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É PRECISO REZAR MUITOS “PAI NOSSO”. SURPREENDIDO E ANTES DE SER TRAGADO PELA CIRCUNSTÂNCIAS, O “DELEGADO PREFEITO” PAULO RESOLVEU SAIR DO GABINETE E GOVERNAR. MAS, SE QUISER SAIR DA LETARGIA E DESCULPAS, VAI TER QUE MEXER NA EQUIPE.

Uma nota extraordinária, para alguém extraordinário na vida empresarial catarinense, de Gaspar, de muitas pessoas, inclusive a minha.

Faleceu aos 82 anos (nascido no dia 22.05.1942), o engenheiro químico, graduado em Curitiba, visionário, agregador, inovador e gestor, o florianopolitano Vilmar de Oliveira Schürmann, filho de um imigrante alemão (Wihelm Theodor) e de uma brasileira (Avenina de Oliveira), de Blumenau. Ele marcou, profundamente, um período empresarial – foi o fundador da Acig -a politica e a história em Gaspar. Foi o ele quem viabilizou, quando técnico do BRDE (início da década de 1970), com Francisco Mastella e principalmente, Renato Manoel Peixoto, todos já falecidos, uma simples e despretensiosa ideia acadêmica de alunos do recém curso de Economia da Furb e abraçada pela Companhia Hering, de Blumenau, a Cereais do Vale e que veio dar na Ceval Agro Industrial SA. Ela se tornou a maior do Brasil no seu segmento. Abriu fronteiras no Centro Oeste, parte do Norte e Nordeste para o agro. Foi referência não só nacional, mas mundial seja no comércio de commodities bem como nas unidade que tinha na Índia e Argentina. Nos anos 1990, cobiçada, principalmente por seu corpo de técnicos e trabalhadores inovadores, foi comprada pela Bunge.

O velório será realizado hoje, dia 14, das 12 às 19 horas, no salão de eventos do seu Hotel Vila do Farol, em Bombinhas. Há duas décadas a sua qualidade de vida foi ficando comprometida pelo mal de Parkisson ao qual resistiu brava e dignamente.

O “delegado prefeito” Paulo Norberto Koerich, PL, sem muita alternativa, sob crescentes críticas e desconfianças, resolveu fazer o simples e o óbvio, mas depois que a cidade soube por aqui que VEM AÍ A NOVA BATALHA DO DELEGADO PAULO NA CÂMARA. A REFORMA ADMINISTRATIVA VAI CRIAR SECRETARIAS, PRIORIZAR SEGURANÇA E CUSTAR MAIS NUM ORÇAMENTO QUE ELE PRÓPRIO GOVERNO ARGUMENTA E DIZ SER INSUFICIENTE PARA AS DEMANDAS MÍNIMAS ATUAIS. 

Paulo, o vestido de prefeito, ou seja, de iniciado na política, e porque assim só ele quis, foi fazer nada além daquilo que se esperava ou que prometera na campanha para não repetir o que fez Kleber Edson Wan Dall, MDB, e que depois de oito anos de governo, foi reprovado amplamente nas urnas como a miséria de votos que recebeu pelo seu vice candidato a sucede-lo, Marcelo de Souza Brick, PP. Paulo saiu do gabinete e começou a governar – e se explicar, porque político precisa fazer isso – 70 dias depois da sua posse e 130, se contar a transição.

Primeiro, o que é governar? Há vários conceitos, mas todos eles desembocam, inclusive, desde um simples verbete no dicionário, até os mais sofisticados tratados de ciências políticas e filosofia, na capacidade de melhor decidir. E vale tanto para o setor privado como para o público. Escolhe-se. Decide-se de forma isolada (autoritária ou para um grau de alto risco emergencial a ser tomado), ou amalucada (como Trump, Bolsonaro e Lula…), ou olhando os problemas com o emaranhado de implicações, ou conciliando e excluindo interesses. Foi o que prefeito Paulo, e não o delegado, o que manda prender, fez esta semana, em pelo menos duas oportunidades e que escolhi para destacar no artigo de hoje, numa cidade prestes a completar 91 anos de emancipação de Blumenau (dia 18, terça-feira).

PRIMEIRO ROUND

Na primeira delas, o prefeito Paulo foi ao Barracão conversar com a comunidade de lá. Ela queria entre tantas outras coisas, a ampliação do cemitério e uma capela mortuária.

Eles estão certos. Entretanto, o prefeito Paulo foi claro: antes de bater o martelo será necessário resolver coisas burocráticas, como a cessão do terreno da Mitra (Diocese de Blumenau) para o município construir ou ampliar o que querem. O município não vai pôr (ou não pode) dinheiro em patrimônio que não é dele.

Segundo, diante das dificuldades orçamentárias do município, que nem limpar os cemitérios é possível hoje em dia, esta não era uma meta imediata para se alcançar por lá.

E o prefeito disse isto na frente de quem usa o povo para lhe pressionar na Câmara, onde por falta de estratégia política do governo e das lideranças partidárias que lhes apoiam – e não vou repetir o que já escrevi seguidamente – lhe faltam votos: os vereadores Ciro André Quintino, MDB, e José Hilário Melato, PP, ambos identificados com a região sul de Gaspar, bem como na presença do presidente da Câmara, Alexandro Burnier, PL, que ao querer ser presidente da Câmara, tirou um voto do governo neste crucial ano de mudanças (foto ao lado). 

E Paulo saiu-se bem. Foi entendido. Até porque se comprometeu de, mais adiante, com a “prefeitura em ordem na qual acredita nisso” voltará ao assunto aos do Barracão. E inspirou confiança. Dentro da Igreja de Nossa Senhora do Rosário, não chegaram nem ao rosário, nem ao terço. Bastou um “Pai Nosso” e uma benção do pároco Antônio Bohn. E as almas foram confiantes para suas casas. Pergunto: doeu?

