Alterado, revisado e ampliado, às 11h12min, deste 24.02.2025. Foi assim que ficou o site oficial da Câmara de Gaspar depois da sessão de quarta-feira da semana passada. Ninguém consertou. Ninguém se explicou. Este é, simbolicamente, no todo, o retrato da “mudança”, que os vencedores nas urnas de seis de outubro do ano passado prometeram acabar, mas, contra a população, estão piorando tudo. Quem quiser assistir a sessão da Câmara antes que ela saia dos arquivos do Youtube, acesse este link Sessão Ordinária – 19/09/2023 – YouTube
Recomeçando e avisando que outro artigo só sexta-feira, dia 28.
Depois da imprensa local e regional perder de lavada para as redes sociais; depois d’eu esperar por esta constatação repetida há anos nas reações previsíveis – ratificando integralmente o que escrevi com antecedência de que seria assim em a CIDADE DÁ RECADO DURO E UNÂNIME À CÂMARA. PRESIDENTE E MESA DIRETORA VOLTAM ATRÁS EM MENOS DE 48 HORAS NA ESPERTEZA SILENCIOSA QUE ARMARAM PARA CRIAR O VALE MARMITA AOS VEREADORES, o último quarto da sessão de quarta-feira (por que terça-feira foi o feriado da Emancipação) da Câmara de Vereadores de Gaspar e de volta à média com apenas uma hora de duração, pegou fogo.
O que aconteceu em parte da sessão foi tão revelador como aqueles áudios cabulosos do antigo governo e que nunca foram apurados, mas vagueiam por aí como almas penadas. Aqueles áudios ainda podem ser incorporados por fantasmas zombeteiros, mas cada vez mais estão perto de se tornarem lendas. Aliás, ficou claro, de que precisamos de mais sessões assim na Câmara, com os políticos lavando a roupa suja entre eles próprios, para que com isso, possam também lavar a alma desse espaço. Quando eles se desentendem entre eles, essa gente sai do escurinho onde está sempre metida posando de santa para a cidade e me culpando de estar metendo a minha colher de pau nessa velha gamela velha.
LEVARAM O CADÁVER PARA A SALA
Se o presidente da Casa, autor da ideia do Vale Marmita, Alexsandro Burnier, PL, com a Mesa Diretora (Ciro André Quintino, MDB – mais uma vez ausente e em Florianópolis – Elisete Amorim Antunes, PL, e Mara Lúcia Xavier da Costa dos Santos, PP), não fosse à tribuna se explicar – e acusar a razão pela qual ficou com o brocha na mão -, o que não possui explicação, a escandalosa jogada teria passado batida. Simples assim. Ninguém, até então, estava disposto a tocar no assunto.
Alexsandro, numa sessão morna e com todos pisando em ovos, levantou o defunto. Ele fedia no recinto. Era velado na cidade desde quando neste espaço, em edição extraordinária, no sábado dia 15 de março, esclareceu à jogada dos políticos em VEREADORES DE GASPAR APROVEITAM O REAJUSTE GERAL DOS SERVIDORES E DÃO A SI PRÓPRIOS, ALÉM DA ATUALIZAÇÃO DA VERBA DE REPRESENTAÇÃO, O VALE MARMITA DE R$850 POR MÊS. ELE PODE ACUMULAR COM AS DIÁRIAS QUE JÁ SOMAM QUASE R$ 30 MIL SÓ ESTE COMEÇO DE ANO.
Alexsandro e a Mesa Diretora, supostamente com votos da maioria dos 13 vereadores (PL, União Brasil, PSD, MDB e PP) para aprovar o jabuti de “três palavras” que espetou na surdina contra a cidade no PL 10/2025, o que reajustava o Vale Alimentação dos funcionários da Câmara, numa sexta-feira, quando a cidade já dormia, numa má jogada, resolveu na quarta-feira reabrir a ferida empostemada. Justamente, todos já passavam pomadas de curandeiros nela diante dos recados duros de seus eleitores e eleitoras que entupiram as redes sociais e deixaram expostos os políticos tão cedo e como nunca tinha se visto antes.
Perguntar não ofende: quem mesmo orienta o PL (partido), o União Brasil, o “delegado prefeito” Paulo Norberto Koerich, cujo assunto pegou e está contaminando o seu governo, pois foi ele quem quis e avalizou a composição diretiva da Câmara com Alexsandro na cabeça (como expôs na mesma sessão Dionísio Luiz Bertoldi, PT, quando contatado para esta finalidade) e principalmente o presidente Alexsandro, o afoito e sem noção?
ACENDERAM A VELA PARA O DEFUNTO

A sessão caminhava para o seu final, morna, como lhes relatei acima, quando o presidente acusou os vereadores – inclusive e principalmente da sua base de terem lhe traído e voltado atrás no combinado e mortificado o assunto do penduricalho chamado de Vale Marmita aos vereadores.
Ele, se aprovado e ainda há manobras para isso, vai custar mais de R$130 mil por ano à Câmara.
A primeira bordoada veio de quem não é da base, mas rival nos votos no bairro do Bela Vista, dono de três mandatos, incluindo a presidência da Câmara de fidelidade ao tempo do PT de Pedro Celso Zuchi, Giovano Borges, PSD (na foto o último a esquerda). “Este projeto tem nome: Alexsandro Burnier. E você como presidente tem que assumir as broncas”, acusando Alexsandro de criar e distribuir culpas e culpados; de não ter capacidade para articular e liderar o processo dentro do legislativo gasparense. Alexsandro, a esta altura, como presidente, regimentalmente já não tinha espaço de fala. E por isso, ficou exposto.
Pior: Giovano provou que Alexsandro não sabe sequer administrar e não conhece a palavra economicidade que evoca para “fazer” algumas mudanças administrativas internas na Câmara como gestor que é dela. Segundo, Giovano, entre tantas coisas que estão sob questionamentos, Alexsandro quer substituir 13 impressoras ao custo de R$12 mil por ano, por quatro, ao custo de R$15 mil. Uau!
