Alterado, ampliado e revisado às 13h45min deste 15.03.2025. EDIÇÃO EXTRA. Isto você não viu, ainda, em lugar nenhum aqui nos meios de comunicação de Gaspar.
Às vésperas dos 91 de emancipação de Gaspar de Blumenau, depois de uma entrevista inexplicavelmente muito tardia – e volto outro dia a este assunto em outro artigo, quando o “delegado prefeito Paulo Norberto Koerich, PL, superficialmente, disse que o município está atolado em dívidas, e numa matéria que vai ser votada depois das comemorações da terça-feira, dia 18, a Mesa Diretora da Câmara, presidida pelo campão de votos Alexsandro Burnier, PL – ou seja, do mesmo partido do “delegado prefeito” Paulo, quer instituir o Vale Marmita para os 13 vereadores.
Nesta Mesa Diretora da Câmara estão ainda o vice o campeão de diárias Ciro André Quintino, MDB (até sábado era R$3.627,00, afora a assessora que o acompanha em quase todas as viagens para o registro de vídeo e fotos e assim encher as redes sociais do vereador), e também pelas secretárias Elisete Amorim Antunes, PL e Mara Lúcia Xavier da Costa dos Santos, PP. E foi ela quem protocolou o Projeto de Lei 10/2025.
Este PL quer se votar sem muita discussão e os vereadores já estão condenando o interesse, bem o esclarecimento, deste espaço no que “Altera a ementa e o caput do artigo 1º da Lei nº 3.507, de 25 de março de 2013, que “Institui auxílio-alimentação aos servidores da Câmara Municipal de Gaspar”. Qual a razão para tanto medo, silêncio e praguejamento?
O que significa esta alteração que quase todos os políticos não querem que a cidade, cidadãos e cidadãs de um município supostamente quebrado como alega o seu prefeito de plantão, com inflação e alta e carestia sobrando aos eleitores e eleitoras que sustentam tudo isso com seus pesados impostos, não perceba?
De que não só o servidor da Câmara, obrigado a trabalhar quase todos os dias úteis, vá ganhar – como sempre ganhou – o Vale Alimentação que sairá de R$750,00 para R$850,00, tanto no Executivo como no Legislativo. Mas, por uma manobra, os próprios vereadores sejam beneficiados, com apenas uma sessão deliberativa por semana . Ela não dura em média mais de duas horas. Isto sem contar que muitos faltam ou, principalmente, saem cedo – por vários motivos.
Vale a pena relembrar que em 2021, o então presidente da Casa, o ex-vereador Francisco Solano Anhaia, MDB, tentou fazer a mesma jogada e foi, vejam só, surrado pela cidade que hoje está no PL de Alexsandro e do “delegado prefeito” Paulo.
Anhaia, retirou a proposta. Alexsandro fez a festa naqueles dias para ter reconhecimento fácil como vereador novato o que iria mudar a política de Gaspar. Agora, finge que não é com ele. Impressionante.
Mais, impressionante é a falta de memória dos eleitores e eleitoras e como os políticos trocam de posições, ao sabor dos interesses deles e do momento.
Agora, parecem estar todos na mesma gamela. O vereador Dionísio Luiz Bertoldi, PT, o que não usa os carros oficiais (Corollas) da Câmara de Gaspar para andar nas estradas esburacadas do município fazendo filminho, entrou em contato com o blog tão logo recebeu este artigo. Foi para dizer que está contra esta proposta. O único, por enquanto.
A nova ementa, se aprovada, terá a seguinte redação “Institui auxílio-alimentação aos servidores e agentes políticos da Câmara Municipal de Gaspar”. E onde está o pulo do gato para incluir os vereadores neste “Vale Marmita do Alex”? “agentes políticos da Câmara Municipal de Gaspar“.
O que diz a justificativa do Projeto Lei. Quase nada? “A proposta, ainda, inclui os agentes políticos como beneficiários do auxílio-alimentação”.
Esta proposta, também é imperfeita. Não fala nada sobre os impactos financeiro dela no Orçamento com a inclusão da “novidade” e muito menos esclarece sobre a cumulatividade de ganho do Vale Marmita do Alex com as diárias, feitas exatamente, para cobrir parte das despesas de alimentação, quando fora de Gaspar.