SEGUNDO ROUND

Animado, no outro dia, o prefeito Paulo, e não o delegado, foi ao salão comunitário da capela de Santa Catarina de Alexandria, no Distrito do Belchior, desatar outro nó deixado por Kleber e o vice de então, Marcelo (este morador de lá): a drenagem, alargamento e pavimentação do segundo trecho da Vidal Flávio Dias. Novela de mais de oito anos. Pouco antes de deixar o governo, Kleber fez festa com a assinatura da Ordem de Serviço, mas a empreiteira vencedora e com a ordem para fazer o serviço já estava pronta para sair de lá. É que trechos do alargamento e drenagem pegaria parte de alguns terrenos de particulares. E Kleber não os desapropriou, nem conversou para a cessão, ou indenizou ninguém para tomar estas terras necessárias às obras.

Papo vai, papo reto vem, todos os que estavam presentes (foto de abertura do artigo) concordaram em ceder, sob algumas condições de reparos, pequenos nacos de suas propriedades. Elas agora, na correria, o acordado em reunião vai para o papel, lei e retificação no registro de imóveis para que não se reste nenhuma dúvida do que foi acertado. Só não se sabe como ficará a ligação na BR-470, ali no viaduto da Segalas. O dono do terreno, a Construcolor, não concorda com o traçado proposto pelo DNIT para de alcançar a BR e as alças do viaduto. A outra dúvida, é se aquele trecho da Vidal Flávio Dias não virará uma via tão instável como é a milionária ligação do pasto do jacaré entre as avenidas Francisco Mastella e Frei Godofredo. O terreno é de turfa.

Noves fora, o prefeito Paulo descobriu, tardiamente, que governar é sair do gabinete. E, por enquanto, ele possui crédito, bem como autoridade dos votos e não apenas da investidura para isso. Naquilo que se meteu esta semana, nestes dois casos pinçados, resolveu. Governar é mais do que exercer autoridade, é entender a cidade e principalmente a cidade, os cidadãos e cidadãs entenderem o governoE neste ponto o “delegado prefeito” falha triplamente.

TRANSPARÊNCIA OPACA

Primeiro. Seu entorno de “çábios” é tóxico – numa mistura de ideologia que não leva a resultados práticos nenhum para a cidade e proteção do governo em si. Segundo: a sua equipe, incrivelmente, ainda tem a cara do antigo governo, mas não só a cara, como também não responde com resultados, criatividade ou amparo naquilo que já está fragilizado. E terceiro: falta transparência em quase tudo que se faz pelo bem e o mal na prefeitura de Gaspar. Isto aumenta as especulações, frituras, além de proporcionar disputas em algo que ainda em sequer disse a que veio. A comunicação do governo é uma piada de mau gosto a ponto de dizer que imposto (IPTU) é investimento. E para piorar, no tempo da Inteligência artificial, tem valor quem fofoca, centraliza e burocratiza mais.

A coisa está se complicando na imagem que sequer foi consolidada e não saiu do imaginário. Tem gente pedindo demissão pelas três coisas citadas acima. Outros estão se queixando ao bispo em Blumenau, ao cardeal em Florianópolis e até ao papa em Brasília.

Por isso, no círculo íntimo de Paulo, o que vai pela chefia de gabinete, pela área de comunicação e agora por aí e diz não ter dinheiro, mas deu aumento real para os servidores e monta uma reforma administrativa com aumentos de custos da máquina pública, a ordem é ficar mudo. Até porque são mensagens conflitantes. E devido a esses conflitos, além das demissões que estão sendo aceitas, outras virão, e por ordem de queixosos externos que já estiveram nos governos de Adilson Luiz Schmitt, eleito pelo MDB e hoje no PL, no de Pedro Celso Zuchi, PT e de Kleber. Impressionante.

Se resolver governar e imprimir a sua marca, sem reclamar do fardo, o prefeito Paulo, que agora recebe pedradas, dominará o delegado Paulo que confortavelmente da sua função, porque era parte dela, atirava pedras. A opção de trocar foi exclusivamente dele quando aceitou ser político, ou seja, a de ficar exposto e obrigado a dar explicações à comunidade, ao ministério público e a mídia (a incômoda). Muda, Gaspar!

TRAPICHE

Se demorar muito, o governo do “delegado prefeito” Paulo Norberto Koerich e do engenheiro Rodrigo Boeing Althoff, ambos do PL, vai ser obrigado a dar uma certidão de eficiência e probidade ao ex-prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, e aos ex-vices dele, Luiz Carlos Spengler Filho e Marcelo de Souza Brick, ambos do PP.

O tempo para as dúvidas levantadas no palanque eleitoral estão se esgotando e a campanha de 2026 – e que o fez vencedor – está se esgotando a cavalo. Ao lado o mato tomando conta da caríssima ligação do pasto do jacaré e as floreiras que nem mato crescem. O flagrante desta semana, é de Élcio de Oliveira, PT.

Esperava-se uma necrópsia do governo passado diante de tantas supostas evidências e até recortes de áudios com conversas cabulosas entre membros e próximos ao antigo governo.

As notícias mais recentes, dão conta que os mesmos influencers do governo passado estão, aos poucos e bem discretamente, preenchendo vagas de confiança no atual governo. Isto em tempo de aplicativo de mensagens, no fundo, é a verdadeira necrópsia de uma metástase incontrolável e que perpassa governo, discursos, ameaças para não se colocar o dedo na ferida, bem como nas esperanças de mudanças.

Falta do que fazer para distrair a distinta plateia que estava ávida por mudanças. Uma audiência pública discutiu em Gaspar a contrariedade dos pais bolsonaristas e negacionistas a obrigatória vacinação das crianças em idade escolares como premissa básica para suas matrículas nas escolas daqui. A obrigação e a lei são federais. A fiscalização e o cumprimento são do Conselho Tutelar e da Promotoria Pública. E os dois foram malhados por “entendidos” de todos os tipos. O radicalismo impressiona, também.

O que impressiona? É como este tipo de rebeldia contra a ciência prospera sob diversos disfarces. Primeiro, os pais obrigados à proteção dos seus próprios filhos, acham que isto é ferir a liberdade de escolha e por este entendimento, estão livres do cumprimento da lei – incluindo o delegado – que nos torna igual perante ela. Segundo: a zombaria. Juram que não são contra a vacina, mas a obrigação da vacinação. Ora, se reconhecem que as vacinas não fazem mal e protegem os vacinados, por que tanta brigaçada, alimentando provocação e desgastes do governo do “delegado prefeito” Paulo Norberto Koerich, PL, com o Ministério Público que está de olho em tudo isso, e colecionando declarações lisas, dúbias e de confronto?