Entretanto, nada se comparou o que veio do fogo amigo do governo de plantão. O vereador Thimoti Thiago Deschamps, do União Brasil (na foto, o primeiro à direita), que é orientado pelo vice-prefeito Rodrigo Boeing Althoff, PL, foi esclarecedor. “Eu realmente fui contatado pelo senhor [Alexsandro]. Prometi estudar [ou seja, não deu certeza]. E revi a minha posição [diante da reação popular quando ela soube por aqui]. Agora, este projeto é seu. O senhor é um cagão [não assumir a bronca do revés]. Um encostado [depende das remunerações recebidas na Câmara]”.
E foi aí que a coisa piorou para Alexsandro, o PL, a base do governo e quase diretamente para o próprio governo, quando Thimoti, sem meias palavras foi direto: “e o senhor sabe o que o dinheiro faz!”, numa insinuação gravíssima de rachadinha por parte de Alexsandro, e por enquanto, sem apresentações de provas. Alexsandro para deixar o suplente Thimoti assumir por um mês o lugar de Alexsandro teria exigido a verba de representação (salário) que Thimoti teria direito no brevíssimo tempo de 30 dias em que ficou na Câmara.
ARRUMARAM MAIS UMA MÚMIA PARA SER NECROPSIADA
Cada tiro que se dá num alvo, acerta-se em muitos outros neste ambiente político. Incrível. Estávamos (a cidade) discutindo o jabuti, traições e falta de transparência. Agora, já estamos discutindo rachadinhas na Câmara de Gaspar. E o presidente do PL, Bernardo Leonardo Spengler Filho, muito próximo de Jorginho Melo, PL, e seus filhos, mudo. É grave, gravíssimo. Colocaram na sala uma múmia para ser necropsiada. Ingenuidade ou algo pensado para desmoralizar o campeão de votos? E de dentro do próprio governo! Impressionante!
Impressionante também são à falta de tática e estratégia do atual governo, PL, União Brasil e do próprio presidente da Câmara. O mais longevo dos vereadores, José Hilário Melato, PP, um dos indutores ao erro, como macaco velho de oito mandatos, ficou quietinho. E saiu ileso de mais esta. Ciro André Quintino, MDB, outro que atiçou e com quatro presidências se mandou para Florianópolis. Sobrou para outro experiente, Giovano Borges, mas só porque foi diretamente provocado na sessão pelo Alexsandro e carregam entre eles, velhas diferenças das disputas eleitorais no mesmo território, o Bela Vista. Dionísio, de três mandatos, colheu os louros sem precisar se expor na sessão que caminhava ser um discreto velório diante da indignação do final de semana, e por culpa de Alexsandro, virou mais que uma sessão pastelão com nova denúncias.
Qualquer um dos quatro citados no parágrafo anterior, conhecendo como eu os conheço, teria feito deste limão, limonadas. Alexsandro, o infante, preferiu apostar em mais limões. Todos, teriam atuados como bombeiros nos bastidores para salvar à manobra mal sucedida na Câmara que ganhou as ruas antes do tempo e gerou um mal estar coletivo na cidade. No fundo, o que aconteceu na Câmara foi bom para a cidade e está provado que mudanças nos discursos de alguns, é palavra falseada
Agora, o campeão de votos, Alexsandro, foi desconstituído como líder por seus próprios seus pares. E se não bastasse o truque na esperteza de colocar na calada do gabinete um jabuti de três palavras numa lei já existente para se criar o Vale Marmita aos vereadores, está sendo acusado de rachadinha. E a coisa não para aí: ele com os mesmos que deram para trás está armando outra: o 13º para os vereadores. “Quero dizer desde já que eu voto contra“, cravou Thimoti, no que foi seguido, por Dionísio Luiz Bertoldi, PT. Inacreditável.
Quem mesmo amarra as pontas no governo de Koerich e Althoff? Pedro Inácio Bornhausen, PP, a velha cara de vários governos que saíram perdedores nas urnas porque estavam cheios de dúvidas perante a população? É coisa de doido. E depois me culpam por simplesmente não esconder isso da cidade. Muda, Gaspar!
TRAPICHE
É coisa de doido. Na sessão de quarta-feira, o ex-secretário de Obras e Serviços Urbanos, o hoje vereador Roni Jean Muller, MDB, classificou como exagerado o município está investindo 29% do Orçamento na Saúde sem o devido retorno à cidade, quando o limite constitucional mínimo seria de 15%. Acertadamente, disse que parte disso está indo para o Hospital – média e alta complexidade que não é obrigação do município – prejudicando essencialmente o atendimento ambulatorial nos postinhos para a baixa complexidade.
Nenhum reparo. Parece até uma voz do novo governo. Porque no governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, e Marcelo de Souza Brick, PP, ao qual Roni Jean Muller, MDB, pertenceu e foi gerado esta farra, sem transparência alguma, ele, naquele tempo, sempre achou isso ser normal. O que verdadeiramente mudou de lá para cá? Vai que se descobre a razão disso…

O Dia da Água em Gaspar. Mobilização fraca da sociedade. Retrato de um governo. Retrato de que o tema tão sério não está ainda nas nossas cabeças. É só comparar o que aconteceu em Balneário Camboriú e Camboriú, no mesmo dia. Lá os prefeitos lideraram. Houve mobilização expressiva de entidades com repercussão estadual. Há uma causa específica, comum e clara.
Aqui, pouco se encontrou de sujeira por falta de gente (foto ao lado). A pior das sujeiras delas, está escondida nos ribeirões e o Rio Itajaí Açú: a poluição por falta de esgotos e a insistência de loteadores para jeitinhos que burlem às exigências para a proteção de mananciais e à saúde das pessoas. No Dia da Água, o governo e o Samae de Gaspar deveriam de verdade, estar anunciando à retomada – por parceria ou privatização – da implantação do sistema de coleta e tratamento de esgotos, que se empurra com a barriga há mais de 15 anos.
Os investidores imobiliários, loteadores e empresários da área de terraplanagem continuam achando que a Superintendência de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Gaspar, subordinada a secretaria de Planejamento Territorial, é um problema para os negócios deles. Pode até haver exageros, mas os dos empresários são insuperáveis, inclusive até porque muitos casos foram parar na Justiça e estão perdendo um a um, não aqui, mas no Tribunal de Justiça. É aí que está o verdadeiro problema deles. Pediram e tiveram uma reunião com os novos bambans da prefeitura (foto abaixo).