Hoje, troquei, uma conversa com o presidente da Câmara, Alexandro Burnier, PL, sobre este assunto. Está gravada. Abro ela, porque eu não afirmei para ele que era confidencial, nem ele me pediu esta confidencialidade, apesar de ser um assunto público relevante para a cidade, sempre respeitei pactos com as minhas fontes.

Eu. Bom dia! De quem foi esta ideia [do vale marmita dos vereadores]
Alex. A Lei do Vale Alimentação para o servidor já existe.
Eu. Você é esperto demais. Deixei isso rolar [sabia por fontes da Câmara e que os políticos de Gaspar detestam que eles me procurem para relatar fatos] para ver aonde ia dar. Mas, felizmente existe gente mais atenta, comunitária e responsável. E você tenta me fazer de tolo mais uma vez [um dia ele me disse que eu mentia quando mencionei a quantidade de corolas da Câmara, numa resolução de identificação que ele próprio mencionou e está no portal da Câmara]. O Vale Alimentação para o servidor da Câmara existe. Mas, para o vereador, o tal agente político mencionado no PL, não. Afinal, você não me respondeu de quem foi esta “criativa” ideia para colocar mais dinheiro nos bolsos dos vereadores. Afinal, você o presidente da Câmara e o cabeça da Mesa Diretora.
Alex. Você escreve o que quer sem se preocupar se é verdade ou não [ mais uma vez tentando me desqualificar, como qualquer velho manhoso ou coroné político e naquilo que é público, está documentado, e no portal da Câmara]. Se você acha que a ideia é (sic), o que eu vou te dizer. Eu só [sou] presidente do Legislativo; coloco [as] pautas que os vereadores querem ou não votar [e colocou um emoji de positivo].
Então, diante da insistência de me desqualificar, eu reenviei ao presidente Alexsandro Burnier, PL, o documento da Câmara, assinalando o pulo do gato, como no documento que abre este artigo. E perguntei: “O que é isto? É invenção minha? Você está me dizendo que é um boneco e não um presidente da Câmara? Boneco de quem?”
E Alexsandro me retornou encerrando o contado com algo de duplo sentido as perguntas feitas: “Não. Essa não é invenção sua”. Posteriormente, quando leu este artigo, pelo mesmo canal, queixou-se. Acha que estou sem assunto para mostrar ele como é e sempre foi. É que ele não esperava que eu saísse do meu descanso de septuagenário para por às claras para a cidade, mais uma jogada de seus políticos, e que dizem serem a grande mudança. O que mesmo estão mudando nesta proposta? Muda, Gaspar!
10 comentários em “VEREADORES DE GASPAR APROVEITAM O REAJUSTE GERAL DOS SERVIDORES E DÃO A SI PRÓPRIOS, ALÉM DA ATUALIZAÇÃO DA VERBA DE REPRESENTAÇÃO, O VALE MARMITA DE R$850 POR MÊS. ELE PODE ACUMULAR COM AS DIÁRIAS QUE JÁ SOMAM QUASE R$ 30 MIL SÓ ESTE COMEÇO DE ANO.”
Pingback: UM GOVERNO POLÍTICO E ESTRATEGICAMENTE ERRÁTICO. DESGASTA-SE À ESPERTEZA DOS ALIADOS. FALTA-LHE ARTICULAÇÃO E TRANSPARÊNCIA COM A SOCIEDADE QUE O ESCOLHEU, ESMAGADORAMENTE NAS URNAS, PARA MUDAR O QUE SEMPRE FOI ASSIM - Olhando a Maré
É por essas e outras que a reeleição deveria ser banida do ordenamento pátrio. Para qualquer cargo.