Outra é a Moção do Nada. O presidente da Câmara de Gaspar, Alexsandro Burnier, PL, teve aprovada uma Moção de Apelo ao Ministério da Justiça e Segurança Pública pela revisão da Portaria nº 830/2024. É pela retomada da parceria entre a Polícia Rodoviária Federal e o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) de Santa Catarina. O argumento? De que esta parceria resolveu casos complicados de malversação dos recursos públicos por políticos.

Bobagem. É outra cortina de fumaça do bolsonarismo contra o lulismo e a falta de ação em Gaspar. Se não for, a pergunta que não quer calar é, que, ao tempo em que existia ainda esta parceria, o vereador usou vários discursos na Câmara para alavancar à sua reeleição quando existia a parceria. Mesmo assim, nada avançou. Nem o que denunciou do Ministério Público saiu por exatamente não ter sido uma denúncia formal, mas um relatório, baseado em informações incompletas que recebeu própria prefeitura e não as revisou, de supostas suspeitas. Incrível.

Coisa simples, mas que se complica no tempo. Gaspar está desde o dia 31 de dezembro sem Área Azul naquele velho esquema manual e do jeitinho. Uma reunião, emergencial, com a participação do próprio “delegado prefeito” Paulo Norberto Koerich, PL, além de entidades e empresários e Ditran, foi feita para solução imediata. Havia consensos. Eles seriam referendados por estudos. Depois, a regularização via Projeto de Lei. Até agora, silêncio. Foto ao lado é do dia 13 de janeiro. Hoje é dia 13 de março.

Aliás, o trânsito no centro da cidade vira e mexe tem estrangeiros donos dele. São comuns carretas e ônibus de excursões, atravessando na contramão no trecho do binário da Rua Nereu Ramos que fica defronte a Linhas Círculo. Esta semana uma carreta no outro lado da entrada da cidade, na Aristiliano Ramos para se mover, os auxiliares do motorista, moveram os gelos baianos, não o recolocaram no lugar. Com deliberada infração, geraram acidentes com prejuízos a terceiros. Perguntar não ofende: o que fazem, ou servem, as tais câmeras de monitoramento neste e outros casos? Quem as controla e porque não se age? Muda, Gaspar!

A tal “Fábrica” que o ex-governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, montou no ginásio vereador Gilberto Sabel com recursos do FIA e geridos pela secretaria de Assistência Social, está sob a lupa do Ministério Público. Este tipo de atividade nem seria foco da secretaria e há dúvidas se poderia ter sido usados recursos do FIA. Se alguma iniciativa sustentável fosse, seja ela econômica, pedagógica e logística, caberia para a secretaria de Educação (que aliás foi a inventora disso no governo passado), a cliente do projeto. Tudo errado. Só confusões. Pior mesmo é a forma como querem emendar os erros do passado. Impressionante.

Quem está passando por mexidas é a Superintendência da Defesa Civil e Proteção ligada a secretaria de Planejamento Territorial. Rifaram o geólogo. Ele teimava em abrir o sarcófago do passado. É outro caso cabeludo, devidamente instruído em abundante e acintosas provas, tudo deverá parar, mais uma vez, Ministério Público. Qual a razão do atual governo se arriscar tanto e se contaminar com os compromissos mal explicados em jogos de interesses governo passado? Exposição gratuita. Inacreditável.

A diferença. Blumenau, via a sua secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade, anunciou que abriu um novo programa de castração gratuita de animais. Vão ser em média 300 por mês. Paralelamente iniciou o “censo Pet”. Já em Gaspar, vacinaram mais de 100 cães em abrigos. Isto porque receberam a doação de 180 doses da vacina. Lá em Blumenau há política de saúde pública no que toca animais. Já aqui…Muda, Gaspar!

Um dia sim, outro também. O “delegado prefeito” Paulo Norberto Koerich, PL, ainda não se acostumou a prestigiar a equipe que escolheu para governar Gaspar. Informações oficiais passadas à imprensa, ou disponíveis nas redes sociais que se administram para ele, dão conta de visitas, ou encontros sem os respectivos titulares da pasta. Isto é um sinal, ou falta de traquejo com a ritualística do cargo, ou mau assessoramento nas agendas promovidas pela chefia de gabinete?

Quanto mais eficiente, mais pressionada. A secretária de Educação, Andreia Simone Zimermann Nagel, é do ramo e pouco afeita a mimimi. Foi uma das poucas que fez a transição mínima e a única que produziu o primeiro dossiê real de mau uso e desperdício do dinheiro público pelo governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB. Entrou de gaiata na bola dividida por barbeiragem na Câmara pelo próprio governo sobre o plantão das creches; está sendo questionada por suposto conflito de interesses e na última sessão, o PT, que ela mais combateu quando vereadora, virou as baterias sobre a suposta insuficiência de câmeras nos educandários municipais.

No final de semana, a secretaria de Educação fez um mutirão para colocar minimamente em dia os aparelhos de ar condicionados, mal recebidos da gestão anterior. Era uma pressão da comunidade e uma necessidade evidente. Não havia desculpas e postergação. Botou a mão na massa. Nesta semana, saiu o edital de para a compra das câmeras e sistemas para as escolas e creches de Gaspar. E o PT perdeu o discurso, parcialmente o discurso que fez na terça-feira quando entrou com um Projeto de Lei para corrigir esta anomalia. Nem isso, o atual governo conseguiu se comunicar com a cidade. Primeiro porque é ruim nisso. Segundo, porque falta alguém de credibilidade e independência na mídia para mostrar ou verbalizar isso.

A língua é o chicote do dono. Abaixo, o vereador campeão de votos, Alexsandro Burnier, PL, cantando de galo em terreiro alheio, a prefeitura, no dia primeiro de janeiro. O dele é a Câmara. Mas, perguntar não ofende, o que mesmo ele e o governo do “delegado prefeito” Paulo Norberto Koerich e do engenheiro Rodrigo Boeing Althoff, ambos do PL, tiraram debaixo do tapete e que eles diziam ter sido escondido por Kleber Edson Wan Dall, MDB, Luiz Carlos Spengler Filho e Marcelo de Souza Brick, ambos do PP.

