Artigo e notas alterados e corrigidos às 11h52min deste 12 de fevereiro de 2025, Informação acrescentada às 12h12min deste 12.02.2025. Definitivamente, todos os textos que escrevi com antecedência para serem postados tão logo o “delegado prefeito” Paulo Norberto Koerich e o engenheiro Rodrigo Boeing Althoff, ambos do PL, tomassem posse, estão desatualizados e descontextualizados. Eles foram sendo “engolidos” pela realidade diferente e eu pela atualidade da falta de ação da nova administração, a qual na campanha eleitoral prometia ser um gerenciador mudanças e só por isso, foi eleita com expressiva maioria de votos em outubro do ano passado.
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Esta semana, o ex-prefeito Adilson Luiz Schmitt (2005/08), filiado ao MDB e eleito na primeira aliança do sapo com a cobra, o PP, via o empresário Clarindo Fantoni, veio a público, e como sempre, sem papas na língua. Ele colocou às claras algo tão simples que está faltando ao “delegado prefeito” Paulo: ação e respostas aos eleitores e eleitoras que queriam mudanças ao que estava aí. Paulo está chorando, apontando falhas, desorganização e prejuízos da gestão anterior. Mas, isso, todos já conheciam há tempos. Paulo não está apontando as soluções, muito menos está prendendo ou arrebentando como fazia nos tempos de policial, e que no fundo é o que quem votou nele queria ver neste tipo de circo.
Antes de ir para o texto que o ex-prefeito Adilson postou na sua rede social esta semana, é preciso fazer um breve contexto.
Adilson tentou romper com os que armaram a sua eleição e se deu mal. São os mesmos que elegeram Paulo e não queriam Rodrigo na cabeça, a qual ele insiste em ser de fato, numa perpetuada afronta. Adilson pagou caro pelo gesto que fez. Teve que sair do MDB, peregrinou no PSB e PPS, foi isolado e sofreu derrotas nas urnas – sem o apoio dos donos da cidade -, bem como, apesar de ter tentado, não conseguiu ainda ressurgir politicamente das cinzas.
Os empresários nunca o perdoaram: do DEM ele foi deletado em segundos por quem também, reconhecidamente possui muito papa língua e likes bolsonaristas nas redes sociais, mas por duas vezes seguidas, provou nas urnas ser um impressionante carente de votos.
Antes de ir para o texto que o ex-prefeito Adilson postou na sua rede social esta semana, é preciso acentuar que Adilson ainda é do mesmo PL de Paulo, Rodrigo e Bernardo Leonardo Spengler Filho, este bem nascido no MDB gasparense. É preciso dizer que Adilson queria renascer politicamente sem, quem mais o impedia a isso, seu ex-sogro, ex-prefeito e o eterno presidente de honra do MDB de Gaspar, Osvaldo Schneider, o Paca (1973/77 e falecido no dia sete de maio de 2022). Adilson, achando-se leve e solto, candidatou-se a vereador, mas na mesma semana do lançamento da sua concorrida candidatura, anunciou oficialmente à renúncia, alegando pressões de quem? Do velho MDB, via os empresários que ainda não o perdoaram naquilo que fez sem a tutela deles há quase 20 anos. Foram acusados em uma entrevista a rádio Sentinela do Vale que foi dar em rumorosos casos na Justiça; poucos ainda rolam lá. O que rola de verdade é a morte política de Adilson. Ela, pelo jeito, terá que ser eterna e já se sabe, passa de geração para geração.
Antes de ir para o texto que o ex-prefeito Adilson postou na sua rede social esta semana é preciso esclarecer que, Adilson, depois de criar a candidatura do empresário Oberdan Barni, ainda filiado ao Republicanos, convencido, se juntou à campanha Paulo e Rodrigo. Adilson, com o gesto, estava autoconvencido, por outro lado, de que estaria no jogo se Paulo e Rodrigo fossem os vencedores. O primeiro baque veio com a exclusão dele na quase corrida para a vereança e que não teve nenhuma, mesmo que disfarçada, solidariedade dos candidatos a prefeito e vice do PL, muito menos do presidente do partido. O segundo, passada a eleição, sem votos na guaiaca, Adilson, médico veterinário, ficou na rua da amargura a uma pretensão dele – e amigos – de ser secretário de Agricultura e Aquicultura, a que enterra políticos. Nem recebido pelos eleitos Adilson foi até agora.