É preciso conciliar, mas não passando a borracha nos erros que deram vantagens a uns e puniram outros que não eram da patota. Os áudios cabulosos não deixaram a menor dúvida disso. A solução, venho escrevendo há anos é simples: a revisão do Plano Diretor. Ele está defasado dez anos nesta obrigação do Estatuto das Cidades. Há uma lei geral ambiental em vigor e cada vez mais, ela ficará mais rigorosa. Os investidores imobiliários, loteadores e empresários criaram saídas milagrosas e se deram mal. Foram usados pelo governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, para ter facilidade por todos os lados, inclusive via Defesa Civil e Proteção para burlar o Meio Ambiente e secretaria de Planejamento Territorial. Esta jogada está marcada, manjada e devidamente instruída no Ministério Público. Simples assim.
É preciso separar investidores, loteadores e empresários de predadores. E seria interessante a Acig, de longa história e fundada pelo recem falecido executivo de visão, Vilmar de Oliveira Schürmamm, não os igualar como ensaia numa defesa de corpo. Como pode, alguém em sã consciência misturar água pluvial com esgotos e achar isso normal? Como pode alguém aterrar os seus empreendimentos para salvá-los de cheias e enxurradas prejudicando outros já existentes ao seu redor? Como podem suprimir vegetações ao arrepio de jogadas compensatórias enquanto transformam área dos outros em de interesse ambiental? Como pode sugerir como solução aos problemas criados, que o município – ou seja, com os impostos de todos – e que o prefeito diz estar o município quebrado, faça as drenagens caras e suplementares, canais de extravasamento e até comportas de contenção de cheias provocadas pela implantação de projetos imobiliários particulares?
Por outro lado, empresários que nunca investiram no direito de mineração (extração de barro) para aterros na cidade, estão ganhando dinheiro em concorrência desleal com a extração irregular, ou sem o devido licenciamento de mineração. E a reclamação, daquilo que conhecem perfeitamente como funciona, agora recaem sobre os técnicos do Meio Ambiente que querem à regularização desta atividade rentosa no município? E não adianta comparar municípios. É preciso antes parar com privilégios, discriminações, vinganças e mandar a conta para o poder público. Simples assim.
A manobra que se faz, incluindo a articulação do vereador Carlos Francisco Bornhausen, MDB, ex-funcionário efetivo e ex-secretário de Planejamento Territorial para desmanchar a Superintendência do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, em Gaspar e levar tudo para o CIMVI, poderá ser mais um tiro n’água naquilo que precisa de conserto, ajustes e o fim do jeitinho para uns e punições para outros, a custa erário público, prejuízos à mobilidade e vulnerabilidades ao futuro do planejamento e qualidade de vida dos moradores de Gaspar.
Os fiscais e a estrutura técnica da Superintendência de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável que se querem desmanchá-las não é exatamente culpada, mas insistência em não evoluir e se chegar a um ponto de equilíbrio, sim. O cabo de guerra continuará e no curto prazo ele vai parar as atividades desse setor por aqui, mesmo que estas atividades passem, tardiamente, para o CIMVI, fato que se protelou no governo passado. E por quê? Só se estava pensando nas vantagens prometidas e mal criadas por aqui. Estará na cara do Ministério Público à razão destas manobras. E quem perderá com isso? Os técnicos? Não! Mas, os investidores, loteadores, empresários e o município por causa de alguns exploradores, a esperteza de uns e a vingança dos mesmos de sempre. Muda, Gaspar!
A saída do ex-prefeito Adilson Luiz Schmitt (2005/08, eleito no MDB de onde foi corrido por enfrentar de forma inadequada o que quer amarrar o atual governo como venho relatando, inclusive acima) do PL, repercutiu na cidade como um enfraquecimento do partido bolsonarista na cidade. Adilson jura que não vai se filiar até depois da eleição de 2026. O seu projeto é para 2028 diante de novas circunstâncias. A conferir.
“A única coisa que sei é que não vou votar na reeleição de Jorginho Melo, PL. Chega. Deu. O estado está andando pra trás“. Adilson Luiz Schmitt é mais um que embarcou na onda de João Rodrigues, PSD, prefeito de Chapecó, cujo lançamento da candidatura a governador, aconteceu lá na sua cidade, neste final de semana. Foto abaixo.

Com o surgimento e fortalecimento de João Rodrigues, PSD, para ser candidato a governador em 2026, fez por outro lado, o governador Jorginho Melo, PL, sair do conforto, do clima de imbatível e de um dos piores que o estado já teve. Jorginho resolveu enfrentar Luiz Inácio Lula da Silva, PT, como se ele fosse, realmente, um novo adversário para Santa Catarina. Na verdade, Jorginho está atendendo ao clamor de uma parte da claque de fanáticos bolsonaristas que tende migrar, facilmente, para João Rodrigues, com cara de realizador e confiável.
No outro lado, Jorginho está desesperadamente inventando de que vai começar uma via paralela a BR-101, tudo muito depois que virou um congestionamento só comprometendo a vida dos portos, do desenvolvimento e competitividade de Santa Catarina. Falta de alerta e clamor das entidades e empresários que geram pesados impostos estaduais, não foi. Só papel, dinheiro para o projeto e saliva. Execução, bem improvável. Até porque o próprio Jorginho está dizendo que este assunto será para vários governos.
E pior. Está “desmanchando” falsamente o seu discurso e prática de inchamento da máquina estatal, aquela não funciona e que não combina com um partido que se diz liberal. Depois de colocar na Assembleia legislativa um Projeto de Lei que amarrava à expansão de saneamento no estado a descapitalizada, improdutiva, tecnicamente defasada, inchada e burocrática Casan, está dizendo, repentinamente, por aí, que vai privatizá-la. Fará isto para desgaste e debate já em tempo de corridas eleitorais?
Tarcísio Gomes de Freitas, Republicanos, governador de São Paulo, empossado como Jorginho Melo, PL, em 2022, por exemplo, já fez isso com a poderosa Sabesp. Tarcísio está com dinheiro em caixa para outras prioridades ao mesmo tempo em que está expandindo a coleta e tratamento de esgotos nos municípios e Capital paulista. Está colhendo os louros disso. Impressionante o atraso de Santa Catarina.