É isto que a cidade está esperando, está percebendo e está inconformada. Ela não se esqueceu de discursos e vídeos como este para ganhar likes e votos. O título do vídeo é sugestivo “conforme o prometido”. Está na hora de se mexer ou então, recuar e criar mais cortinas de fumaça. Muda, Gaspar!

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10 comentários em “É PRECISO REZAR MUITOS “PAI NOSSO”. SURPREENDIDO E ANTES DE SER TRAGADO PELA CIRCUNSTÂNCIAS, O “DELEGADO PREFEITO” PAULO RESOLVEU SAIR DO GABINETE E GOVERNAR. MAS, SE QUISER SAIR DA LETARGIA E DESCULPAS, VAI TER QUE MEXER NA EQUIPE.”

  1. PROTECIONISMO DE TRUMP É UM DESASTRE, por Carlos Alberto Sardenberg, no jornal O Globo

    E essa, hein?! Quem diria que a globalização seria detonada a partir dos Estados Unidos? Pois é o que Trump está fazendo a golpes de tarifas de importação distribuídas de modo errático. Se prosseguir nessa direção, causará danos enormes aos Estados Unidos e ao mundo todo.

    A perspectiva de desastre já aparece nos Estados Unidos. O índice S&P 500, que reúne ações das maiores companhias americanas, registrou alta expressiva com a eleição de Trump. O pessoal esperava um ambiente de corte de impostos e eliminação das regras que controlam os negócios. Para esse pessoal, isso de tarifas era só coisa de campanha, que Trump logo esqueceria depois de impor algumas taxas aqui e ali. Diante do modo agressivo do presidente, o mercado se assustou. Todo o ganho na Bolsa de Valores foi consumido em dias recentes.

    Os consumidores também perceberam que algo estava errado. Haviam votado num presidente que prometia derrubar preços “no primeiro dia”. E toparam logo com a perspectiva de mais inflação. Os dois principais índices de confiança do consumidor, da Universidade de Michigan e do Conference Board, despencaram em março, depois das altas de dezembro, pós-eleição.

    As dúvidas envolvem métodos e objetivos. No primeiro momento, parecia que as tarifas aplicadas às importações de México e Canadá eram uma ameaça. Se os dois países vigiassem as fronteiras, de modo a coibir a passagem de imigrantes ilegais e drogas para os Estados Unidos, as tarifas seriam suspensas. Os governos de México e Canadá reforçaram seus controles de fronteira, com bons resultados. Mas as tarifas, viu-se logo, não eram só para isso. Trump está no modo protecionista clássico: aumentar tarifas para tornar mais caros produtos importados e, assim, levar as companhias americanas a produzir e vender localmente.

    Não funcionará. Pior. Será uma “devastação”, disse o CEO da Ford, Jim Farley. Consideremos três situações: indústria automobilística, setor agrícola exportador e vinhos.

    A produção de carros na América do Norte é um exemplo acabado de integração de produtos e serviços. Nada menos que 3,6 milhões de veículos leves vendidos nos Estados Unidos no ano passado foram montados no México e no Canadá. Isso representa quase um quarto do total de vendas. Ocorre que parte importante das fábricas instaladas nos vizinhos pertence às três grandes companhias com base em Detroit: Ford, Stellantis e GM. Além disso, todo carro montado nos Estados Unidos tem componentes importados de México e Canadá. Não é raro que um componente cruze as fronteiras várias vezes, sendo elaborado em diferentes fábricas. Além disso, parte dos carros da Volkswagen e da Nissan vendidos nos Estados Unidos também sai de fábricas mexicanas. Segundo Trump, os Estados Unidos não precisam de nada disso. Podem produzir tudo em casa.

    O pessoal faz contas: quanto custaria fechar as fábricas de fora e reconstruí-las nos Estados Unidos? Segundo cálculos citados pela revista Economist, não ficaria por menos de US$ 50 bilhões, em vários anos. Feito isso, os custos das montadoras subiriam às nuvens, reduzindo lucros e vendas. E, pois, derrubando a atividade econômica. Só com a aplicação das tarifas de 25%, os carros provenientes de México e Canadá ficam em média US$ 2.700 mais caros no mercado americano. Nos mais sofisticados e mais lucrativos, US$ 9 mil de sobrepreço.

    Trump também disse que os agricultores americanos deveriam produzir e vender localmente, em vez de exportar. A Economist, na sua ironia, perguntou: como transformar fazendas de soja para exportação em produtoras de avocado, fruta hoje comprada no México?

    E os vinhos? A União Europeia, em retaliação, anunciou tarifas sobre a importação de uísque americano, o bourbon. Enraivecido, Trump ameaçou com tarifas de 200% sobre vinhos europeus. Os Estados Unidos são ao mesmo tempo os maiores produtores, consumidores e importadores de vinho, especialmente de França e Itália. Levaria anos para as vinícolas locais substituírem a importação, se tivessem recursos para esse pesado investimento. Enquanto isso, o preço dos vinhos importados vai disparar.

    Protecionismo dá nisso: inflação e desaceleração da economia.

  2. Um interessante ponto de vista para quem se interessa pelas possíveis irresponsáveis maluquices de Trump, o conservador, o da direita e que nos afetarão diretamente. Para o bem, para o mal, na nova desconhecida janela de oportunidade de um maluco que quer salvar a si como se dono de si fosse, depois que construiu por décadas, uma liderança onde foi o principal beneficiário. É um artigo didaticamente simples de se ler e compreender.

    AMERICANOS PAGARÃO POR ATAQUE À ORDEM GLOBAL, por Fareed Zakaria , traduzido para o jornal O Estado de S. Paulo. Originalmente publicado na Newsweek

    Cingapura joga suas cartas geopolíticas com cuidado, ao tentar manter boas relações com os EUA em uma região dominada pela China. Então, vale a pena prestar atenção quando seu ministro da Defesa diz que a imagem de Washington “mudou de libertador para grande desestabilizador, para um senhorio buscando aluguéis”. Seu premiê, Lee Hsien Loong, resumiu o desafio que o mundo enfrenta: “Os EUA não estão mais dispostos a garantir a ordem global”.