CADÊ A ESQUIPE DE TRANSIÇÃO QUE NÃO VIU NADA
Este é o texto do ex-prefeito Adilson Luiz Schmitt e que ganhou as redes sociais esta semana. Cirúrgico. Retrata decepção não só dele, mas de parte dos eleitores e eleitoras gasparenses. Paulo e Rodrigo estão perdendo o timming e de dentro da bolha do poder, não estão percebendo isso.
“A Nova Administração reclama que pegou tudo quebrado, certo. Mas só para lembrar, em 21 de novembro de 2008, faltando 40 dias para encerrar o nosso mandato [já tinha perdido as eleições para Pedro Celso Zuchi, PT]. Enfrentamos uma das maiores catástrofes climáticas de SC…
Entregamos tudo pago e funcionando. Claro que algumas estradas e pontes levaram mais de um ano para serem resolvidas. Contas pagas e mais de R$ 2.500.000,00 em caixa. Lembrando que na época, a arrecadação mensal era de 5 milhões de reais. Totalizando R$ 60 milhões por ano [hoje a estimada é de R$510 milhões, enxerto meu, para comparação de números apenas].
Acima [fotos que ele postou na rede social para ilustrar a opinião dele] temos alguns registros do que ocorreu, em novembro de 2008, perdemos a Escola Angélica Costa, sem falar nas 22 vítimas fatais. Lembro ainda, que na Cascata Cascaneia, haviam mais de 600 alunos do Paraná, que estavam comemorando a sua formatura.
Ficar só pelos cantos choramingando, que tá difícil. Cadê a Equipe da Transição, que nada viu, pediu e ou analisou… Daqui a pouco chegamos a 100 dias de Governo e pouco ou quase nada terão para mostrar.
Arregaçar as mangas, cobrar resultados e acima de tudo compromisso com o Município de Gaspar.
Também serve para os nobres Edis, que façam as suas atribuições: fiscalizar, legislar e representar a Comunidade.
Os eleitores votaram por mudanças. Gaspar, Cidade Coração do Vale! Um grande abraço! Adilson Luís Schmitt, ex Prefeito de Gaspar, gestão 2005 – 2008“
Perceberam? Iniciei o texto fazendo todas as ressalvas, mas elas não podem esconder uma clara constatação: as bengalas não podem ser agora usadas como desculpas para o “delegado prefeito” Paulo, a todo momento – e isto ficou evidente, mais uma vez na entrevista que ele deu na terça-feira pela manhã a Joel Reinert e Paulo Flores, na 89 FM – como sendo dificuldades, as quais ele alega ter herdado da administração de Kleber Edson Wan Dall, MDB.
Foi exatamente apostando na capacidade de superação dessas supostas dificuldades e nas mudanças prometidas, que a esmagadora maioria dos gasparenses escolheu Paulo. Porque se esta maioria estivesse satisfeita com o que estava aí, o vice e o candidato da continuidade, Marcelo de Souza Brick, PP, teria vencido esta disputa. Simples assim!
Na terça-feira à noite, o “delegado prefeito” Paulo esteve reunido fraternalmente com um grupo de empresários apoiadores dele. Espera-se, que o grupo não tenha feito apenas pedidos do interesse do grupo, mas, principalmente, aberto os olhos para a mudança de postura do “novo” governo, como se sabe, preservou a maioria dos que ajudou a afundar a barca de Kleber, Luiz Carlos Spengler Filho e Marcelo. E isto é dito de boca cheia pelo próprio Kleber e os seus quando querem desqualificar os atual mandatários ou rebater acusações contra a ex-administração. Se era tão ruim, por que não mudou? Muda, Gaspar!
TRAPICHE
A manchete da farra. Mais de 80 prefeitos de Santa Catarina estão em Brasília na tal Marcha dos Prefeitos. O “delegado prefeito” de Gaspar, Paulo Norberto Koerich, PL, não está entre esses 80. Ufa! O que fazem milhares de prefeitos juntos “marchando” em Brasília? Festa e comendo as diárias, a maioria de municípios muito pobres ou endividados.
Sem polêmica. O “delegado prefeito” Paulo Norberto Koerich, PL, decidiu com a secretária de Educação, Andreia Simone Zimmermann Nagel, que vigorará em Gaspar a lei federal que restringe o uso de celulares nos ambientes escolares. Esta decisão já está sendo tomada em quase todos os municípios que não querem polemizar no assunto. Blumenau, por exemplo, fez o mesmo. Vale a lei maior.