Tarcísio Gomes de Freitas, Republicanos, em lados opostos ideológicos, firmou acordo com o presidente Lula, por exemplo e já deu o pontapé para o túnel subaquático entre Santos e São Vicente. É para tirar o gargalo logístico e melhorar a mobilidade daquela área portuária que complica a vida de importadores e exportadores. Enquanto aqui, estamos ficando com os portos de São Francisco do Sul, Navegantes e Itajaí encalacrados. Perceberam a diferença?

Jorginho Melo, PL, padrinho da filiação de Paulo Norberto Koerich no PL e a pedido da elite empresarial de Gaspar o vestiu de candidato e o tornou prefeito, nem aqui, onde já morou, apareceu mais. O partido, cheio de vaidosos, vem colhendo revés um atrás do outro, como no caso da Câmara relatado novamente no artigo principal de hoje, e não consegue preencher as vagas técnicas do novo governo.
Constatação cruel. “O meu governo será de técnicos“, jurava o delegado prefeito Paulo Norberto Koerich, PL, nos discursos de campanha. Três de governo, na Fundação Municipal de Esportes e Lazer, sai o técnico Charles Roberto Petry e entra no lugar dele, o boleiro aposentado, Haroldo Medeiros, o Suca.
O prefeito Paulo Norberto Koerich, PL, chamou para uma conversa no gabinete, o ex-candidato derrotado a prefeito pelo Republicanos, o empresário Oberdan Barni. O Republicanos foi engolido à última hora pelo PL, numa manobra de Jorginho Melo, PL, e moeu Oberdan que não quis fazer acordo para apoiar Paulo. A comissão provisória do Republicanos em Gaspar que tinha Oberdan como presidente foi desmanchada compulsoriamente pela Executiva Estadual. Está em fase de reestruturação. Quem vai dar as cartas no Republicano, segundo anunciou o deputado Federal de Rio do Sul, que cuida disso, Jorge Goetten de Lima, ex-PL
Agora, é proibido estacionar na subida e descida lateral da Igreja Matriz de São Pedro Apóstolo. Decisão acertada. Mas, perguntar não ofende. Aquilo ali não é uma área privada da Mitra Diocesana? Se é, o que fez a Ditran pintar o meio-fio e sinalizar aquela área?
Outra pergunta. Por que na lista de funcionários da Ditran publicada no site da prefeitura de Gaspar, não consta como agente de trânsito, o ex-vereador, ex-vice prefeito, ex-secretário de Obras e Serviços urbanos e ex-chefe de Gabinete, Luiz Carlos Spengler Filho, PP?
A Gaspar dos políticos. Quando a figueira da Praça Getúlio Vargas (defronte a prefeitura de Gaspar) caiu, justamente por falta de tratamento. Ele estava recomendado por técnicos da Superintendência de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável. Depois do desastre, o ex-prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, anunciou que faria clones dela para replantio não só na praça, mas por todas escolas e outras áreas da cidades. Aliás irmãs daquela muda e de plantio no mesmo dia, ainda estão de pé em Gaspar.
Ao final, sem cumprir o que prometeu, o ex-prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, picotou os “restos mortais” da figueira, colocou em quadro e a deu para alguns dos seus como souvenir. Agora, leia esta notícia desta semana. Quanta diferença entre Gaspar dos políticos e o mundo real da ciência objetiva: “Embrapa consegue clonar uma araucária gigante de cerca de 700 anos que caiu no Paraná! A clonagem foi um desafio devido à idade avançada da árvore. Os clones foram plantados em Cruz Machado, na propriedade onde a árvore tombou”. Muda, Gaspar!
15 comentários em “UM GOVERNO POLÍTICO E ESTRATEGICAMENTE ERRÁTICO. DESGASTA-SE À ESPERTEZA DOS ALIADOS. FALTA-LHE ARTICULAÇÃO E TRANSPARÊNCIA COM A SOCIEDADE QUE O ESCOLHEU, ESMAGADORAMENTE NAS URNAS, PARA MUDAR O QUE SEMPRE FOI ASSIM”
POUCAS ESCOLHAS, por Willian Waack, no jornal O Estado de S. Paulo
O problema de Jair Bolsonaro é ser mais forte do que admitem seus adversários, e mais fraco do que ele mesmo julga ser. Como réu por tentativa de golpe de Estado essa situação não se altera fundamentalmente. Ele tem no momento enorme peso eleitoral, mas não o suficiente para definir sozinho a próxima votação.
O que mais ilustra esse fato é a postura dos possíveis candidatos dentro do espectro de centro-direita, que abrange confortável maioria no eleitorado. Eles dizem a boca pequena que Bolsonaro só pensa em si mesmo e em sua família, mais atrapalha do que ajuda, e está desacreditando vários setores. Mas nenhum o critica em público, temendo perder votos.
Aparentemente, seus potenciais “herdeiros” esperam que o tempo corroa ainda mais o cacife político de Bolsonaro. Ser julgado por um tribunal que é visto por largas parcelas da população como parte do embate político entre correntes antagônicas fornece no momento um discurso fácil, o da “perseguição política”. Mas a condição de inelegível enfraquece qualquer candidatura.
Como já ocorreu em seu mandato, a chave da sobrevivência política de Bolsonaro está no Centrão. Que está muito longe de ter uma postura “unânime” sobre o capitão e sua provável condenação no STF. Os donos das várias legendas oscilam entre considerar Bolsonaro uma “boa” ou “má” companhia na luta eleitoral. A postura deles vai depender do famoso “momento” político.
Ou seja, da capacidade de Bolsonaro de arregimentar e mobilizar, sobretudo nas difíceis condições nas quais vai se encontrar (lutar para não ir para a cadeia). A questão para ele é ser visto não só como “vítima”, condição que consegue assumir com certa facilidade. Mas, sim, como real alternativa a um governo em crise de popularidade e que aposta todas as fichas na figura desgastada do atual presidente.
As pesquisas indicam que Bolsonaro não expandiu consideravelmente seu eleitorado cativo. Numa possível saída via Legislativo (leia-se enfrentamento do Judiciário) até aqui ele não conseguiu colocar de pé uma coligação com o ímpeto necessário para responder ao STF com uma ampla anistia, por exemplo. Os operadores do Centrão se esgueiram entre não ser contra a anistia e não se mexer muito para aprová-la.
Cada uma à sua maneira, e trilhando caminhos diversos, as figuras políticas de Lula e Bolsonaro chegaram ao mesmo patamar. Não podem ser descontadas do cenário político-eleitoral, que não são capazes de decidir sozinhas. São donos incontestes de fatia considerável de votos, mas incapazes de decidir neste momento a quem poderiam eventualmente transferi-los.