    Em poucas semanas, o governo Trump pôs em prática uma revolução na política externa americana, abandonando um antigo aliado democrático, a Ucrânia, cuja segurança os EUA prometeram defender desde a assinatura do Memorando de Budapeste, há 30 anos. Agora, Trump pede uma parte da riqueza mineral da Ucrânia, que seu governo descreve como “retribuição”, em troca de apoio.

    Enquanto isso, Washington declarou uma guerra comercial contra seus vizinhos e parceiros de negócios mais próximos, Canadá e México, e exigiu que a Dinamarca venda a Groenlândia e o Panamá entregue o Canal do Panamá. Os EUA se movimentaram para deixar a Organização Mundial da Saúde (OMS), que o país ajudou a fundar, tentaram encerrar a maioria de seus programas de ajuda externa, revertendo uma tradição de generosidade que remonta à 1.ª Guerra, e suas tarifas são violações claras das regras comerciais que Washington criou e defendeu por décadas.

    DESCONFIANÇAS.
    Essas reviravoltas estão sendo notadas e resultarão em uma revolução na política externa em todo o mundo. Friedrich Merz, homem que provavelmente será o próximo chanceler da Alemanha, disse recentemente: “Nunca pensei que teria de dizer algo assim. Mas, depois das declarações de Donald Trump, está claro que os americanos – pelo menos esta parte dos americanos, este governo – são indiferentes em relação ao destino da Europa”.

    A Alemanha estava no centro do sistema de segurança que os EUA construíram após a 2.ª Guerra. Para esse país começar a tremer, é porque a mudança é sísmica. Merz até aventou a ideia de a França e o Reino Unido estenderem seu guarda-chuva nuclear sobre a Alemanha, porque não está mais convencido de que os americanos defenderiam o país. Essa promessa dos EUA era a essência da Otan, mas ninguém na Europa está certo de que Trump a honrará.

    Os habitantes de Taiwan assistiram nervosamente Trump voltar as costas à Ucrânia. Em vez de oferecer apoio contra as intenções predatórias do vizinho intimidador de Taiwan,

    Trump repreendeu o governo taiwanês por não gastar o suficiente em sua própria defesa. Muitos na ilha agora temem que Trump possa fazer um acordo com Pequim que os deixe abandonados da mesma forma que a Ucrânia.

    REAÇÃO.
    Todos esses movimentos dos EUA surtirão um efeito: começarão a engendrar um novo mundo multipolar. Inevitavelmente, grandes países, como Alemanha e Japão, cuidarão de sua própria segurança. Isso pode significar que, para o Japão, assim como para a Coreia do Sul, armas nucleares se tornarão uma opção atraente – uma apólice de seguro contra agressões.

    Sob o guarda-chuva de segurança dos EUA, o mundo testemunhou uma proliferação nuclear notavelmente baixa. Isso pode mudar drasticamente. Cada país ponderará a respeito de maneiras de se livrar da dependência dos EUA.

    À medida que buscarem independência em relação aos americanos, os países também poderão procurar alternativas ao domínio do dólar. Os europeus, que são na realidade os únicos capazes de montar uma alternativa, podem começar a emitir títulos da União Europeia, que seriam os concorrentes mais eficazes dos títulos do Tesouro dos EUA.

    O “privilégio exorbitante” de os EUA serem donos da moeda em que as reservas mundiais estão depositadas – o que lhes permitiu acumular déficits enormes a baixo custo – pode se desgastar mais rapidamente do que poderíamos imaginar.

    Todas essas mudanças são um presente para a Rússia e a China, cujo objetivo tem sido enfraquecer o poder e a presença dos EUA no mundo. Conforme um analista russo afirmou recentemente sobre a política de Trump para a Ucrânia: é como se fosse Natal, Chanuká, Páscoa e o aniversário de Putin – tudo no mesmo dia.

    Para quem acha que já passou da hora de mudarmos um sistema internacional tão dependente dos EUA, você já pesou os custos e os benefícios? Os EUA passaram oito décadas construindo um sistema internacional com regras, normas e valores que produziram o período de paz e prosperidade global mais longo na história da humanidade.

    Suas alianças são os maiores multiplicadores de força para sua influência no mundo. Os EUA têm sido os maiores beneficiários desse sistema, mesmo agora, décadas depois, ainda definindo agendas e dominando o mundo economicamente, tecnologicamente e militarmente.

    À medida que essa ordem se desfaz, a posição privilegiada dos EUA também declinará, criando um mundo mais perigoso e empobrecido – e os EUA mais isolados, desconfiados e inseguros. O mundo pós-americano está agora à vista de todos.

  3. Mais um exemplo das razões pelas quais os senadores, deputados federais e estaduais, bem como vereadores estão tão desacreditados.

    CONGRESSO DÁ OUTRO PASSA-MOLEQUE NO PAÍS, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

    Todo poder emana do povo. Todo dinheiro nas mãos do poder público, também. Mas é estupefaciente a profusão de contorcionismos e prestidigitações dos mandatários do povo para ocultar o que fazem com o seu dinheiro. Os parlamentares se recusam a dar transparência sobre as emendas ao Orçamento da União, um comportamento profundamente antidemocrático.

    Lá se vão oito meses desde que o Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu a execução das emendas parlamentares até que se cumprissem exigências mínimas de transparência e rastreabilidade. No início do mês, a cúpula do Congresso celebrou um acordo com o governo e o STF comprometendo-se a redefinir o rito das emendas para identificar seus autores e dar transparência a critérios, valores e prazos.

    Seguir a Constituição deveria ser simples e incontroverso, mas, nessa novela farsesca e monótona, a cada passo à frente que um Congresso relutante é forçado a dar por pressão popular ou judicial, os congressistas maquinam meios de dar vários passos atrás de volta à penumbra.

    A aprovação do novo rito, anteontem, foi um exemplo de velhacaria na forma e no conteúdo, a começar pelo procedimento: a minuta preparada na cozinha do alto clero só circulou entre os parlamentares na véspera da votação, e o relatório oficial só ficou disponível 50 minutos antes. Alguns parlamentares pediram mais tempo para analisar o texto, mas a chefia negou.