Com polêmica I. O presidente do Samae, Cicero Giovane Amaro, PL, funcionário de carreira na autarquia, pediu a volta ao Samae do encanador motorista Evandro Sérgio Luz, cedido desde 2019 para a secretaria da Saúde, onde era, até semana passada um dos motoristas dela. Apesar das diferenças ideológicas, Cícero na composição operacional do Samae, preferiu não polemizar e adotou os que entraram nela como “encanadores” e nunca exerceram esta função. A alegação para esta volta do encanador motorista, todavia, é polêmica. Alegou-se que é necessária uma correção de desvio de função. Evandro está há 17 anos como motorista.
Com polêmica II. O que está por detrás desta transferência? Evandro Sérgio Luz, identificado com as administrações do PT, foi também identificado pelo secretário Arnaldo Gonçalves Munhoz Júnior e a administradora Jussara da Costa, como líder da greve que deixou há duas semanas a secretaria sem motoristas, inclusive de ambulâncias. O “delegado prefeito” Paulo Norberto Koerich, PL, com faro de investigador e sob malho, teria determinado cortar “o mal pela raiz”. E assim foi feito.
Com polêmica III. Este assunto promete não parar por aí. Gravações disponibilizadas mostram que a atual administração mandou os motoristas pagarem os pedágios com o dinheiro da diária deles. Flagrantemente, isso não pode. Uma coisa é uma coisa. A outra, é outra coisa. Há casos em que pacientes, diante das queixas dos motoristas, condoídos pela choradeira, eles próprios pagaram o pedágio. Credo!
Com polêmica IV. Se a ordem é a de colocar todos os funcionários efetivos no seu devido lugar para o qual prestaram concurso ou foram contratados, eu pessoalmente, penso, ser isto o mais correto. Todavia, há incoerências, ou perigosas exceções a este discurso. Ou seja, sobra incoerências, mais uma vez. No artigo de segunda-feira, por exemplo, mostrei que o próprio governo de Paulo Norberto Koerich e Rodrigo Boeing Althoff, ambos do PL, nomearam um correligionário na secretaria de Fazenda e Gestão Administrativa e o colocaram na secretaria de Agricultura, onde não existia esta vaga, no vencimento que queria, para ele o nomeado.
Com polêmica V. Outro áudio, mostra a discussão do atual secretário da Saúde, quando ele estava na ponta do setor no governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, decidindo comprar, exageradamente na quantidade, por preços fora da realidade, desinfetantes para mitigar a contaminação por Covid no ambiente da Saúde, da Educação e da própria prefeitura em si. Aliás, este caso, por pouco não deu em CPI, na época. Isso pode não terminar bem se, realmente, o atual prefeito exercer a sua ex-função de bom investigador policial.
Com polêmica VI. Este setor de ambulâncias na prefeitura de Gaspar retrata bem o que é tido pela atual administração como “a desorganização herdada” não só do governo anterior, mas de décadas acumuladas de jeitinhos. Um dos motoristas, por exemplo, possui 1.600 horas acumuladas para compensação, afora a licença prêmio. Ulalá. Alguém permitiu. Alguém protegeu. Alguém se descuidou. E tudo isso tem consequências financeiras, incluindo desgastes políticos e funcionais para os superiores de hoje, obrigados à soluções, ou mudanças.
Uma observação de um entendido I. Carlos Tonet já foi repórter e editor da página policial dos bons tempos do falecido Jornal de Santa Catarina, de Blumenau. Sobre o prefeito de lá, Egídio Maciel Ferrari, PL, e o daqui, Paulo Norberto Koerich, PL, ambos policiais e ex-delegados, estarem nas ruas limpando suas cidades: “o prefeito de Blumenau revelou o seu talento no uso de soprador de folhas. O prefeito de Gaspar é um mestre em roçadeira“.
Uma observação de um entendido II. E Carlos Tonet, acostumado com os velhos resolvedores ou então, enroladores de casos nas delegacias de polícia concluiu: ” tenho, basicamente, uma grande preocupação: se os prefeitos estão por aí roçando e soprando folhas, quem está administrando as prefeituras?” Como se vê, não estou sozinho. Nem eu, nem grande parte das cidades que os elegeu para mudanças. Lá em Blumenau, ao menos, o ex-subordinado de Paulo está dando uma de Adilson. E com faro de investigador, está deixando gente coroada por anos, amoitada. Querem saber se ele só late, ou se late e realmente morde.
