e rompem seu domínio. Nas guerras, exércitos poderosos subestimam adversários, apenas para serem vencidos por táticas que não compreenderam.

    A LIÇÃO DO PODER
    Todas as noites, enquanto observo o mundo da copa da minha acácia, vejo a mesma história se repetir. O leão, confiante demais, ignora os sinais da ameaça. As hienas, pacientes, aguardam. E quando ele percebe o perigo, muitas vezes já é tarde demais.

    O maior erro dos poderosos é acreditar que a força basta. Mas força sem vigilância é fraqueza. Nenhum trono está seguro quando as hienas da insatisfação começam a se organizar. “Nenhuma coroa pesa mais do que o peso da arrogância”.

    E assim, eu continuo observando. Porque na dança do poder, o rei que não aprende a ver além de si mesmo está sempre a um passo de se tornar presa.

    Este texto não é apenas uma fábula sobre a natureza selvagem. É uma reflexão sobre o cotidiano, sobre o jogo de forças que acontece em todos os lugares – na política, nos negócios, nas relações humanas. “POIS, NO FIM, A SAVANA E O MUNDO DOS HOMENS NÃO SÃO TÃO DIFERENTES ASSIM.”

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