De fato, o Brasil está com poucas escolhas.
BOLSONARO “ET CATERVA” NO BANCO DOS RÉUS, editorial do jornal O Estado de S. Paulo
Por unanimidade, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) tornou réus o ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete civis e militares que a ele teriam se associado para cometer, entre outros crimes gravíssimos, uma tentativa de golpe de Estado. A partir de agora, o País terá a chance de assistir à prestação de contas à Justiça daqueles que são acusados de ter cometido o mais desabrido ataque ao Estado de Direito no Brasil desde ao menos 1985, quando a sociedade brasileira, enfim, reconquistou suas liberdades democráticas após 21 anos sob o tacão de uma feroz ditadura militar – a mesma que Bolsonaro louva como se tivesse sido um período áureo da história nacional.
A admissibilidade da denúncia oferecida pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra Bolsonaro et caterva era dada como certa. De tão previsível, o desfecho do julgamento de ontem já vem influenciando as articulações políticas com vistas à eleição de 2026 desde muito antes de o parquet apresentar sua peça acusatória ao STF. E a razão é simples: Bolsonaro jamais escondeu que o respeito aos princípios democráticos lhe provoca urticária. Bolsonaro nunca cogitou transferir o poder pacificamente ao sucessor, chegando a verbalizar, em agosto de 2021, que só via três opções de futuro para si: estar preso, morto ou reeleito presidente da República. Desde ontem, a distância entre ele e o cárcere ficou consideravelmente mais curta.
É um erro, portanto, confundir um resultado amplamente esperado com uma suposta demonstração de “parcialidade” dos julgadores de Bolsonaro e seus corréus – os generais de quatro estrelas Augusto Heleno, Walter Braga Netto e Paulo Sérgio Nogueira, o almirante Almir Garnier, o tenente-coronel Mauro Cesar Cid, o ex-ministro da Justiça Anderson Torres e o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ). Na verdade, a certeza de que o ex-presidente passaria à condição de réu diz muito mais sobre a audácia de seus propósitos liberticidas. Relembra à Nação quão desabridos foram seus esforços, ao longo de todo o mandato presidencial, para se manter no poder fosse qual fosse o resultado das urnas.
Se o comportamento de cada um dos oito réus que compõem o “núcleo crucial da organização criminosa”, no dizer da PGR, de fato, contribuiu para a consecução da tentativa de golpe e, assim, estarão configuradas ações ou omissões tipificadas como crime, saberemos ao final da ação penal. O que é possível afirmar, como este jornal já fez não poucas vezes, é que o governo de Jair Bolsonaro foi inspirado do início ao fim por um espírito golpista. A depredação dos pilares democráticos foi um diligente labor entre 2019 e 2022. A bem do País fracassou, mas isso não impede, muito ao contrário, que todos os que eventualmente tenham tomado parte nesse assalto à democracia paguem exemplarmente por seus crimes.
Eis, portanto, a enorme responsabilidade que paira sobre o STF, em particular sobre os ministros integrantes da Primeira Turma. O julgamento dos acusados de atentar com violência contra a ordem constitucional democrática deve ser imaculado do ponto de vista processual. O STF não tem o direito de errar, em primeiro lugar por compromisso inabalável com a “Constituição Cidadã”. Ademais, não pode frustrar as expectativas da esmagadora parcela da sociedade brasileira que acalenta o regime democrático como a melhor forma de governança de uma nação. Como ensina o amargo rescaldo da Operação Lava Jato, a consequência do atropelo do devido processo legal em nome do propósito de colocar os golpistas atrás das grades não só abastardará a mesma democracia que se pretende defender, como ainda levará à impunidade que, mais adiante, pode assanhar protoditadores que se aventurem a governar o Brasil.
Tudo é inédito neste julgamento, que apenas começou. Há militares de alta patente no banco dos réus por sedição. Trata-se da primeira ação penal de grande repercussão sob a égide da Lei de Defesa do Estado Democrático de Direito. No entanto, o STF há de ser previsível; à Corte não é dado nem sequer parecer um tribunal de exceção. Ao fim de um julgamento que decerto capturará as atenções do País, só pode restar aos eventuais condenados o sagrado direito de espernear.
é bem isso
DÉBORA VIROU UM SÍBOLO ESPINHOSO, por Elio Gaspari nos jornais O Globo e Folha de S. Paulo
Cena 1, janeiro de 1970: Os juízes da 1ª Auditoria do Exército leem a sentença que condena a oito anos de prisão os oito principais autores do sequestro do embaixador Charles Elbrick, ocorrido em setembro do ano anterior.
(A ditadura vivia um pico da sua fase repressiva. Carlos Marighella, patrono involuntário do sequestro, e Virgílio Gomes da Silva, participante da ação, haviam sido assassinados.)
Cena 2, março de 2025: O ministro Alexandre de Moraes condena a 14 anos de prisão a cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos. No dia 8 de janeiro de 2023, ela escreveu com batom “Perdeu, mané” na estátua da Justiça em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília. Moraes foi acompanhado pelo ministro Flávio Dino.
Débora, mãe de dois filhos menores, está presa desde março de 2023. Ela escreveu uma carta ao ministro Moraes desculpando-se, mas ele acabou dando-lhe 14 anos. Como o ministro Luiz Fux pediu vista, o julgamento não terminou.
Os 14 anos de Débora seguem uma tendência do STF, que vem impondo punições leoninas à infantaria golpista do 8 de Janeiro. O tribunal já condenou 371 pessoas a penas que somam 3,3 mil anos de cadeia, e 71 cumpriam penas em janeiro passado. Seguindo essa métrica, os militares que comprovadamente atuaram na armação de um golpe deveriam receber penas seculares.
O repórter Merval Pereira já mostrou que diversos juristas apontam que os réus têm sido condenados duas vezes pelo mesmo crime: quatro anos por atentar contra o Estado Democrático de Direito, mais cinco por tentar um golpe.