Duas observações. Do gabinete do “delegado prefeito” Paulo Norberto Koerich, PL. A primeira: sumiu aquele banner, horrível esteticamente, da tal Capital Nacional da Moda Infantil. Ao menos, nas fotos, parece que, com bastante atraso, há uma descontinuidade visual do governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB. A segunda: o “delegado prefeito” foi a Brasília falar com a Caixa Econômica Federal. Esta semana, a Caixa veio ao seu gabinete. Então…
O novo organograma executivo da Fecam – Federação de Consórcios e de Municípios Catarinenses – e disponível no site da entidade mostra que o diretor administrativo Jorge Luiz Prucino Pereira, PSDB, colocado lá pelo ex-presidente da entidade, Kleber Edson Wan Dall, MDB, sumiu.
Uma entrevista real, feita entre dois políticos: um de Gaspar e outro do médio Vale do Itajaí. Este se aposentou da política e é empresário bem sucedido no litoral. Qualquer semelhança com o que escrevo não é mera coincidência, mas outra evidência daquilo que alguns eleitos se negam a enxergar e que enxergam melhor, mas quando fora do ambiente político-administrativo “Se o gestor não tiver coragem… se não assumir riscos, ir para cima porque é dominado pelo medo, MP, Justiça e por último, o povo, nada será permitido e sempre vai ter alguém reclamando. Ser prefeito é ter coragem; é resolver problemas; os reais…não aqueles pra agradar uma bolha da rede social“.
“É só olhar para o governo de Jorginho [Melo, PL]. Qual obra? Qual grande projeto? Qual mudança? Pode pegar qualquer ponto administrativo que não se vê vantagem [resultado diferencial]. Vamos lá. Ele não fez tanta obra, mas arrumou a casa (contas públicas). Fake: pegou um governo redondo e com dinheiro em caixa“
E o exemplo segue com Jorginho de Melo, PL. “Ele organizou o funcionalismo público. Fake. Aumentou o número de cargos comissionados comparado ao último governo [Carlos Moisés da Silva, Republicanos]. Antes só assumiu cargos comissionados com critérios técnicos (formação) e sem problemas judiciais. Hoje, qualquer um assume qualquer coisa“.
E para encerrar sobre o mesmo assunto sobre o pior governo que se faz em Santa Catarina e do mesmo autor, que preservo o anonimato, pois não fui autorizado a nominá-lo como fonte: “Pegou um governo sem projetos. Fake. Pegou um governo com várias obras em andamento, obras licitadas, obras começadas. Era só dar sequência. Paralisou todas. Cancelou várias licitações. E não conseguiu gerir para dar sequência ao que se tinha, atrasando o crescimento do estado“. Tomara que sendo padrinho da atual administração de Gaspar, o governador Jorginho Melo, PL, não faça escola por aqui. Muda, Gaspar!
9 comentários em “ADILSON SAIU DO SILÊNCIO E DEU CONTORNOS DE COMPARAÇÃO SOBRE AS DIFICULDADES E A EVIDENTE FALTA DE AÇÕES DA NOVA ADMINISTRAÇÃO DE PAULO E RODRIGO, O QUE A TORNA PERCEBIDA, PRECOCEMENTE, COMO FRÁGIL JÁ NO PRIMEIRO MÊS DE GOVERNO: “COMO PREFEITO DE GASPAR ENFRENTEI UM DOS MAIORES DESAFIOS!””
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O “VALE-TUDO” DOS PENDURICALHOS, editorial do jornal O Estado de S. Paulo
Ao barrar o pagamento retroativo de um penduricalho a um juiz federal de Minas Gerais, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), teceu duras críticas à profusão de benefícios autoconcedidos pelo Judiciário. Em uma decisão de apenas cinco páginas, Dino afirmou que há um “inaceitável ‘vale-tudo’” na criação de auxílios que culminam nos chamados supersalários, violações grosseiras do teto constitucional para remuneração dos servidores públicos.
No caso concreto, o juiz pleiteava receber desde 2007 um auxílio-alimentação criado em 2011. O magistrado fora atendido em instâncias inferiores, mas, ao julgar um recurso da União, Dino disse que não cabe ao Judiciário conceder auxílios, além de emitir considerações que, a bem da moralidade pública, deveriam sensibilizar seus colegas de toga.