Concordo. E o mais longevo dos vereadores de Gaspar, quietinho, só olhando o tusunami que causou
Caro Herculano
Confesso que depois de muito tempo recluso, cuidando das minhas atividades particulares e das questões junto à Federação e da Confederação dos servidores, e, finalmente afastado definitivamente do serviço publicado gasparense, onde estive vinculado por 27 anos, sendo quase 30 anos de serviço público prestados. Eu gostaria de continuar calado e desfrutando do meu sossego. Todavia, tem coisas que nos tiram totalmente do eixo do equilíbrio e, esta gambiarra da extensão do auxílio alimentação aos agentes políticos da câmara, na real aos vereadores, é dose para mamute. A manifestação clara do presidente da câmara nas redes é a de ludibriar o cidadão leigo às coisas que envolve o público. Como ex presidente do SINTRASPUG, vi que inclusive nosso sindicato foi usado no discurso para justificar tamanho desmando. Eu estava lá na última assembleia, aliás coisa normal, realizada todos os anos para revisão geral dos servidores, tanto do executivo como do legislativo. Bom, ja soube que 4 vereadores, Dionísio, Sandra, Giovano e Thimoti, se manifestaram contrario a gambiarra, tão bem abordada por esta pagina também, mas, a grossos modos da matemática, não seriam suficientes para barrar a desejada alteração. Aguardemos os próximos capítulos. Bom, tem uma máxima que já diz: “Dê poder a um homem, e verás quem ele é!” Nicolau Maquiavel.
Com todo o respeito. Sandra, Giovani e Thimoti, só hoje e bem depois que a cidade virou um alho contra esta armação feita na calada de gabinetes. E os demais? Ainda estão na conta dos oito votos que se dizia ter na manhã de domingo numa contagem informal para darem o recado à cidade de quem manda nela? Obrigado pela leitura.
VALE MARMITA DO ALEX
A Câmara de Gaspar está determinada a criar o Vale Marmita do Alex. Depois que o que se escondia, propositadamente, entre um final de semana e um feriado prolongado da emancipação na terça-feira, foi revelado aqui, e ganhou furiosamente as redes sociais, e timidamente a mídia local e regional, nervosamente, os vereadores se falaram entre si.
Contaram os votos. Há pelo menos oito votos a favor da ideia. quem comanda isso tudo? O mais longevo dos vereadores José Hilário Melato, PP, e Ciro André Quintino, MDB, que estão praguejando este espaço e acalmando, o campeão de votos, Alexandro Burnier, PL. Muda, Gaspar!
Depois da primeira versão do Chico Marmita, agora vem a versão 2.0: o Marmitex do Alex
A CARESTIA NÃO TEM CURAS PONTUAIS, por Elio Gaspari, nos jornais O Globo e Folha de S. Paulo
Na quarta-feira, Lula anunciou uma iniciativa para expandir o crédito dos trabalhadores e explicou: “Não há nada mais milagroso para uma economia do que o dinheiro circular na mão de todos. Quando o dinheiro se concentra na mão de poucos, a gente sabe o resultado da História do Brasil, de muitos países e da humanidade”.
Faltou-lhe a sorte. No mesmo dia, o IBGE informou que a inflação acumulada nos últimos 12 meses estava em 5,06%, superando o teto da meta do Banco Central de 4,5%. Mais dinheiro na mão de todos faz milagres. Contudo, se o dinheiro vale menos, o milagreiro se torna charlatão.
Desde que a carestia foi associada à erosão da confiança no governo, os companheiros correm atrás de más notícias pontuais. Ora é o ovo, ora é o café. Para o que seriam problemas pontuais, respondem com soluções políticas pontuais. Itaipu socorre as tarifas de energia, ou retira-se o imposto de importação para aliviar o preço do ovo.
No final do século passado, o dragão da carestia assombrou quatro presidentes: Ernesto Geisel, João Figueiredo, José Sarney e Fernando Collor. Todos tentaram conter a inflação valendo-se de medidas econômicas empacotadas em iniciativas políticas. Todos fracassaram, até que no governo de Itamar Franco, com Fernando Henrique Cardoso no Ministério da Fazenda, veio o Plano Real e foi restabelecido o valor da moeda.
Saído da cabeça de um grupo de economistas, o Plano Real era engenhoso, mas só deu certo porque, finalmente, Itamar Franco e, sobretudo, Fernando Henrique, subordinaram as ações pontuais ao objetivo central da recuperação do valor da moeda. Se isso tivesse sido feito nos governos anteriores, o Brasil não teria chegado a uma inflação de 1.621% em 1990. Naquele tempo, o instituto da correção monetária mascarava a carestia. Hoje, a inflação entra direto no orçamento das famílias.
Apesar disso, Lula acredita em bodes expiatórios. Até o ano passado, ele se chamava Roberto Campos Neto. Como ele deixou o Banco Central, teria deixado uma “arapuca”. Já, já, o bode da vez serão as tarifas de Donald Trump. Aos bodes, contrapõe-se o milagreiro. Ele aciona o companheiro de Itaipu e baixa a tarifa de energia naquele mês.