Estão em curso conversas que poderão desembocar na redução das penas. Tudo bem, mas um Judiciário-ventoinha não contribui para o bom andamento dos trabalhos. O país já teve de conviver com a construção e o desmanche da Operação Lava-Jato. Na ascensão, o juiz Sergio Moro e os procuradores tudo podiam. No declínio, nada fizeram de certo. O mané perdeu, e nesse caso ele era o cidadão que acreditava no surto de moralidade em relação ao andar de cima.
Os novos manés esperam que a Justiça cobre um preço aos que tramaram o golpe de Estado de 2022/23 e, pelo andar da carruagem, as coisas não vão bem. As sentenças impostas à infantaria vândala do 8 de Janeiro levam água para aqueles que propagam o delírio de que o Brasil vive uma ditadura. Débora Rodrigues dos Santos, com seu batom, torna-se um símbolo espinhoso. Basta imaginar que o jovem que pichou “Abaixo a ditadura” no Theatro Municipal do Rio em 1968 tivesse sido condenado a pena semelhante.
Com a autoridade que a defesa da democracia lhes concede, os ministros do Supremo podem muito, mas devem cuidar do respeito ao bom senso. Se a senhora do batom merece 14 anos, resta saber quantos merecerá o redator do plano Punhal Verde e Amarelo, impresso no Palácio do Planalto.
O Ministério Público tem a simpatia de boa parte da população, mas acusação não é prova.
As mil páginas do relatório da Polícia Federal e as 272 da denúncia oferecida pela Procuradoria-Geral são contundentes em alguns aspectos e débeis em outros. Havia um golpe em curso, e caberá aos juízes, depois de ouvir a defesa de cada acusado, decidir até onde e como a trama prosperou.
BOLSONARO LARGA A MÃO DE TODOS, por Mariliz Pereira Jorge, no jornal Folha de S. Paulo
Nenhuma surpresa de que Jair Bolsonaro siga abandonando aliados pelo caminho quando não precisa mais deles. Nesta terça (25), deu mais um empurrão em Carla Zambelli rumo ao ostracismo político —não que ela não mereça, mas não é a primeira vez que ele a culpa pela derrota na eleição. A atitude apenas reforça que o ex-presidente rifaria até os filhos se puder posar de injustiçado, de mártir.
A declaração de hoje é um aceno a seus cupinchas para que não se empenhem em salvar o mandato da deputada, se confirmada a sua condenação pelo STF, pelas acusações de porte ilegal de arma e constrangimento ilegal com emprego de arma de fogo. A Constituição estabelece que a Câmara deve analisar casos assim, transitados em julgado. Até lá, Bolsonaro já deve ter sido julgado e preso, mas não sem deixar um rastro de destruição.
Parece óbvio que a cena de Zambelli nas ruas de São Paulo, arma em punho, atrás de um cidadão, pode não ter agradado um número considerável de eleitores. Mesmo para bolsonaristas de carteirinha, ela atravessou a linha da barbárie, mas colocar em sua conta a perda da reeleição é só mais uma demonstração de covardia de Bolsonaro. A deputada entra para uma enorme lista de importantes figuras do bolsonarismo que foram escanteadas, a maioria por divergências políticas, mas ela é uma das únicas que segue fiel até quando não serve mais e é chutada feito cachorro morto, sem reagir.
A mensagem para seus seguidores é de que ele é um grande injustiçado, prejudicado por ter se cercado de gente incompetente e traiçoeira. Jair nunca tem culpa de nada. Da sua derrota, dos milhares de mortos pela demora na compra das vacinas, pela crise democrática em que mergulhou o país, pela falsificação de documento, por ter embolsado presentes milionários em viagens oficiais, pelo negacionismo ambiental, pelo autoritarismo, pelos ataques às instituições, por aprofundar a polarização, por ter feito do Brasil chacota internacional, pelas ameaças aos jornalistas, em especial às mulheres.
Resta saber quem não abandonará Jair Bolsonaro quando ele for preso. Peguem a pipoca.
A ÉTICA DA COMPANHEIRADA, editorial do jornal O Estado de S. Paulo
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) abriu processo administrativo para apurar possíveis irregularidades na nomeação de três ministros de Lula da Silva para cargos em conselho de uma empresa privada. Isso porque os titulares dos Ministérios da Previdência, Carlos Lupi, e da Igualdade Racial, Anielle Franco, e da Controladoria-Geral da União, Vinicius Marques de Carvalho, assumiram, por indicação do BNDES, postos no Conselho de Administração da Tupy, uma metalúrgica multinacional, sem a prévia autorização da Comissão de Ética Pública, como exige a Lei de Conflito de Interesses.
Lula e seus correligionários vendem a si mesmos como campeões da ética e defensores do Estado, mas há muito a maioria dos brasileiros não compra essa fantasia por seu valor de face e sabe o que se esconde sob a retórica virtuosa do “desenvolvimentismo”: o desenvolvimento dos interesses do PT.
A captura dos interesses públicos a serviço de ambições privadas é bem evidente no aparelhamento da máquina pública. Muito antes do PT, é verdade, ela já fora moldada pelas elites políticas para saciar apetites patrimonialistas. Só no governo federal são quase 30 mil cargos e funções preenchidos por nomeação. Mas o lulopetismo atingiu o estado da arte da contaminação político-partidária da máquina estatal.
Por onde quer que passe, o PT manobra para inchar e abastardar o Estado, preenchendo-o com companheiros e submetendo-o aos seus desígnios. Não é nenhum paradoxo incompreensível, mas uma mera consequência lógica desse modus operandi, que o PT, tão obcecado por regulações estatais sobre o mercado, tenha horror justamente a regulamentos que impõem ao próprio Estado parâmetros de boa governança, como a Lei das Estatais ou das Agências Reguladoras.
Quando o PT aparelha empresas privadas nas quais o Estado tem participação, imagina-se que o objetivo seja tentar submeter essas empresas ao projeto político do lulopetismo. No entanto, considerando o total despreparo técnico dos indicados, conclui-se que o propósito real é mais trivial: recompensar a companheirada com cargos e salários generosos.
O BNDES, por exemplo, tem asseguradas cerca de 30 indicações em conselhos administrativos de mais de 20 empresas nas quais tem participação. Se o objetivo do governo fosse submeter a gestão dessas empresas a fins políticos, nomearia ao menos gente que é do ramo. Não foi o caso quando indicou, por exemplo, o então ministro de Direitos Humanos, Silvio Almeida, para o conselho de uma empresa de gás e eletricidade ou a então ministra da Saúde, Nísia Trindade, para o de uma empresa de transformação digital.