Esse penduricalho nasceu de uma resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), editada para espelhar auxílios do Ministério Público (MP) à magistratura. Justifica essa medida uma tal simetria entre as carreiras, segundo a qual juízes e membros do MP têm direito aos mesmos benefícios.
Ocorre que, com base nesse argumento, passou-se a irrigar os contracheques de juízes com os mais diversos tipos de pagamento. E, para Dino, não são razoáveis as “infinitas demandas por ‘isonomia’” entre as carreiras jurídicas que, na prática, impedem a “organização, congruência e previsibilidade no sistema de remuneração”.
Tantos são os penduricalhos criados, e não raro de forma opaca, que a sociedade é sempre surpreendida com essas benesses. Chamadas de indenizações, elas burlam o Imposto de Renda e o teto constitucional, hoje de R$ 46,4 mil, o salário de um ministro do STF. Essa falta de transparência não passou despercebida pelo ministro.
Segundo Dino, “hoje é rigorosamente impossível alguém identificar qual o teto efetivamente observado, quais parcelas são pagas e se realmente são indenizatórias, tal é a multiplicidade de pagamentos, com as mais variadas razões enunciadas (isonomia, ‘acervo’, compensações, ‘venda’ de benefícios etc)”. De uns tempos para cá, proliferaram, por exemplo, penduricalhos para compensar juízes por um alegado excesso de trabalho com a concessão de folgas que podem ser convertidas em dinheiro.
Como este jornal revelou, há ainda a “dezembrada”, quando, em fim de ano, os cofres do Judiciário são abertos para bancar toda sorte de privilégios incompatíveis com a própria ideia de República. Não à toa, Dino citou um “auxílio-alimentação natalino” como sinônimo do “vale-tudo”. Impossível não lembrar o “vale-peru” de até R$ 10 mil pago aos servidores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT), a título da “cobertura das necessidades nutricionais diárias da pessoa humana, com dignidade”. Dino destacou ainda que o Judiciário não pode driblar o Legislativo no que concerne à autoconcessão de benefícios, pois seguir a Constituição e as leis é uma “orientação fundamental para evitar abusos, como rotineiramente tem sido noticiado acerca de pagamentos denominados de ‘supersalários’”.
Quando um ministro do STF chega à conclusão de que há tanta coisa fora do lugar, passou da hora de o País discutir seriamente o fim desses penduricalhos. Não se trata, como disse há poucos dias o ministro Luís Roberto Barroso, presidente da Corte, de críticas “injustas” ou “fruto da incompreensão do trabalho dos juízes”, até porque Dino conhece bem a magistratura. Antes de enveredar pela política e de chegar ao STF, Dino foi juiz federal e presidiu a Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe).
Ainda não é possível dizer se Dino é uma voz isolada no STF, se catalisou um movimento de indignação na Corte ou se está alinhado com o governo Lula da Silva, que chegou a propor limites aos supersalários, o que levou à reação imediata e refratária no Judiciário. O que se pode afirmar é que, num movimento raro, um integrante da mais alta Corte do País manifestou desconforto com o que grande parcela de seus colegas de toga parece não se incomodar há tempos. E só isso basta para que os recados dados por Dino nos autos recebam a atenção de seus pares.
Há alguma dúvida? Se até onde se devia abalar este poder paralelo se vende e se fabrica sentenças. E este diagnóstico aparece exatamente quando o PT é poder novamente e com seu líder maior, Lula. Não é mera coincidência. É uma visão de mundo dos negócios e do estado
O BRASIL VOLTA A SER VISTO PARA CORRUPTOS, editorial do jornal O Globo
O Brasil obteve no ano passado a pior colocação no ranking sobre percepção de corrupção da ONG Transparência Internacional desde que ele começou, em 2012. Há dez anos, estava no mesmo patamar de Bulgária, Grécia, Itália e Romênia. De lá para cá, todos melhoraram. O Brasil foi exceção. Agora estamos empatados com Argélia, Nepal e Níger. No Judiciário, o desmonte do combate à corrupção ficou patente em decisões favoráveis a implicados pela Operação Lava-Jato que haviam confessado crimes. Em vez de corrigir os erros da operação, optou-se por anulações indiscriminadas. No Legislativo, o inchaço das emendas parlamentares passou a irrigar esquemas de desvio de dinheiro público. Não surpreende que o Brasil tenha despencado da 69ª posição, alcançada em 2012, e hoje esteja no 107º lugar entre os 180 países avaliados no ranking da Transparência.