Lula 3.0 está diante de um surto inflacionário incipiente, porém cruel, e acredita nas virtudes de uma retórica que, há 50 anos, levou-o de um torno mecânico ao Palácio do Planalto. No governo, ele não percebeu que a situação inverteu-se. Ele agora está na cadeira dos presidentes que acreditavam em medidas pontuais e em pacotes que misturavam objetivos políticos com medidas econômicas.
Fernando Henrique e Itamar Franco perceberam a sutileza do problema. A carestia/inflação era o principal problema da política brasileira e deveria ser enfrentado com iniciativas globais na economia.
LULA E LUIZ XV
Com sua piada sobre os atributos de Gleisi Hoffmann, Lula aproxima-se perigosamente do diagnóstico do historiador francês Claude Manceron a respeito de Luís XV, rei da França de 1715 a 1774.
Ao fim do seu reinado, aos 64 anos, ele estava fora de moda.
BOA NOTÍCIA
O número de jovens que decidem estudar Engenharia encolheu de 469 mil em 2014 para 358 mil em 2023. Esse número mostra um país que anda para trás, mas as coisas boas também acontecem.
A repórter Renata Cafardo informa que entre 2017 e 2023 os matriculados em cursos de Medicina Veterinária passaram de 314 para 3,5 mil. Em 2017, os estudantes de Gestão de Agronegócio eram 200 e em 2023 chegaram a 7,3 mil. Mais: 45 mil jovens estudam Agronomia. Esses são números que mostram um país que vai em frente.
Nos Estados Unidos do século XIX, industriais criaram joias como institutos de tecnologia de Massachusetts e da Califórnia. No Brasil, nada. Os institutos de Tecnologia da Aeronáutica e o Militar da Engenharia saíram da Bolsa da Viúva.
Há gente batalhando para que os poderes do agronegócio criem um instituto de tecnologia de alimentos semelhante aos que surgiram nos Estados Unidos e na China. Tomara que a coisa ande.
MEGALOMANIA
O Planalto incluiu no seu projeto de Orçamento uma rubrica que destina R$ 760 milhões ao Movimento dos Sem Terra para iniciativas de capacitação.
Será difícil votar o Orçamento enquanto essa rubrica estiver lá.
O JUDIÁRIO FUNCIONOU
Com magistrados seguindo ministros do STF para lustrar farofas e com a disseminação de penduricalhos que se estendem a setores do Ministério Público, o Judiciário vem apanhando como boi ladrão. Mesmo assim, coisas boas acontecem.
O Conselho Nacional de Justiça barrou um edital do Tribunal do Maranhão que pretendia comprar 66 iPhones para seus doutores.
(Depois que o major Rafael Oliveira comprou um iPhone com o capilé dos golpistas, alguém poderia criar um aplicativo que informasse: “Mensagem mandada pelo meu iPhone, comprado com meu dinheiro”).
Mais: o Superior Tribunal de Justiça condenou a penas que vão até 20 anos de prisão em regime inicial fechado, três desembargadores do Tribunal Regional do Trabalho do Rio. Os doutores vendiam sentenças e foram apanhados pela Polícia Federal.
EREMILDO, O IDIOTA
Eremildo é um idiota. Mora nos fundos de uma pensão e nunca entendeu direito como funcionam os fundos de pensão das estatais de Pindorama.
O cretino sabe que déficit não é rombo, como tangerina não é laranja. Ele não entende o desconforto de diretores da Previ, diante da auditoria do Tribunal de Contas da União para estudar o déficit de R$ 14 bilhões registrado pelo chamado Plano 1 do fundo.
Pelas contas do cretino, a Previ concentrou 35% dos seus investimentos em aplicações de renda variável em ações da Vale. Como o preço do minério despencou, com ele caíram as ações da empresa.
Eremildo acha que se a Previ mostrar aos auditores do TCU outro fundo do seu porte que aplicou 35% de seus investimentos numa só empresa que depende da cotação de uma só mercadoria, a fiscalização perde seu sentido.
CADÊ A AUTORIDADE CLIMÁTICA?
Na semana passada completaram-se seis meses do dia em que Lula prometeu, em Manaus, criar a Autoridade Climática. Faltam oito para a reunião da COP-30, em Belém.