No caso da Tupy, até agosto de 2023 o BNDES era representado por dois conselheiros de seus próprios quadros com experiência em energia e gestão empresarial, o que era condizente com a política de indicações do banco, que visa a “estimular a adoção de melhores práticas de gestão, governança e sustentabilidade pelas companhias investidas e, assim, promover a geração de valor para tais empresas”. Mas o governo entendeu que seria muito mais condizente substituí-los por Carlos Lupi e Anielle Franco.
A indicação de Lupi, licenciado da presidência do PDT, violou a própria política interna do banco de não nomear dirigentes partidários. Se entregar o comando de um ministério a Anielle – cuja credencial mais vistosa até então era ser irmã de Marielle Franco – já era questionável, que dirá sua nomeação ao conselho de uma multinacional de ferro fundido?
Se os indicados do governo “geraram valor” ou não para a Tupy, cabe aos acionistas dizer – na época das indicações, as ações chegaram a cair 3% –, mas é certo que a Tupy gerou valor real para os indicados: mais de R$ 40 mil por mês, em média, um polpudo complemento de renda ao seu salário de R$ 44 mil.
Essa lógica se aplica a toda a máquina petista de fabricar cabides e sinecuras. Para os seus apaniguados, ela gera muitos dividendos. Do ponto de vista do País, a única coisa que gera é o descrédito em suas instituições e a desconfiança dos investidores.
Para que não restem dúvidas
INSENSATEZ DO STF FAZ MAL A DEMOCRACIA, por Lygia Maria, no jornal Folha de S. Paulo
Falta de comedimento da corte deturpa garantias e denota motivação política, o que contribui para minar sua imagem e acirrar polarização
Débora Rodrigues dos Santos, que pichou a Estátua da Justiça com batom durante a invasão da Praça dos Três Poderes no dia 8 de janeiro de 2023, foi condenada a 14 anos de prisão e multa de cerca de R$ 50 mil pelos votos dos ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino – no julgamento, ainda faltam os votos de Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Luiz Fux.
Trata-se de mais uma pena que carece de dosimetria e individualização dos atos no caso da turba de vândalos desmiolados —as primeiras condenações já variavam entre 14 e 17 anos.
Isso se dá porque os crimes arrolados incluem abolição violenta do Estado democrático de Direito, que, com emprego de violência ou grave ameaça, impede ou restringe o exercício dos poderes, e golpe de Estado, que se caracteriza por tentar depor por meio violento o governo legítimo.
Nas decisões, contudo, não está demonstrado como a depredação, sem armas ou apoio de força militar, derrubaria o governo ou impediria a atuação do Executivo, do Legislativo e do Judiciário.
Para piorar, Débora ficou dois anos em prisão preventiva, sendo 400 dias sem receber denúncia, e não há evidências de que poderia obstruir o processo ou representaria perigo à ordem pública.
O julgamento dos réus do 8 de janeiro é mais um exemplo de falta de contenção do STF, que se soma a avanços na seara do Congresso Nacional e ao descalabro do interminável inquérito das fake news, com suas infrações à liberdade de expressão.
Jair Bolsonaro, de forma covarde, irresponsável e autoritária, incitou sua massa de fiéis contra as eleições. Tal conduta vexatória para um chefe de Estado acirra a polarização, que há anos mina o debate público e atravanca o desenvolvimento do país.
Mas o Supremo também contribui para esse cenário nefasto. Sua falta de comedimento deturpa garantias fundamentais e denota motivação política. Aliada ao desmonte do combate à corrupção, com decisões recentes referentes à Lava Jato, cria desconfiança na sociedade sobre a atuação da corte constitucional. Assim, gesta o ovo da serpente que envenena a democracia.
(observação extra ao artigo publicado antes da decisão de hoje, segunda-feira, do ministro Luiz Fux. Ele pediu vistas, ou seja, em fato raro naquilo que era um copia e cola no STF, parou este julgamento pelo menos por um tempo. Talvez se recupere a sensatez e abra divergência)
Bom dia.
A empresa concessionária que EXPLORA as capitais São Paulo e Rio de janeiro é a mesma que presta serviços em Bombinhas, Porto Belo, Penha e vários outros municípios de SC e Brasil.
A taxa dos 10 M3 em Bombinhas é de R$ 103,00.
Lá a promessa pra entrega de coleta e tratamento do ESGOTO de 97% do município seria 2.022.
Hoje mal coleta os domicílios da praia central..jorra esgoto por toda parte, uma tristeza sem fim.
Ainda assim, nos acordos de porões da empresa com seus políticos,
a Câmara municipal AMPLIOU o prazo do acordo em TRINTA ANOS 👀
A empresa chama-se EGEA e, apesar de recém contratadas nas maiores capitais do país, colecionam processos por irregularidades no abastecimento e cobranças INDEVIDAS como nenhuma outra até então.
Assisti a reportagem que relatava o drama dos consumidores com torneiras vazias e contas estratosféricas pra pagar.
Pior: quem não paga, vai pro SERASA 💸💸💸💸💸💸💸💸💸💸💸💸💸💸💸💸💸💸😠
A julgar pelo escrito e na comparação feita, está evidente que é um contrato abusivo, mal feito e com aval do poder público, o detentor da concessão e o fiscalizador de tudo isso via uma agência reguladora.
Lá em Bombinhas é tudo nas coxas.
E pelo número de reclamações no Rio e São Paulo…
Registro para o aniversário no último domingo do amigo Tony Silva, para quem é das antigas, “Tony do Psdb ou Tony da Ceval”, sempre muito coerente e firme em seus discursos.
MORAES NÃO LÊ MORAES, por Diego Schelp, no jornal O Estado de S. Paulo
O juiz Alexandre de Moraes não lê o professor Alexandre de Moraes. Este escreveu, alguns anos atrás, que dois princípios amplamente aplicados no direito, a razoabilidade e a proporcionalidade, estão interligados. E relacionou o primeiro ao comedimento, à “ideia de que a conduta reta consiste em não exagerar para um de mais nem para um de menos”.