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), é apontado pelo relatório da Transparência Internacional como responsável pelas decisões de maior impacto negativo no Judiciário. Em 2023, ele anulou sozinho as provas do acordo de leniência da Odebrecht. Sua decisão monocrática, segundo a Transparência, “produziu efeito devastador em 2024, levando à anulação de mais de uma centena de casos no Brasil e beneficiando outros réus em, pelo menos, uma dezena de jurisdições estrangeiras”. Nos dois últimos anos, Toffoli suspendeu multas bilionárias do grupo J&F e da Odebrecht e negou-se a levar os casos para a apreciação do plenário da Corte. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, recorreu de quase todas as decisões, mas até o momento o STF pouco — se algo — fez para analisar os recursos.
Faz tempo o Legislativo tem sido uma usina de escândalos relacionados a emendas parlamentares. O ano passado não foi diferente. Entre 2022 e 2024, o orçamento empenhado em emendas cresceu 63%, chegando a R$ 46 bilhões. Nenhum Parlamento no mundo destina gastos na mesma proporção. A anomalia prima pela opacidade. Deputados e senadores fazem o que podem para esconder quem toma as decisões e o destino dos recursos. Depois de as emendas do relator que alimentavam o “orçamento secreto” serem julgadas inconstitucionais em 2022, os parlamentares passaram a usar as emendas de comissão para dirigir os recursos, um subterfúgio para impossibilitar a identificação do “parlamentar patrocinador”. Episódios escabrosos de desvios e corrupção aparecem sempre que há esforço maior de investigação.
A Transparência elogia as decisões do ministro Flávio Dino, do STF, relativas às emendas. Em decisões monocráticas depois confirmadas por seus pares, Dino tem defendido a transparência e a rastreabilidade do gasto público. Cada movimento do Congresso para tentar justificar o gigantismo e a opacidade das emendas aumenta a convicção de que algo de errado ocorre no Brasil. Pelas declarações dos recém-empossados presidentes da Câmara e do Senado, prosseguirá o embate do Parlamento com a Constituição. As tentativas de enfraquecer a Lei da Ficha Limpa e de anistiar os golpistas do 8 de Janeiro em nada contribuem para atenuar a percepção de leniência com a corrupção. A queda do Brasil na lista da Transparência poderá ser ainda mais vergonhosa.
E o que dizer dos novos vereadores? Só causando nas redes sociais atrás de likes! Tem vereador contestando dados da própria prefeitura e denegrindo servidores.. sendo que ele é da situação!
Eu exclamo, credo!
Mas, avisei que esses novos representantes do povo em Gaspar estavam num palco
Se não se cuidarem, logo descobrirão que estão num picadeiro fazendo acrobacias
DE PEDRO II@EDU PARA LULA@GOV, por Elio Gaspari, nos jornais Folha de S. Paulo e O Globo
Estimado presidente,
Li que vosmecê prepara uma reforma do ministério e resolvi lhe escrever, com um aviso amargo: as trocas de ministros são um pesadelo inútil e, ao cabo, de nada adiantam.
Imagine que, na manhã de 23 de julho de 1890, acordei bem, mas havia-me sucedido uma coisa que não acontecia havia anos. Eu havia sonhado, e mal infelizmente, com a maçada da organização ministerial. Em quase 50 anos, passei por aquilo 36 vezes.
Naquele dia, se eu não tivesse sido deposto e desterrado, teria completado 50 anos de reinado em nossa terra. A maçada da organização do ministério assombrou-me quando levava uma vida de paz e rotina na Riviera Francesa. Meus dias eram cronometrados.
Acordava, lia e logo tomava uma ducha. Passeava e, sempre à mesma senhora, comprava um ramalhete de flores para minha filha Isabel. Almoçava no hotel, fazia uns versos, jogava bilhar, lia de novo, tomava chá e ia para a cama. Com uma vida dessas, não sonhava, mas logo nessa noite veio-me o pesadelo da maçante organização ministerial.
Os gabinetes do meu reinado diferiam dos seus, como presidente, mas, na essência, tinham o mesmo objetivo: assegurar a maioria no Parlamento.
Certas atitudes de ministros podem surpreendê-lo. Como me contou o Caxias em 1862, eles concordam conosco durante as audiências e depois queixam-se nos corredores. Eu nomeava ministros para uma pasta, pedindo-lhes que cuidassem do bem público, mas, uma vez na cadeira, buscavam criar patotas.