Até hoje não foi escolhido o coordenador das negociações com empresas. Até aí, coisa de governo travado.
Para piorar, a COP-30 arrisca ser transformada num palanque do trumpismo e de uma charanga de países seus aliados.
Ao final da reunião, os Estados Unidos formalizarão sua saída do Acordo de Paris. Num cenário de pesadelo, pode-se imaginar Donald Trump, ou mesmo o secretário de Estado, Marco Rubio, descendo em Belém para açoitar a COP.
O IMPACTO DA GASTANÇA NÃO AGUARDARÁ O PRÓXIMO PRESIDENTE, editorial do jornal Folha de S. Paulo
Em 2027, o próximo presidente da República não será capaz de governar com o atual conjunto de regras orçamentárias —pomposamente chamado de arcabouço fiscal— sem gerar inflação e aumento da dívida pública. É o diagnóstico da ministra do Planejamento, Simone Tebet, revelado em entrevista concedida à GloboNews.
Para ela, o país não pode desperdiçar o último bimestre de 2026, o período entre a eleição e a posse do próximo mandatário, para rever as regras de gastos públicos e torná-las mais rigorosas.
Seria o oposto da janela da gastança no final de 2022, termo usado pela ministra, quando foi aprovada a proposta de emenda constitucional (PEC) da transição de governo, que adicionou R$ 150 bilhões anuais nas despesas. Tal montante foi muito além do necessário para a recomposição de políticas públicas, como amplamente diagnosticado à época.
O que se fez foi abrir um grande espaço para medidas perdulárias e enfraquecimento de controles, algo devidamente aproveitado pelo governo e pelo Congresso.
Sobre essa base já elevada foi construído o arcabouço petista —o conjunto de normas que deveria reger o ritmo de crescimento das despesas públicas, mas que se mostrou, não sem repetidos alertas de especialistas,
Tebet se queixou do Congresso Nacional, que não se portou como o parceiro fiscalista esperado nos momentos cruciais e tampouco estaria disposto a discutir qualquer ajuste antes das eleições gerais de 2026. Essa seria, avaliou, a realidade da política brasileira.
Embora isso de fato faça parte do quadro, outro aspecto bem mais impactante da realidade foi ignorado pela crítica da ministra do Planejamento: o de que a liderança no trato de grandes temas nacionais parte do Palácio do Planalto, que até aqui se mostrou avesso, em palavras e ações, a qualquer ajuste contundente no Orçamento federal.
O risco de tais deficiências derrubarem a economia, entretanto, não esperará 2027. Na verdade, o impacto da irresponsabilidade da administração petista no trato das contas públicas já se mostra presente para a população.
A inflação, nos itens de primeira necessidade, em especial alimentos, corrói o poder de compra e o bem-estar das famílias. A alta dos juros, resultado da desconfiança na gestão fiscal, encarece o crédito, eleva ainda mais a dívida do Tesouro e trava consumo e investimentos. Tudo sugere, ademais, que a atividade crescerá menos neste ano, com provável piora na geração de empregos.
Lula desperdiçou a janela dos primeiros dois anos de mandato para garantir a estabilidade econômica. Programas sociais, investimento em infraestrutura e geração de empregos ficam insustentáveis sem contas em ordem e controle do endividamento.
Se não mudar de rumo —estamos em 2025 e há tempo— logo, limitará o que resta de seu governo à mera contenção de danos
INSATISFEITO DIANTE DAS SUCESSIVAS INCOERÊNCIAS, AURÉLIO MARCOS FAZ UMA CONTUNDENTE E ESCLARECEDORA CARTA ABERTA E DEIXA O PL DE GASPAR. “QUERO ESTAR INDEPENDENTE PARA AGIR”, JUSTIFICOU QUANDO QUESTIONADO
CARTA ABERTA
Gaspar/SC, 15 de março de 2025
Caros amigos, simpatizantes e cidadãos Gasparenses,
Em 03 de abril de 2020, tomei a decisão de me filiar ao Partido Liberal (PL) acreditando nos princípios que, naquele momento, o partido representava. O PL ainda não possuía o protagonismo que viria a alcançar, e, em Gaspar, nossa luta estava centrada na construção de um projeto sólido de desenvolvimento. Com essas ideias, estive ao lado de Rodrigo Boeing Althoff na disputa pela Prefeitura, acreditando que juntos planejávamos construir algo maior para nossa cidade.