Ser razoável, ou seja, ponderar se um meio é adequado à sua finalidade, é um critério para se tomar decisões proporcionais, equilibradas e justas. É possível dizer que o juiz Moraes exagerou “para um de mais” ao condenar a cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos a 14 anos de prisão por escrever “perdeu, mané” na estátua da Justiça? Alguns dirão que não, em especial os que acreditam que os fins justificam os meios.
O STF já condenou quase 500 réus envolvidos nos atos de 8 de janeiro, muitos com penas superiores a 14 anos de cadeia. O sujeito que destruiu o valioso relógio de Dom João VI pegou três anos a mais de cana do que a Débora que sujou uma estátua de batom. Proporcional?
Algum tipo de punição a massa de manobra do golpismo deveria receber. Mas, ao pesar a mão nas penas, Moraes e os outros ministros do STF criaram um problema para si e para o Brasil.
O STF decide esta semana se torna o ex-presidente Jair Bolsonaro e vários integrantes de seu governo, incluindo militares de alta patente, réus por tentativa de golpe em 2022.
Mais à frente, quando forem julgados, qualquer sentença que venham a receber será considerada desproporcional se não for mais dura do que a recebida pela arraia-miúda do golpismo. Não apenas no tamanho da pena, mas também no critério que se utilizará para encontrar materialidade nos crimes para uma eventual condenação.
O STF elevou bastante a barra da punição esperada para os mentores de um golpe. Esse é o problema que a Corte criou para si mesma.
O problema para o Brasil concentra-se no Congresso. As punições exageradas aos réus de 8 de janeiro criaram um ambiente propício para que ganhasse força, entre os parlamentares, a convicção de que os condenados merecem algum tipo de perdão, seja pela extinção, seja pela redução da pena, como mostra o Placar da Anistia do Estadão.
Apesar de um número significativo de deputados a favor da anistia afirmar que o benefício não deveria se estender a Bolsonaro, está claríssimo que o projeto de lei do Major Vitor Hugo, do PL, é um cavalo de Troia para fazer a impunidade alcançar o ex-presidente.
LULA DESCOBRE QUE EXISTEM BANDIDOS, editorial do jornal O Estado de S. Paulo
Tisnado pela impopularidade, com índices de aprovação empurrados ladeira abaixo e lá permanecendo, o presidente Lula da Silva parece que finalmente descobriu o quão grande é a sensação de insegurança na população brasileira – e que esse não é um problema restrito apenas ao eleitorado mais conservador. A segurança pública, como se sabe, é uma área na qual nem o governo nem a esquerda nem muito menos o PT têm o que mostrar. Recentemente, porém, durante evento no Ceará, em que protagonizou uma de suas muitas inaugurações palanqueiras, Lula afirmou que não permitirá que a “república de ladrões de celular comece a assustar as pessoas nas ruas deste país”.
A retórica de vingador mascarado, própria de gibis de super-heróis, não orna bem nem com um presidente da República, que não tem entre suas atribuições cuidar da segurança dos cidadãos, nem com um integrante do PT, partido que jamais se preocupou de verdade com isso. Ademais, a “república de ladrões de celular” já é conhecida de todos os brasileiros que vivem nas grandes metrópoles. Logo, Lula chegou tarde ao debate.
Roubo e furto de celulares são hoje os crimes que mais preocupam os cidadãos quando questionados sobre violência urbana, crimes esses que ocorrem de forma democrática, afetando todas as classes sociais. Em alguns casos, como o de São Paulo, há também um notável crescimento nos índices de latrocínio (roubo seguido de morte).
Já faz tempo que o roubo e o furto de celulares resultavam apenas em prejuízo financeiro. Especialistas lembram que os aparelhos viraram fonte de devassa na vida da vítima. Enquanto esta perde um patrimônio de valor e o seu sigilo bancário, bandidos acessam dados pessoais e podem realizar movimentações financeiras e realizar compras com cartões cadastrados. Tudo isso amplifica a sensação de insegurança. Além de São Paulo, números crescentes são registrados em capitais como Salvador e Rio de Janeiro.
Lula descobriu o que sucessivas pesquisas já apontavam desde o ano passado: a maioria dos brasileiros vê piora na segurança pública. Em março de 2024, 79% dos entrevistados em enquete da Quaest sentiam que a violência no Brasil havia piorado nos 12 meses anteriores. O Datafolha também registrou, ao longo daquele ano, a volta da segurança pública ao topo das preocupações nas capitais. Não se viu reação governamental significativa, apenas uma tentativa tímida do ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, de transmitir algum movimento na área. Até aqui, deu no que deu: em nada.
Agora há registros na imprensa descrevendo o esforço de auxiliares do presidente para convencer o chefe de que, assim como a inflação, a segurança pública é um problema que também prejudica a imagem do seu governo, ainda que seja atribuição dos Estados. Como o único problema que Lula de fato conhece é a sua popularidade (e a próxima eleição à vista), ele resolveu agir – ao seu estilo: com bravatas e campanha publicitária. No mesmo palanque no Ceará, o presidente disse que “lugar de bandido não é na rua assaltando, assustando e matando as pessoas”, numa fala calculada para tentar convencer o eleitorado de que pode enfrentar a direita nesse terreno. Além do discurso, o governo também promete, ora vejam, mais uma campanha, provisoriamente focada no “Celular Seguro”, aplicativo do Ministério da Justiça que ajuda a bloquear e localizar celulares perdidos ou roubados.
Ao jornal O Globo, o deputado Jilmar Tatto, secretário nacional de Comunicação do PT, escancarou a estratégia: “O PT até agora não achou embocadura para esse tema, mas o governo, depois de muitos debates, não está mais tendo essa confusão. Bandido tem que ser julgado e ir para cadeia, cara que rouba tem que ser julgado e pagar pelo que fez, sendo pobre ou rico. Essa é a mudança conceitual e de comportamento do ponto de vista de como tratar o tema e a linguagem”. Bem, antes tarde do que nunca: para um partido que sempre atribuiu o crime às “injustiças sociais”, chamar bandido de bandido é um progresso e tanto.
Sobre segurança pública, não é que quando a gente acha que não pode piorar, não é que PIORA?
A “nova” modalidade dos bandidos é LEVAR ALIANÇAS.
Tá uma febre nas grandes capitais…
Aprenderam com os políticos. Eles [os políticos, novos e antigos] vivem fazendo alianças para nos roubar mesmo que não tenhamos mais os aneis levados pela carestia, o medo e a insegurança jurídica.