    A minuta esvaziava competências das consultorias de Orçamento, fiscalização e controle do Congresso, formadas por técnicos concursados para servir aos interesses públicos do Parlamento independentemente dos interesses particulares dos parlamentares de turno. Justamente essas consultorias vêm detectando irregularidades no manejo das emendas. Se prevalecesse a vontade dos autores do projeto, as consultorias seriam submetidas a uma tal “secretaria especial” comandada por algum títere dos líderes do Congresso. A ironia é que essas consultorias independentes foram criadas nos anos 1990 por recomendação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito justamente em reação ao escândalo de desvio de emendas dos “Anões do Orçamento”. O relógio institucional retrocederia 30 anos, com a diferença de que à época o volume de emendas era troco de pinga comparado às dezenas de bilhões de reais de hoje.

    Denunciada por organizações civis que tiveram acesso à minuta, a manobra para esvaziar as consultorias foi abortada aos 45 do segundo tempo. Mas o texto aprovado por uma “frente ampla” de governo e oposição cria novos subterfúgios para cimentar a opacidade na distribuição das emendas. Tal como no malfadado “orçamento secreto”, revelado pelo Estadão e declarado inconstitucional pelo STF em 2022, a nova resolução adota figuras interpostas – antes o relator e as comissões, agora os líderes partidários e de bancada – que formalizam o pedido das emendas, mas ocultam seu patrocinador.

    Várias regras mantêm os processos decisórios nas sombras, como as que flexibilizam o teto individual para cada autor das emendas, permitem que recursos previstos para as bancadas de um Estado sejam repassados a outro, ou dispensam detalhamentos e justificativas para as alocações.

    Por que os mandatários em Brasília gastam tanta energia criativa para esconder dos eleitores o que fazem com seu dinheiro? A pergunta é retórica: é precisamente a falta de transparência que disfarça o favorecimento a parlamentares aliados do comando do Congresso, fazendo das emendas a seiva que alimenta campanhas eleitorais e amplia o poder dos grupos políticos que controlam sua distribuição.

    O relator do caso das emendas no STF, ministro Flávio Dino, antecipou que as providências do Congresso “estão muito longe do ideal” e não descartou novos bloqueios. “Às vezes me perguntam: ‘Quando vai acabar?’. Vai acabar quando o processo orçamentário estiver adequado plenamente ao devido processo constitucional”, disse. A depender da audácia desta legislatura, os passa-moleques para burlar a Constituição não acabarão nunca. Caberá ao eleitorado dizer nas urnas até quando tolerará a apropriação descarada de seu dinheiro para fins privados.

  4. A presidência da República e o STF podem ser problemas, mas no Congresso Nacional, os nossos representes na Câmara e no Senado agem descaradamente paras destruir o país e colocar a pesada conta apenas no nosso colo, que o elegemos, com os bilionários fundos partidários feitros dos nossos cada vez mais pesados impostos on line, e sem canais efetivos de contestações.

    CONGRESSO DOBRA A APOSTA, por Vera Magalhães, no jornal O Globo

    A relação entre Poderes da República não deveria comportar molecagem, mas é difícil encontrar outro nome para classificar a resolução costurada na surdina e aprovada a toque de caixa pelo Congresso que tenta, pela terceira ou quarta vez, driblar as determinações do Supremo Tribunal Federal quanto à necessidade de dar transparência e rastreabilidade às emendas orçamentárias.

    O grau de apego e a insistência bizarra de deputados e senadores em manter algum grau de sigilo sobre a liberação de dinheiro público só escancara quanto esta se tornou, antes de tudo, uma maneira de políticos se perpetuarem em mandatos e expandirem seu poder sobre prefeitos, empresas e eleitorado, num ciclo perverso que eles não querem ver quebrado.

    Basta lembrar que a tentativa de moralizar as emendas começou (já tarde) com a ministra Rosa Weber, lá atrás, em 2022. Desde então, houve seguidas idas e vindas para algo que não é um capricho do Supremo Tribunal Federal, mas apenas e tão somente o Judiciário cumprindo aquilo que manda a Constituição em relação ao Orçamento da União.

    O último lance, com a aprovação de uma resolução que permite que apenas os líderes chancelem indicação das emendas de comissão, permitindo que parlamentares permaneçam incógnitos, tem um teor de afronta ainda maior que os anteriores, porque Hugo Motta e Davi Alcolumbre acabaram de assumir o comando da Câmara e do Senado, foram até o ministro Flávio Dino, se comprometeram com um acordo para, apenas poucas semanas depois, orquestrarem a tentativa de driblá-lo.

    É óbvio que, diante da já esperada manifestação do PSOL, autor de uma das ações que questionam o trâmite das emendas, Dino voltará à carga, provavelmente sustando novamente o pagamento das emendas até que a nova diabrura dos senhores parlamentares seja desfeita.

    Não adiantará de nada os deputados e senadores apontarem intervenção indevida do ministro, conluio com o governo ou o que quer que seja. O assunto já teve diversos rounds, todo mundo sabe o que está posto à mesa, e a resolução com a brecha marota para o sigilo foi urdida propositalmente nos últimos dias, diante da inação por parte do governo, que reconhece sua própria tibieza na relação com o Legislativo e deu a batalha por perdida. É o que explica a votação da proposta com apoio maciço de quase todos os partidos, inclusive do PT.

    Uma segunda manobra que passou relativamente despercebida na votação da resolução prorrogou a atual composição da Comissão Mista de Orçamento até que seja votada a proposta orçamentária deste ano, que segue travada. Com isso, a cúpula do Parlamento mostra que a ideia é manter o Orçamento deste ano como refém até que seja encerrada a novela em torno das emendas — que, como se vê, terá mais um capítulo agora.

    Caso a proposta não seja votada na semana que vem, estará alcançado o recorde de atraso na aprovação do Orçamento, um indicativo inquestionável da forma como a agenda de interesse do país está subordinada aos interesses dos congressistas e de quanto o negócio das emendas é, hoje, condição de vida e morte para eles, da esquerda à direita, com a exceção apenas dos nanicos PSOL e Novo, cada um numa ponta do espectro político.