No entanto, ao longo dos anos, o partido passou por transformações significativas, e a grande questão é: essas mudanças foram para melhor? O PL foi, sem dúvida, uma força crescente no cenário político, mas o que vemos hoje está realmente alinhado com os ideais que defendíamos inicialmente? O que parecia ser um projeto de governo para transformar a cidade, com base em ações concretas e compromissos com a população, foi, na prática, substituído por um projeto de eleição?
A diferença entre esses dois conceitos é crucial. Um projeto de eleição busca apenas vencer o pleito, com promessas e estratégias focadas no curto prazo. Mas será que isso é suficiente para um município como Gaspar? O que vemos hoje não parece ser a construção de um governo eficaz e comprometido com as necessidades do município, mas uma gestão que se justifica pelas dificuldades e não pelos resultados esperados.
Em 2024, Rodrigo Althoff, que foi candidato à Prefeitura em 2020, foi preterido na nova eleição, mas conseguiu ser eleito vice-prefeito, na chapa ao lado do Delegado Paulo Koerich. A posse em 1º de janeiro de 2025 trouxe grandes expectativas, mas até agora, pouco foi implementado de fato. O que deveria ser um marco de mudança e ação realizada parece, até o momento, se arrastar em um clima de passividade. Para qualquer gestor público, é necessário mais do que fazer diagnóstico das dificuldades – é preciso agir com confiança, determinação e inovação. Será que isso está realmente acontecendo?
Diante disso, após refletir profundamente sobre os rumos que o PL tem seguido, cheguei à conclusão de que preciso me afastar do partido. Essa decisão não é movida por raiva ou ressentimento, mas por uma reflexão sobre minha política de caminhada, que deve estar em sintonia com meus valores e com o que acredito ser o melhor para nossa cidade. Desfilio-me do partido, mas continuo sendo muito simpático com a ideologia de direita, a qual nunca mudei de opinião. “NUNCA ESTIVE À ESQUERDA E NUNCA TIVE QUALQUER AFAGO COM OS MESMOS.”
É importante observar que muitos dos discursos que circulam hoje são daqueles que nunca foram verdadeiramente de direita, mas que agora se aproximaram dessa ideologia apenas para conseguir apoio político. Se não conseguem sequer proferir um discurso coerente com o partido, o que dirá servir a um projeto sério e estruturado? A diferença é que, como tantos outros, hoje em dia vejo discursos que se colocam fora de qualquer concepção clara de esquerda ou direita, o que muitas vezes nos confunde, já que a distinção entre essas vertentes tem sido diluída ao longo do tempo. Não mudei minha opinião, nem meu compromisso com o que acredito ser o melhor para nossa cidade e para a sociedade.
Embora me distancie do PL, que outrora era unido e coeso, mas que agora se mostra fragmentado e sem a força que possuía, sigo com os mesmos princípios e convicções que sempre nortearam minha atuação política.
Enquanto simpatizante e cidadão, “continuo acreditando que não é preciso um mandato para fazer as coisas acontecerem”. COMO JÁ PROVEI NO PASSADO, a ação transformadora e o compromisso com a cidade não dependem de cargos políticos, mas sim da determinação, do esforço e do compromisso com o bem-estar da comunidade. Continuarei lutando, como sempre, para que nossa cidade tenha o progresso que merece. E, mesmo fora do partido, me dedicarei a ela de todas as formas possíveis, sem perder o foco no desenvolvimento de nossa comunidade.
No que diz respeito à formalização da minha desfiliação, informo que todas as medidas permitidas, incluindo os comunicados pertinentes, serão tomadas na próxima semana, em conformidade com as normas partidárias e legais vigentes.
Por fim, não poderia deixar de parabenizar a todos os Gasparenses pelos 91 anos de história que nossa cidade completa neste ano. Durante 54 anos, vivi e testemunhei as transformações e desafios que fizeram de Gaspar o que é hoje. Será que, com todas as mudanças, estaremos realmente mais próximos de um futuro melhor? Que continuemos avançando juntos, com o compromisso de sempre, para construir uma Gaspar ainda mais próspera e acolhedora para as futuras gerações.
Com respeito, gratidão e esperança,
Aurélio Marcos de Souza