No meu tempo, os partidos eram só dois, consigo, são 29. Não posso imaginar situação mais infernal, mas hoje, como antes, todos esperam que o atual ministério caia e, qualquer deles subindo ao poder, tenham meios de eleger facilmente sua gente.
Outro dia, joguei bilhar com o general João Baptista Figueiredo, e ele contou-me uma curiosidade. Nas organizações ministeriais, todos oferecem nomes de amigos, sócios ou mesmo patrões, mas, na conta dele, só houve um caso de o cidadão oferecer seu próprio nome. Foi o Roberto Campos, querendo ser ministro do Exterior. (Vosmecê implica injustamente com o neto dele.)
Os jornais dizem que o senhor se tranca nas conversas sobre mudanças no ministério. Faz muito bem, dissimule sempre. Eu não revelava meus pensamentos nem aos meus cadernos; e cheguei a registrar isso. Nunca perdoei o Getúlio Vargas pelas indiscrições de seu Diário, quer pelo que fazia com os ministros, quer pelas escapulidas para ver a bem-amada.
Vosmecê mexerá no ministério, mas esteja certo de que adiantará pouco para seus planos. Veja meu caso, tive 36 gabinetes, e tudo continuou na mesma. As grandes questões do meu tempo, o fim do contrabando de negros e a Abolição da escravatura foram resolvidas atropelando o ministério e o Parlamento. A primeira, pela ação da Inglaterra. A segunda, pelo clamor do mundo, das ruas, pelos vazios do campo e pela conduta da Isabel.
Despeço-me desejando-lhe sucesso e pedindo-lhe que cuide de sua saúde. Tenho-o achado um pouco avelhantado. O Mota Maia e o Charcot, que cuidavam de mim, dizem que o senhor vai bem, ressalvando o perigo do abatimento ou de acreditar naqueles que nos dizem que podemos fazer o que bem entendemos.
Do seu patrício,
Pedro de Alcântara.
FUGA PARA FRENTE? por Vera Magalhães, no jornal O Globo
As últimas semanas têm sido pródigas em balões de ensaio com saídas para lá de heterodoxas para resolver impasses políticos, judiciais ou institucionais. Das condenações do 8 de Janeiro à expectativa diante da iminente denúncia de Jair Bolsonaro, ex-ministros, militares e outros assessores pelas tratativas para um golpe ainda antes da posse de Lula, passando pelo imbróglio das emendas, muita gente parece empenhada em desenhar uma “fuga para a frente”, como bem definiu um observador com vista para a Praça dos Três Poderes.
A expressão, de origem francesa, costuma designar aqueles movimentos para tentar resolver um problema escondendo o passivo debaixo do tapete. Nesse balaio, sobram ideias à procura de quem as leve adiante. Pouca gente responsável pelos desígnios do Legislativo ou do Judiciário acredita que alguma delas prospere.
Ao minimizar os atos de janeiro de 2023, o recém-empossado presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), procurou apenas dar alguma satisfação a seus eleitores bolsonaristas. O mais provável, de acordo com seu entorno e com a expectativa do Planalto, é que ele se concentre, daqui em diante, em fazer andar a pauta econômica, depois de um ano, 2024, em que a Casa ficou sequestrada pelo barulho ideológico de suas comissões permanentes.
As declarações do ministro da Defesa, José Mucio, no Roda Viva, sugerindo que deveria haver dosimetria das penas para os condenados por aqueles atos, até causaram certo burburinho nos gabinetes de Brasília ao longo desta terça-feira, mas, no fim do dia, a conclusão era que ele procurou apenas fazer um aceno aos militares, ansiosos diante da expectativa da apresentação da denúncia de Paulo Gonet no inquérito do golpismo bolsonarista — que pode atingir até 25 oriundos das Forças Armadas, da ativa ou da reserva.
No Supremo Tribunal Federal (STF), os ministros não se comovem com o zum-zum-zum pré-denúncia de Gonet. Acreditam que a pressão bolsonarista tem “chance zero” de alterar tanto as condenações já decididas dos executores da nossa versão do Capitólio quanto os rumos do julgamento do ex-presidente e daqueles que participaram com ele das maquinações para não passar o poder a Lula — e outras piores, como o plano lunático de assassinar o presidente eleito, seu vice, Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes.