    Lula disse na campanha que acabaria com o orçamento secreto, mas rompeu a promessa já antes da posse, quando pactuou a votação da PEC da Transição e o apoio à reeleição de Arthur Lira. Há dúvida razoável quanto ao grau de afinação entre ele e Dino na tentativa de disciplinar aquilo de que deputados e senadores se recusam a abrir mão.

    Mas fica nítida a falta de voz e de pulso do Executivo em exigir que a destinação de recursos públicos por parte do Legislativo seja moralizada. A ousadia do Congresso em dobrar a aposta mostra que o negócio é tão lucrativo que a briga compensa.

  5. JUSTIÇA ERRA AO BARRAR COINCESSÃO DE ESCOLAS EM SÃO PAULO, editorial de O Globo

    Governos precisam ter autonomia para decidir sobre políticas públicas. Para isso foram eleitos, com base nos programas apresentados na campanha eleitoral e chancelados pelo voto. Portanto não faz sentido a decisão do juiz Luis Manuel Fonseca Pires, da 3ª Vara de Fazenda Pública de São Paulo, que invalidou dois leilões realizados em 2024 pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) para conceder à iniciativa privada a construção e a manutenção de 33 escolas.

    Não que tenha havido irregularidades. Os argumentos são outros. Para o magistrado, “as possibilidades de deliberar de modo colegiado e participativo por todos os atores envolvidos na educação não podem ser subtraídas da comunidade escolar, com a transferência a uma empresa privada”. Ele sustenta também que não é possível dissociar o espaço físico da atividade pedagógica e afirma ser dever do Estado promover “gestão democrática” envolvendo a comunidade escolar. No ano passado, o mesmo juiz suspendera os leilões ao analisar ação do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp). A suspensão foi derrubada pelo presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Fernando Antonio Torres Garcia.

    No primeiro leilão, foram concedidas 17 escolas. No segundo, 16. O plano é expandir o programa, transferindo a gestão de outros 143 estabelecimentos à iniciativa privada. O governo tem dito que, embora o modelo cívico-militar dessas escolas seja diferente, elas seguirão o currículo da Secretaria de Educação. A parte pedagógica continuará sob controle do estado, bem como contratação e formação de professores. A iniciativa privada ficará encarregada apenas da construção dos prédios e de sua manutenção. Não há, portanto, motivo algum para tanto estardalhaço.

    Pode-se argumentar que as escolas cívico-militares, incensadas durante o governo Jair Bolsonaro, não são um bom modelo para o país — e não são mesmo. Mas havia em 2024 pelo menos 569 estabelecimentos do tipo em 16 unidades da Federação. Não está em jogo, porém, o projeto pedagógico, e sim a concessão de atividades administrativas das escolas públicas à iniciativa privada e o direito do governador de tomar as decisões que julgar adequadas.

    Não importa se a escola é mantida pelo governo ou pela iniciativa privada, mas sim se é bem gerida. A concessão a empresas não significa interferência no ensino. O próprio Ministério Público reconheceu que a concessão “visa à eficiência na gestão pública, sem que haja violação aos princípios constitucionais”. Haverá, diz o governo, economia de R$ 2,1 bilhões na construção de 33 escolas. Não se pode impedir um governo de buscar eficiência na gestão.

    A Justiça não deveria se intrometer na gestão da educação. Quem deve decidir são o governador e seu secretário de Educação. A decisão cria também insegurança jurídica, uma vez que as empresas não sabem se poderão cumprir os contratos. Por isso a anulação dos certames precisa ser revista. Por mais que o plano pedagógico do programa de Tarcísio desperte controvérsia, ele deve seguir seu curso normal.

  6. Referente a Audiência Pública sobre a Obrigatoriedade da Vacina da COVID em crianças. A audiência foi para discutir sobre a obrigatoriedade de um experimento de terapia gênica contra o vírus da COVID-19 em crianças e não sobre as demais, daí sim, vacinas do PNI.

    1. Um “experimento” de amplo estudo, de testes, aplicação e resultados científicos comprovados

      “Experimento” capaz de interromper, com sucesso, em relativo curto espaço de tempo, uma pandemia mortífera que matou milhões (sendo 227 em Gaspar até agora, num dos maiores índices proporcionais de Santa Catarina) e quase colapsou a economia mundial. Este não é um debate científico sério. É uma posição ideológica dos que sobreviveram a uma doença desastrosa e não aprenderam nada como ela. Preferem fazer, marolas, mesmo que houve radicalismos e insensatez de ambos os lados.

  7. ADVERSÁRIOS AJUDAM A DIMINUIR OS RISCOS DE LULA, por Willian Waack, no jornal O Estado de S. Paulo

    Lula abandonou qualquer pretensão de mudança de rota política e econômica já há algum tempo. Refugiou-se nas poucas ideias velhas, nas táticas conhecidas e surradas e nos rostos de sempre. A questão é saber se funcionam para 2026.

    O que parece surgir para Lula como “caminho seguro” na verdade é uma aposta política de risco altíssimo. Causado por sensíveis mudanças sociais que alteraram a percepção dos benefícios fornecidos pelo Estado, e também pela sensível deterioração do poder do Executivo frente ao Legislativo. Diminuiu, em termos relativos, o peso do voto ligado ao assistencialismo.

    Além disso, como o espaço para prosseguir na expansão fiscal vem se estreitando perigosamente (devido a armadilha que Lula criou para si mesmo), a necessidade política de estimular a demanda sofre com a lei das consequências não intencionais. A mais evidente delas é uma persistente inflação e seu corrosivo efeito político. Em outras palavras, a busca pelo efeito eleitoral aumenta as dificuldades políticas (entre elas, incluir no Orçamento os programas sociais).

    Para tratar de um problemão, que é a ampliação de alianças e apoios para 26, Lula está caminhando na direção contrária. Aposta na força de uma agremiação política minoritária que passa por evidente crise de idade, não sabe mais exatamente onde está sua “base social”, sofre simultaneamente com a falta de quadros experientes e lideranças rejuvenescidas. E se recusa a dividir o poder dentro do Palácio do Planalto.

    No plano tático o empenho é promover a figura de um líder populista cujo encanto está diminuindo com a idade e o tempo que ocupa segurando microfones. Nos últimos dias Lula parece ter enxergado na figura de Donald Trump a possibilidade de disputar com os bolsonaristas a primazia do uso dos símbolos nacionalistas no embate político. Não é tarefa fácil: o ranço antiamericano tradicional nas esquerdas brasileiras não tem a mesma amplitude no eleitorado em geral.

    O que melhor tem funcionado para Lula nessa aposta de alto risco é a postura das forças políticas adversárias. Elas não produziram até aqui um “polo” de aglutinação política nem uma liderança incontestada capaz de conduzir o imenso espectro de “centro-direita”, claramente majoritário no eleitorado. Parecem confiar numa “irresistível” inércia pela qual num segundo turno todo mundo se junta mesmo para derrotar o candidato da esquerda.

    É o que explica em boa medida – além da força descomunal das plataformas digitais e redes sociais – o espaço aberto para aventureiros políticos de todo tipo. “Mitos” e seu personalismo trazem no fundo pouca capacidade de transformação e mudança, apesar da força disruptiva em eleições. Ironicamente, o que diminui os riscos para Lula são seus próprios adversários.

  8. TARIFAS DE TRUMP ENFERRUJAM PATRIOTISMO BOLSONARISTA, por Josias de Souza, no UOL (Folha de S. Paulo)

    O patriotismo de Bolsonaro e seus devotos, já bem carcomido pela radioatividade do golpismo, passou a ser corroído também pela ferrugem trumpista. Formou-se na direita brasileira uma militância pró-Trump. O silêncio diante das tarifas que o imperialista laranja impôs aos metais importados do Brasil submete os membros dessa tribo ao risco de atrair uma antiga maledicência do ensaísta inglês Samuel Johnson (1709-1784): “O patriotismo é o último refúgio do canalha”.

    Carbono de Trump no Brasil, Bolsonaro fez da submissão um objetivo de vida. “Acredito que o Trump gostaria que eu fosse elegível”, declarou às vésperas da posse do ídolo. “Tenho certeza de que ele gostaria que eu viesse candidato” em 2026. O deputado Eduardo Bolsonaro passou a dar mais expediente em Washington do que em Brasília. Já não tinha pátria. As tarifas de Trump o deixaram sem discurso.

    Entre todos os silêncios, o mais constrangedor é o de Tarcísio de Freitas. Quando Trump venceu a eleição, o governador de São Paulo correu às redes sociais para celebrar: “Grande dia”, escreveu. Fez pose num vídeo com um boné da “América Grande de Novo”. Informou o que esperava de Trump: “Uma economia mais forte, com menos impostos, uma outra visão acerca da América Latina, uma postura diferente em relação às disputas comerciais que podem virar oportunidades para nós se bem lidas e aproveitadas”.

    Deu tudo errado. Trump promete ampliar o leque de tarifas a partir de abril. Mais de um terço das exportações brasileiras para os Estados Unidos saem de São Paulo. Sabe-se que Tarcísio será candidato a alguma coisa em 2026. Falta definir o cargo. Caindo-lhe a ficha, perceberá em algum momento que precisará pedir votos no Brasil.

  9. INFLAÇÃO EM ALTA É IMUNE A ENCENAÇÕES DO GOVERNO, editorial do jornal Folha de S. Paulo

    Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mostrou-se indignado com os “intermediários” que “assaltam” o consumidor de combustíveis. Disse que estava à caça do “atravessador” que “mete o dedo” no comércio de ovos. Nos dois casos, evocou discursos contra vilões imaginários da inflação que datam dos anos 1980.

    Imunes à demagogia obsoleta do mandatário, o óleo diesel, com alta de 4,35%, o etanol (3,62%) e a gasolina (2,78%), além do ovo de galinha e seus 15,39% recordes desde o Plano Real, contribuíram para o elevado, mas não surpreendente, IPCA de 1,31% em fevereiro divulgado nesta quarta-feira (12) pelo IBGE.

    Na busca ávida por recuperar popularidade, Lula fica estridente, enquanto a reação concreta de seu governo é comedida, porém não muito mais efetiva do que palavras de palanque.

    Anunciou-se que impostos de importação de alguns produtos devem ser reduzidos a zero. O objetivo parece ser o de mostrar que a administração petista faz algo contra a inflação esperada de 5,68% neste ano, especialmente quanto aos preços de alimentos.

    A medida, a depender das condições da oferta mundial e de necessidades de mercados regionais, pode promover alguma redução de custo no atacado, incerta até segundo empresas interessadas nesse comércio. A queda é ainda mais duvidosa no varejo.

    É difícil adotar providências de curto prazo, dado o persistente encarecimento mundial de alimentos, agravado por choques climáticos e, no Brasil, pela alta do dólar, em grande parte responsabilidade do governo Lula e sua gastança insustentável.

    Desde o início da pandemia, o preço da alimentação no domicílio aumentou em média 58,5%, ante um IPCA de 34,8% e uma variação de 42,7% dos salários. É sinal de problemas estruturais.

    A Folha noticiou outra tentativa de lidar com a carestia, ainda em estudo no Executivo: um plano para expandir os estoques oficiais de produtos agrícolas. A ideia tampouco soa promissora.

    Tais políticas são controversas ou, pelo menos, não são de aplicação ampla; têm custos financeiros, de estoque, transporte e comercialização. Se o subsídio é possível, talvez seja mais bem gasto em assistência focalizada para certos consumidores e pequenos produtores.

    Mais importante, o país não tem em geral problema de abastecimento. É grande produtor e exportador dos itens essenciais, com exceção maior do trigo. Tentativas de controlar preços podem criar, já no curto prazo, desincentivos ao produtor.

    No médio prazo, é preciso cuidar da infraestrutura precária em transporte e armazenagem. Ainda há problemas na assistência técnica, nos seguros ou na orientação do uso de terras, principalmente ao se considerar a cada vez mais grave crise ambiental.

    Conter a inflação imediata é tarefa do Banco Central autônomo —para a qual o governo deveria contribuir limitando a alta dos gastos públicos e de sua dívida.

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