Se, na esfera penal, os caminhos estão interditados para acordos que signifiquem a tal “fuga para a frente”, na novela das emendas, a disposição parece ser maior em todos os palácios envolvidos. O ministro Flávio Dino ainda dispõe de ampla maioria para cobrar a execução do acórdão firmado pelo STF para dar às emendas Pix e de comissão a transparência e rastreabilidade exigidas, mas a Corte não pretende ficar indefinidamente comprando briga com Senado e Câmara enquanto o próprio governo Lula adota postura dúbia, para dizer o mínimo, em relação à captura do Orçamento pelo Congresso.
O mais provável é que se chegue a um entendimento quanto ao futuro das liberações, para que elas não fiquem sujeitas a paralisações de tempos em tempos por ordem de Dino, e que o “passado”, os eventuais desvios cometidos nos tempos em que o dinheiro fluía sem freios nem muitas digitais, seja resolvido pela Polícia Federal — e esse, por mais que signifique algum entendimento, ainda é um cenário que tira o sono de muita gente.
Essa solução pode não ser suficiente para dar a Lula um horizonte de convívio pacífico com o Legislativo. Todos os esforços do presidente e dos ministros nos últimos dias parecem ser nesse sentido, mas a fumaça branca só virá mesmo quando o bode das estimadas emendas for tirado em definitivo da sala.
CASUÍSMO SEM DISFARCE, editorial do jornal O Estado de S. Paulo
Autor do projeto que busca reduzir o tempo de inelegibilidade de políticos condenados pela Justiça, o deputado federal Bibo Nunes (PL-RS) não hesitou em exibir a natureza sabuja de suas intenções. Em suas redes sociais, o deputado postou foto em que aparece reunido com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e explicitou o tema da conversa: oito anos de inelegibilidade, exigência atual da lei, “é tempo que permite muita injustiça”, segundo palavras do parlamentar. A imagem, contudo, é tão explícita quanto a legenda da foto, pois nela fica evidente o servilismo a que Bibo Nunes se submete – um deputado do baixo clero com posição à mesa de quem presta contas ao cardeal, decerto reafirmando ao chefe a necessidade de alteração da lei para reduzir sua inelegibilidade de oito para dois anos e, assim, garantir que o ex-presidente dispute a eleição em 2026.
O encontro foi só mais um adorno a uma já intensa festa de articulações e declarações em prol do retorno de Bolsonaro às urnas. Dois dias antes do convescote do ex-presidente com o autor do projeto que pode beneficiá-lo, foi o próprio Hugo Motta (Republicanos-PB), recém-empossado presidente da Câmara, quem declarou: “Oito anos são quatro eleições, é um tempo extenso na minha avaliação”. Abriu, assim, a porta do Congresso para discutir uma providencial mudança na Lei da Ficha Limpa. Ressalve-se que o projeto em questão dá nova redação a um dispositivo da Lei das Inelegibilidades, que, por sua vez, foi alterada pela Lei da Ficha Limpa. Logo, na prática, o projeto incide também sobre a Ficha Limpa.
Bolsonaro está inelegível até 2030, condenado por abuso de poder político e econômico e uso indevido dos meios de comunicação. Agora, sua inelegibilidade corre o risco de ir às calendas, a prevalecer a desfaçatez, pelo casuísmo explícito de bolsonaristas. Indiciado pela Polícia Federal pelos crimes de tentativa de golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e organização criminosa, o ex-presidente pode ficar inelegível por muito mais tempo caso seja processado e condenado – além da pena de prisão cominada àqueles delitos. Ademais, a constitucionalidade de uma eventual alteração pelo Congresso deverá ser avaliada pelo Supremo Tribunal Federal. São fatores que tornam complexo o destino político de Bolsonaro.
Pelo sim, pelo não, seus aliados trabalham como podem para salvá-lo. Sabem que, na pior das hipóteses, podem instaurar fatores de instabilidade que beneficiem Bolsonaro, repetindo o exemplo dos rábulas petistas que, em 2018, tentaram, até o limite, embaralhar a interpretação da legislação com chicanas que assegurariam a permanência de Lula da Silva na disputa daquele ano. A lógica é a mesma: arrastar as indefinições, garantir a presença do ex-presidente nas urnas e, se ele for vitorioso, emparedar a Justiça Eleitoral. A marotagem petista não funcionou à época. Espera-se que a reedição bolsonarista também não.
“Se correr o bicho pega; se ficar o bicho come”.
O bicho?
Os políticos.